<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983</id><updated>2012-02-03T15:25:13.457-03:00</updated><category term='Anima'/><category term='Professor Paspale'/><category term='Crônicas Cardíacas'/><category term='Off the Oyster'/><category term='Olímpico'/><category term='Blecaute'/><category term='Conversar de merda'/><category term='Martinhodavila-O-Matic'/><category term='Almanaque do Doutor Ervilha'/><category term='Lost In Traslados'/><category term='Fatos'/><category term='Aracnophobia'/><category term='Holy Crap'/><category term='Dispensas'/><category term='TeXXXtinhos'/><category term='SUPERENGRASSADO RSRS'/><category term='Nostalgia'/><category term='Escorre Pelas Veias'/><category term='Doce Deleite'/><category term='Notícias'/><category term='SEXO AQUI'/><category term='Música Diária'/><category term='Sacre Coeur'/><category term='Erotiquismo'/><category term='Charges'/><category term='Bestialismo'/><category term='Queimando Filme'/><category term='Deálogos'/><category term='Contos'/><category term='Situaçães'/><category term='Necrofilia'/><category term='Receita de banda'/><category term='Poeteiro'/><title type='text'>Casualidades Distorcidas</title><subtitle type='html'>Escritos inverídicos, e outros nem tanto, sobre fatos ou infatos importantes (ou portantes) acerca da vida cotidiana e, por que não?, incontidiana.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>236</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1849392851701554249</id><published>2012-01-10T15:34:00.000-03:00</published><updated>2012-01-10T15:34:01.051-03:00</updated><title type='text'>Lohengrin</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Aqueles cabelos. Eu e minha mania de querer captar a aura das pessoas justamente na primeira impressão, quando ela é fraca, tênue. Faço isso porque, humildemente, não costumo falhar. As evidências estão nos cabelos, é o ponto-chave. A forma, a cor e a textura do cabelo determinam pelo menos metade da personalidade feminina. Ondulações suaves, tocando os ombros apenas o suficiente para não serem enforcadas, evitando sua suspensão, o que deixaria as pontas esperneando numa morte agonizante, o vento agitando-as como um pêndulo em pequenos círculos castanho-claros. Ela é prática, usa o pente apenas após o banho e nunca mais, joga um creme qualquer por cima e sai de casa antes que seus fios sequem, à contragosto deles. O vento, a poeira, o sol e o suor - &amp;nbsp;que, inevitavelmente, brota de seu couro cabeludo a partir dos 32º, considerando os 80 pontos percentuais médios de umidade - atribuem valores aleatórios à configuração de seu penteado, e o resultado final, quando devidamente enxutos, é sempre surpreendente. Para os outros, não para ela, que nem sequer carrega consigo um espelho para retocar a maquiagem que não usa. É prática, de fato. Desde que desenvolveu coordenação motora suficiente, em sua tenra infância, passava horas em frente ao espelho, escovando sua longa cabeleira sentada à penteadeira, papéis de carta espalhados por todo o quarto, a caixinha de música onde guardava seus brincos, colares e anéis entoava repetidamente uma parca adaptação de Lohengrin, de Wagner, no que a bailarina que rodopiava no centro da caixa tentava acompanhar o ritmo sem muito êxito, pois àquela altura já encontrava-se fatigada, girando aos trancos, perdendo o compasso, a compostura, a moral de ter sido selecionada entre tantas candidatas para aquela vaga, naquela caixa. Lutava contra o fim da carreira, mas já não respondia aos comandos das engrenagens abaixo de si. A corda dada na caixa não correspondia à energia disponível. E ela simplesmente não parava de pentear sua vasta cabeleira, paralisada diante do espelho e do esmero infantil evocado pelas maternidades protetoras, de um ideal de beleza que remete às trevas medievais e que perdura no imaginário feminino desde então. Cãibras. E mais uma apresentação de Wagner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela cansou do emaranhado capilar no dia em que levou para casa o Nevermind emprestado de sua melhor amiga - que provavelmente se chamava Amanda - e trocou o pente pela tesoura. Quando o disco já ia em On A Plain, ela criou finalmente alguma determinação e despertou da inércia que a mantinha, olhos cegos, em frente ao espelho, com seu instrumento de corte à mão direita, polegar, indicador e médio abrindo e fechando suas pernas. Puxou uma de suas longas madeixas e talhou-a sem piedade, seu olhar absorto em um transe hipnótico, ela e o espelho, sua imagem refletida de forma repetida há anos. O espelho não digeriu o primeiro golpe da tesoura, custando a acreditar na mudança, teimando em refleti-la, numa vã tentativa de demove-la de prosseguir em seu projeto. Mas ela já nem olhava mais no espelho. Sua visão já alcançava além da superfície de vidro, um estado de liberdade que a premiaria com mais duas horas diárias de vida. Os restos mortais de sua pelugem craniana criaram uma densa superfície no chão de seu quarto, um carpete macio e castanho, que revolvia-se ao menor vento, ao menor suspiro, o que, sob a luz alaranjada do pôr-do-sol iminente daquela tarde que, passada a fúria da tesoura, encerrava solenemente seus serviços, mergulhando suavemente através de sua janela, dava ao quarto um aspecto outonal. Nesse dia, Wagner não tocou, um mudo anúncio de sua precoce aposentadoria. Precoce, porém bem-vinda. Já não tinha ela mais pernas para tanto cabelo. Nem coreografia para o próximo ato.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1849392851701554249?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1849392851701554249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1849392851701554249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1849392851701554249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1849392851701554249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2012/01/lohengrin.html' title='Lohengrin'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7678863640306474265</id><published>2011-12-13T18:11:00.001-03:00</published><updated>2011-12-14T11:15:56.839-03:00</updated><title type='text'>Pitangas, a parte primeira</title><content type='html'>- Doroteia! Doroteia! - veio gritando Arnaldo, peito nu, pés descalços, poeira até os joelhos, uma algazarra só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritava a plenos pulmões, desafinado pela idade, uma magreza ágil de suricato. Corria, sabe-se lá se por vigor, urgência ou apenas desejo de ser o primeiro a divulgar a notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar aos pés de uma atônita - fosse por susto, nojo ou apenas ansiedade de ser a primeira a receber a notícia - Doroteia, Arnaldo dobrou o corpo para a frente, pondo as mãos nos joelhos latejantes, e arfava sua taquicardia para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doroteia na expectativa, Arnaldo perdendo todo o tempo que ganhara em sua corrida ao recobrar o fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Arnaldo, o que é?, fala logo.&lt;br /&gt;- Amé.&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;- Améri.&lt;br /&gt;- Solta, menino!&lt;br /&gt;- Américo, abigobal! - gritou Arnaldo ao desagradecimento da menina.&lt;br /&gt;- Que tem o Américo? - perguntou com brilho nos olhos, sorrisinho cretino indisfarçável. Depois parou e refez a pergunta, agora em tom grave:&lt;br /&gt;- Que tem esse menino, esse Américo?&lt;br /&gt;- Ele... Arf. Arf. Arf.&lt;br /&gt;- Fala, Arnaldo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez-se ouvir, súbito assim que nem eu esperava, um galope desenfreado de outras dez pernas tão arnaldas quanto as do sujeito que bofava seus últimos ares ainda encarando o pó da rua, agora agranevoado pelas sombras que sacudiam multidirecionalmente o que pisavam pela frente. Eram seus rivais de imprensa buscando o Pullitzer das notícias populares da Rua Santos Moreira. Tal qual um carro que descobre que quebrou na reta de chegada, Arnaldo era pura falta de ação. Os outros já vinham disputando desde a esquina a apregoação da boa nova como corretores da bolsa, atropelando-se a esmos, voz sobre voz, e quando aproximaram-se em passos delicados de manada, não se soube de qual depósito de cáries partira o anúncio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Américo quer namorar com você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7678863640306474265?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7678863640306474265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7678863640306474265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7678863640306474265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7678863640306474265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/12/pitangas-parte-primeira.html' title='Pitangas, a parte primeira'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1056832456151857649</id><published>2011-12-01T17:11:00.001-03:00</published><updated>2011-12-02T08:48:27.683-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><title type='text'>BELONG, to</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uJRCB0WFQFg/TtffgankC5I/AAAAAAAAAXk/9eXziJe5yNs/s1600/DownColourfulHill.cd.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-uJRCB0WFQFg/TtffgankC5I/AAAAAAAAAXk/9eXziJe5yNs/s1600/DownColourfulHill.cd.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Estar. Madrugada muda, junto com o frio que estimula o despertar inoportuno para uma ida ao banheiro. Automaticamente, minha vista já se acostuma ao breu, dada a escuridão que pesa no apartamento, viscando as paredes, derretendo do teto como tinta sintética e o tom é esse, nada mais que. Não, já não é minha casa. Não assim, do jeito que ela me olha, paredes quatro, lançando todo o concreto sobre mim, me estranhando como um cachorro bravo. Já não é minha casa, já não é confortável como fora. Como lá fora. Já não me protege mais do frio, já não me abriga na dor que aperta com a saudade, já não me embala nos sonos perturbados. Não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela só me perscruta, observando meus passos agora inseguros. Para de me seguir, que merda. As paredes, todas elas, olham sem uma expressão definida para mim, o que me aborrece. Não há uma intenção primária, um ódio me atravessando, somente o estranhamento, rosnando silenciosamente em minha direção, como qualquer casa faria com o dono que lhe ofereceu vida, personalidade e sei lá mais o quê enquanto esteve ali. Agora, só um estranho. Vai pra lá, que saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela diminuiu. Minha casa agora é pequenina, abaixo a cabeça e me curvo para ligar a televisão. Acocorado, assisto a estática da madrugada, cujo som agressivo é tão uniforme quanto o silêncio, não há contrafeito. Ela me espreme até sair. Eu ainda quero ver a estática, ela não está nem aí. Não enquanto eu ali estiver. Fora, vai, vai, xô. Ingrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa, mas não é minha. Não é essa, nunca foi. O gelo que dela emana apavora. Desde o começo, nos engasgamos. Porque não nos somos. Só houve um momento de acerto. E foi o momento do acerto final, quando ambos cansamos de nossa peleja. No momento em que eu cedi, ela cedeu. Juntos, batemos na lona três vezes. Foi o momento em que eu já não pertencia, e ela não se importava. Vai embora, caralho, vai. E me deu uma nova casa, um novo lar, um novo colo. Ela já não era minha casa. Ela, sim, era. Agora era. E quanto a outra ela, nunca mais nos falamos. Apenas nos aceitamos, um como o inquilino indesejado do outro. Cada um pro seu lado, cuspindo suas lamúrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a casa é nua, tal qual nasceu na minha mão, tão promissora, presságio de uma vida nova, nua em páginas em branco, aguardando por ser riscada, com aquele carinho de um amante das letras por uma vagina superfície. Me risca, faz tua história em minhas costas, em meu ventre. Agora, ela é nua de novo. Arrancou as tatuagens, ficou em branco para que outro se institua. Agora, a casa é nua. Minha casa é outra. Outro colo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1056832456151857649?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1056832456151857649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1056832456151857649&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1056832456151857649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1056832456151857649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/12/mi-casa-su-casa.html' title='BELONG, to'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-uJRCB0WFQFg/TtffgankC5I/AAAAAAAAAXk/9eXziJe5yNs/s72-c/DownColourfulHill.cd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4891794939984423274</id><published>2011-11-29T09:22:00.001-03:00</published><updated>2011-11-29T09:22:49.192-03:00</updated><title type='text'>Régua</title><content type='html'>Era uma canção torta, de letra confusa, de melodia quebrada, mas que era exalada no suspiro sorridente da menina. Porque mesmo sendo torta, confusa e quebrada, era uma canção - com letra e melodia - que falava o que ela queria ouvir, que explicava seus sentimentos atuais, pois também eram todos tortos, confusos e quebrados, mas não para a menina. Pois, para ela, era uma linha reta, feita na régua, com letra de forma e justificado. Eu que fui temerário, ao concluir que ela era torta, confusa e quebrada, pela ideia de que uma canção torta, de letra confusa e melodia quebrada se encaixaria com seus sentimentos igualmente tortos, confusos e quebrados. E não era. A canção, sim. Ou estou sendo frívolo novamente, no meu julgamento superficial. Porque quem sou eu pra julgar o encaixe das canções nas veias das pessoas? As que me soam normais podem ser igualmente tortas, confusas e quebradas pros outros. E eu também, apesar de me achar normal e reto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4891794939984423274?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4891794939984423274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4891794939984423274&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4891794939984423274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4891794939984423274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/11/regua.html' title='Régua'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4558361293994646026</id><published>2011-10-31T14:19:00.001-03:00</published><updated>2011-10-31T14:29:12.883-03:00</updated><title type='text'>Expurgante</title><content type='html'>Ela estava com a barriguinha inchada. Ora, sempre ficava assim quando ele punha os pés, um ante o outro, sobre o assoalho de sua casa, que - ai, ai, ai - estava imundo mais uma vez. Ela também. E ainda tinha a barriguinha inchada, porque ficava nervosa e retorcia as tripas quando o via entrar, ela que o via tão grande, superlativado em tantas coisas boas que ele nem sabia que a faziam tão bem e tão pequena para si mesma. E, com tantos benefícios num esqueleto só, ela só podia ficar com a barriguinha inchada, coitada. Ele não entendia e sempre perguntava se doía, se ela não conseguia aliviar aquele inchaço, simplesmente porque não compreendia tanto alvoroço em torno de mancebo tão normal como ele. Ela lhe devolvia uma expressão tristonha, quase desesperada, buscando nele, tão neófito nas artes médicas caseiras onde sua mãe é mestre, algum remédio, simpatia ou coisa que o valha que lhe atenuasse os efeitos do nervosismo. Não sou nada demais, não é possível que essa barriguinha seja por minha conta, e, ademais, já tem 7 meses que venho aqui às sextas, e são 7 meses que sua barriguinha só trabalha com a CLT de baixo do braço, ele dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, pobrezinha, alisava a própria barriga como a um filho que germinava em contrações violentas. À noite, quando ele já dormia em profundo ronco, ela virava de lado para gemer baixinho a dor de sua constipação. Eram pequenos ai, espaçados simetricamente, ai, ai, ai, baixinho, que era pra não acordar ele, que não gostava de ser acordado de madrugada. A barriguinha, coitada, inchava e inchava e até ficava vermelhinha, de tanta inflamação. Mas nada de querer funcionar. Porque elas, as vísceras, eram sentimentais, e ficavam buliçosas quando o viam chegar, tão garboso e cheio de amores, aquela avalanche de homem que se amontoava sobre ela, e o frio na barriga era tão grande que congelava. A barriguinha inchada, apesar da dor, era uma dor boazinha, porque a lembrava de quanto gostava da companhia dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa sexta, ele chegou no mesmo horário, no mesmo passo arrastado que se fazia ouvir desde a porta do elevador, atravessando o corredor lentamente, como um ceifador a espreitar por suas almas-alvo. Ela, no sofá roxo da sala, em desespero. Pôs alguns panos de cozinha por baixo da blusa, sem nem atentar para a ridicularidade da composição, que tinha acabamento infantil na tentativa de simular uma barriguinha inchada. Isso porque ela não estava com a barriguinha inchada. Muito pelo contrário, sua barriguinha trabalhara bastante nesta sexta. Ele, atravessando a soleira da porta, olhou assustado, levemente indignado, para a pontinha da toalha azul que pendia por baixo da blusa de gatinhos. Aproximou-se dela, que estava nervosa como sempre, mas não mais pelo inchaço na barriguinha, mas pela ausência dele, pois - sabia ela - ele iria notar. Tocando-lhe a barriga felpuda, ele a olhou boquiaberto. Sua barriguinha, disse e parou. Ela tremia de bater os dentes. Onde estão as borboletas daqui?, ele perguntou. Voaram, ela respondeu, mudando a entonação por pelo menos quatro vezes nessa única palavra. Você as soltou, e ela ficou sem saber se ele afirmava ou questionava, então preferiu titubear em silêncio. E em silêncio ficaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, borboletas, das que lembram batatas de onda, flauteavam alhures, buscando outra barriguinha para hospedar. Seu trabalho ali já estava feito. Os dois, voltando ao apartamento, sorriam um para o outro. A barriguinha inchada não mais os atrapalharia. O amor instalou-se em definitivo. E ele não mais precisava fingir dormir para que ela gemesse seus ai sossegadamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4558361293994646026?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4558361293994646026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4558361293994646026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4558361293994646026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4558361293994646026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/10/expurgante.html' title='Expurgante'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8939552725148806014</id><published>2011-08-23T19:11:00.003-03:00</published><updated>2011-08-23T19:12:39.938-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TeXXXtinhos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;TeXXXtinhos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;X&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A caixa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando suas compras pela esteira, foi surpreendido pela indignação da caixa, quando esta tomou ares de horror ao lançar seu leitor de código de barras contra o inocente pacote de camisinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você... você usa camisinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debochado e natural como só ele, respondeu na lata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uai. Você não?&lt;br /&gt;- É que - risinho escancarado, sem esforço algum para ser discreto - é estranho ver um pacote de camisinhas junto a mamões, sucrilhos e detergente.&lt;br /&gt;- Então, nessa sua linha, eu só poderia comprar camisinha em sex shop, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ria, ria, ria, balançando a cabeça. E, bonitinha como era, seria inevitável terminar sua noite na carreta do caminhão dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda na sua lógica, talvez devêssemos ter transado num carrinho de supermercado, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ria, ria, ria, pobre inocente menina. E mal usaram a camisinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8939552725148806014?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8939552725148806014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8939552725148806014&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8939552725148806014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8939552725148806014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/08/texxxtinhos-x-caixa-passando-suas.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2326872622531029452</id><published>2011-08-19T16:17:00.002-03:00</published><updated>2011-08-19T16:17:55.810-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>The Future Of Drones</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Since the Technological Security Act of  2012, drones are everywhere. Their implementation in the public space  was fairly easy as most people were amazed by this multitude of flying  objects that was intelligently avoiding them. With time, they barely saw  them anymore and only tourists and children were still paying attention  to those silent flying machines.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;The first ones implemented were strictly  dedicated to surveillance as the Congress fermly stipulated in order  not to worry the population. However, the riots in November 2012 in  Detroit followed by what is now known as the Brooklyn insurrection in  April 2013 pushed the legislative power to elaborate and vote the Civil  Peace Preservation Act that saw a whole new arsenal of various drones to  appear in public space. The anti-riots one, for example were  distributed in two categories: dissuasive and lethal. That is how we  just assisted to the largely documented debate around the recent death  of Melvin Jones in New Orleans, apparently killed by mistake by a lethal  class Drone Epsilon. Nevertheless, as proven during the trial that  opposed Jones’ family and the Louisiana State, the very concept of  mistake is inapplicable to a machine and thus cannot be claimed as the  object of a judiciary procedure.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;This embarrassing story cannot hide the  reality: Drones are here and they are now indivisible from our security  strategy. The debate around them mostly concerns their field of action  and only few radical activists are still advocating for their absolute  withdrawal from the public space. Among them, Professor Carolyn Youn  even argues that it might even be too late as drones already gathered  enough artificial intelligence in order to revolt against their creators  if the latter would attempt to restrain them…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Caroll Herman. The New York Times&amp;nbsp;: December 04th 2016&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2326872622531029452?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2326872622531029452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2326872622531029452&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2326872622531029452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2326872622531029452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/08/future-of-drones.html' title='The Future Of Drones'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5351370727140595380</id><published>2011-08-04T13:29:00.004-03:00</published><updated>2011-08-04T13:30:28.059-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Banal</title><content type='html'>Quando achou um amor à sua altura, morreu de elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5351370727140595380?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5351370727140595380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5351370727140595380&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5351370727140595380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5351370727140595380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/08/banal.html' title='Banal'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5737345572182788971</id><published>2011-08-03T22:52:00.000-03:00</published><updated>2011-08-03T22:52:42.747-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TeXXXtinhos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;TeXXXtinhos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Alana, a cafeteira&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"Trabalho na Afonso Pena, esquina com a Ceará, num café bem bacana. É bem bacana porque dá uns sujeitos bacanas por aqui, que trabalham nos empresariais das redondezas. E a gente sempre sonha com aquele conto de fadas que um dia vai aparecer um desses caras de terno pra tirar a gente daqui. Daqueles altos, morenos, de cabelo jogado pra trás, com aqueles óculos escuros de aviador e carro japonês. Acontece nos filmes, e se acontece nos filmes, é porque já aconteceu de verdade pra alguém contar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então, tem um desses bacanas que passa aqui todo dia, religiosamente às 9 da manhã, com o Estado de Minas debaixo do braço, senta na mesma mesa, cruza as pernas e pede um capuccino. Enquanto espera, fica lendo o caderno de economia, e eu tento pegar alguma brecha do caderno de esportes, mas parece que ele não gosta tanto e deixa sempre lá no fundo. O nome dele é Mateus, já perguntei, pra ser educada. Ele sempre sorri pra mim. Aquele sorriso discreto, sem dentes mesmo, que eu acho mais sensual. Ele sempre sorri olhando nos meus olhos, muito simpático. Ele tem aquele cabelo ondulado de italiano, bem preto, que ele passa gel e fica brilhando mais que o sapato envernizado dele. Ele é alto, fortão. Bem que podia me levar pra morar com ele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O chato é que o papo da gente nunca passa do o-de-sempre?-sim-ok-já-volto-aqui-Mateus-obrigado-obrigada-você. E nem tem muito como mudar, não posso me intrometer na vida dele. Já pensei em deixar derramar café no colo dele, mas acho que isso ia deixar ele mais nervoso do que encantado comigo. Eu sempre preparo o capuccino dele, faço questão. Coloco sempre mais pó, pra deixar bem encorpado, e ele sempre elogia. Daí que tive a ideia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eram 10 pras 9, ele ia chegar já. Aproveitei que o movimento acalmou no café, peguei uma xícara na cozinha e fui pro banheiro. Chegando lá, entrei em um dos sanitários, arriei a calcinha, levantei a saia e comecei a me tocar do jeito que aprendi. Fechei os olhos e pensei nele, no Mateus. Fiz com bem muita força, bem rápido. Não demorou muito e gozei daquele jeito que molha tudo, parece xixi. Aí, claro, coloquei a xícara bem embaixo. Encheu um dedo daquilo, acho. Suei, o coração disparou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando saí do banheiro, me desamarrotando toda e ajeitando a calcinha, vi, da cozinha, que Mateus vinha entrando no café. E eu ali, estatelada, com a xícara na mão, me tremendo. Aí vi Alice, a outra garçonete, indo atender ele. Num salto, corri em direção à mesa dele, com a xícara na mão. Alguma coisa saltou pra fora, respingando num cliente, que se virou de cara feia pra reclamar comigo, mas imediatamente parou quando percebeu o cheiro amargo, parece que reconheceu e ficou refletindo nele. Alcancei Alice por um triz, puxei sua blusa por trás, lancei meu sorriso amarelo, ela se tocou, fez uma careta pra mim, riu, piscou o olho e foi atender o cliente respingado. Ainda deu pra ouvir ele pedindo 'eu quero um daquele que aquela moça está levando', no que Alice se virou pra mim, apertando os olhos e ficando com cara de boba, e eu lancei uma cara de 'foi mal', colocando as mãos pra cima, sem poder fazer nada, e voltei minhas atenções para Mateus, que me esperava com aquele sorriso simpático na cara".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, desculpa, Mateus.&lt;br /&gt;- Tudo bem, Alana. Fico feliz em saber que tenho atendimento personalizado aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ri e sei que fiquei vermelha. Ele pediu o capuccino, anotei e fui correndo para a cozinha. Fiquei no canto mais isolado, peguei a água e o pó me misturei na xícara, aquela do banheiro, pus mais pó e um pouco de leite, pra ficar bem encorpado. O cheiro que subiu foi bem forte e o capuccino ficou bem grosso. Super sem graça, fui até a mesa dele, deixei a xícara rapidinho, morrendo de vergonha e fui logo para outra mesa. Enquanto anotava outro pedido, fiquei observando ele experimentando a bebida de longe. Vi que fez uma cara diferente, afastando a xícara, cheirando o capuccino como quem entende de vinho. Ficou ali, mexendo a xícara, olhando pra ela como se nunca tivesse visto uma antes. Bebericou mais um pouquinho, agora passando a língua nos lábios. Recostou na cadeira, ainda olhando pra xícara, o jornal esperando impaciente e ciumento sobre a mesa, mas ele não estava nem aí. Aí ele começou a olhar em volta, meio que procurando alguém pra chamar. Tirei logo os olhos dele e fingi anotar alguma coisa, mas ele me viu, não adiantou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alana?&lt;br /&gt;- Oi, Mateus!&lt;br /&gt;- Você pode vir aqui, por favor?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fui até lá com as pernas tremendo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse capuccino, foi você também quem fez?&lt;br /&gt;- S-sim, Mateus. Como sempre. Algo de errado? - mordi o lábio inferior, ele ainda admirando a xícara.&lt;br /&gt;- Tem algo de estranho nele. Não está igual aos outros. Está mais... - e ficou movendo a xícara em círculos embaixo do seu nariz.&lt;br /&gt;- Mais como, Mateus?&lt;br /&gt;- Não sei dizer, mas... está... forte. Isso. Sensual, talvez.&lt;br /&gt;- Acho que foi o novo... adoçante.&lt;br /&gt;- Ah, é? Gostei muito. Dá vontade de ficar revolvendo um gole na boca durante horas. Parece um... veludo, tão macio.&lt;br /&gt;- Nossa... q-que bom que gostou, Mateus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tensão. Ele parou e me olhou, sério. Me olhou nos olhos, sério. Depois deu um pequeno sorriso e continuou olhando nos meus olhos, sensual. Abriu a boca, hesitou e segurou o ar. Novamente, abriu a boca, apontou o dedo pra mim e hesitou de novo. Antes que fechasse a boca, ele soltou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, Alana. Mas... se eu... sei lá... se eu lhe convidasse para preparar um desses, igual a esse lá em casa, hoje à noite, nada de mais, não me entenda mal, por favor - e exagerou sua proposta, balançando os braços negativamente -, é só para sairmos um pouco desse ambiente, entende...&lt;br /&gt;- Eu aceito, Mateus.&lt;br /&gt;- ...porque não quero que... oi? Você aceita?&lt;br /&gt;- Sim, claro. Por que não? Só um capuccino.&lt;br /&gt;- Ah, então... tudo bem... olha... vou anotar meu número aqui... depois você me dá um toque que eu... te retorno... aqui, pronto.&lt;br /&gt;- Tudo bem - e sorri marotamente.&lt;br /&gt;- Você... vai precisar comprar os ingredientes? Eu posso comprar pra você quando estiver saindo do trabalho.&lt;br /&gt;- Humm... você pode comprar o pó da Fernucci, que é o melhor, leite em pó integral... deixa eu ver... canela e chantilly. Isso.&lt;br /&gt;- Certo. Mas... e esse adoçante, qual é?&lt;br /&gt;- Esse pode deixar comigo. Eu levo o meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5737345572182788971?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5737345572182788971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5737345572182788971&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5737345572182788971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5737345572182788971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/08/texxxtinhos-ix-alana-cafeteira-trabalho.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7432493460739926277</id><published>2011-08-02T11:07:00.000-03:00</published><updated>2011-08-02T11:07:02.736-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>Andro</title><content type='html'>A cena se repete todos os dias. O putrefato cheiro de decadência já assola desde a esquina e é uma mistura de tabaco, desodorante barato, perfume de grife, cerveja e derivados destilados. Um cesto repleto de cuecas Zorba suadas e freadas interagindo e confabulando acerca do próximo peido. Ressaibos amarelados e engordurados nas virilhas cobertas por suas calças de brim. O hálito que ainda guarda, em suas paredes bucais, o uísque sorvido na última semana. Os pelos do corpo engordurados e entrelaçados, retendo o suor espesso que os colarinhos forçaram os poros a derramar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podiam seguir para casa, podiam. Ter mais tempo com a família, podiam. Mas a testosterona só cozinha quando o caldo da sopa é grosso, e, em bando, o êxito culinário é tão certo quanto o sonho deles em ter um carro conversível. Todos os dias. As mesmas caras. A mesma previsibilidade das conversas. A situação da chave do Cruzeiro na Libertadores. A confiabilidade da ignição eletrônica em motores AP. A experiência da locomoção através de veículos aquáticos. A instabilidade dos programas de financiamento de imóveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando a convenção de que homem gosta mesmo é de mulher, eles preferem a companhia dos mesmos, relegando suas esposas a meras donas de casa entediadas e submissas, as amélias ignoradas, trocadas diariamente por dois dedos de prosa androgênica, aquela que não se conversa com as temporariamente enviuvadas. Com a parceira, só se discute os meandros da economia doméstica e, eventualmente, abre-se espaço para uma noite de fornicação forçada, para evitar aquele papo de "você não liga mais pra mim". Chega junto, comparece e resolve o problema por um mês ou dois. Pura perda de tempo. Papo gostoso mesmo é papo de homem, afinal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7432493460739926277?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7432493460739926277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7432493460739926277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7432493460739926277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7432493460739926277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/08/andro.html' title='Andro'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1833485881571179277</id><published>2011-07-31T22:21:00.000-03:00</published><updated>2011-07-31T22:21:43.769-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deálogos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Deálogo IX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Do telemarketing&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, aqui é a Luana. Falo com o Gustavo?&lt;br /&gt;- Ele mesmo.&lt;br /&gt;- Em que posso ajuda-lo, sr. Gustavo?&lt;br /&gt;- Eu queria solicitar o reembolso de uma passagem que cancelei.&lt;br /&gt;- Certo. O sr. poderia estar me informando o número da reserva?&lt;br /&gt;- Reserva? Ah, um momento só... aqui. É P-N-I-3-U-V.&lt;br /&gt;- P de pato, N de navio, I de isqueiro, 3, U de urânio e V de vitória?&lt;br /&gt;- (suspiro) Isso mesmo, correto.&lt;br /&gt;- Um momento, sr.&lt;br /&gt;(...) &lt;br /&gt;- Sr., encontrei a sua reserva. Poderia estar me confirmando, por favor, seu nome completo e CPF?&lt;br /&gt;- Mas isso não já está na sua frente?&lt;br /&gt;- É por motivos de segurança, sr.&lt;br /&gt;- Mas quem mais teria meu número de reser... OK, é Gustavo Lima Carreiro. 23900110087.&lt;br /&gt;- An, sr., essa reserva não está em seu nome.&lt;br /&gt;- Como não? Ah... então está no nome da minha namorada, que cancelou a passagem.&lt;br /&gt;- Poderia me informar o nome dela, sr.?&lt;br /&gt;- Larissa Göebells.&lt;br /&gt;- Sr., mas no meu sistema consta que ela não é mais sua namorada.&lt;br /&gt;- O sistema o quê? Como assim?&lt;br /&gt;- Aqui diz que ela não namora mais com você, que vocês terminaram há 8 meses atrás. O sr. confirma a informação?&lt;br /&gt;- Mas que p... an, tá. Sim, sim... confirmo, sim.&lt;br /&gt;- E que o motivo teria sido uma traição da parte do sr. Também confirma isso?&lt;br /&gt;- Olha... mas que diabo de sistema é esse? Eu pensei que ele só tinha meu nome, CPF, data de nascimento e preferências de assento.&lt;br /&gt;- É um sistema novo, sr. O sr. poderia estar me confirmando, por favor?&lt;br /&gt;- Sim, sim... tá, houve uma traição. Mas eu já ia acabar mesmo.&lt;br /&gt;- Entendo, sr. E por que não acabou antes de trair?&lt;br /&gt;- O quê?! Olha... tá, tudo bem. Por que eu não queria fazer isso naquela hora, sabe? Eu queria acabar aos poucos, pra não machucar muito, digo... machucar tudo de uma vez. Mas veio essa outra menina e acabou que me apaixonei por ela muito rápido e... bom, podia ter omitido, deixado passar alguns dias para prepara-la, mas... eu não consigo mentir.&lt;br /&gt;- Entendo, sr. Mas você também já não namora mais essa outra menina, confirma?&lt;br /&gt;- Peraí, até onde eu sei, desde que cancelei essa passagem eu não atualizo meu cadastro. E mesmo se o fizesse, acho que não precisaria atualizar essa parte.&lt;br /&gt;- Sr., é o novo sistema, como lhe informei.&lt;br /&gt;- Ah, claro. O novo sistema... sim. Digo... não, não estou mais com ela também.&lt;br /&gt;- O sr. é volúvel, certo?&lt;br /&gt;- Creio que isso consta no novo sistema também.&lt;br /&gt;- Sim, sr.&lt;br /&gt;- Claro. Mas não, não sou. Sou perfeccionista, é outra coisa.&lt;br /&gt;- O perfeccionismo está em ser exigente?&lt;br /&gt;- A gente vai ficando cascudo à medida que o tempo passa, né...&lt;br /&gt;- Nunca pensou que o problema delas pode ser você?&lt;br /&gt;- Eu? Acho que não. Nunca dou trabalho.&lt;br /&gt;- Exigir que elas sejam algo impossível, uma idealização de conto de fadas, um simulacro de sua mente atordoada não dá um pouco de trabalho a elas?&lt;br /&gt;- Ainda é a Luana falando? Digo, a mesma que me atendeu?&lt;br /&gt;- Porque se o sr. pretende continuar procurando chifre de unicórnio em celeiro, creio que a melhor opção seria ficar só para sempre.&lt;br /&gt;- Luana, querida, entendo seu ponto de vista. Mas eu não vou desistir.&lt;br /&gt;- E quantas almas ainda pretende desencarnar?&lt;br /&gt;- Nenhuma.&lt;br /&gt;- Optou pela solteirice?&lt;br /&gt;- Não. Apenas encontrei o unicórnio. Sem o chifre, dessa vez.&lt;br /&gt;- Piadinha infame, sr.&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;- Vejo aqui no sistema que o perfil atual se encaixa em sua demanda.&lt;br /&gt;- Sim. Como um parafuso numa porca.&lt;br /&gt;- Sr., seu reembolso será efetuado num prazo de 5 dias úteis. Espero que aproveite, dessa vez.&lt;br /&gt;- É um reembolso merecido, talvez. Usarei com responsabilidade.&lt;br /&gt;- Mais alguma coisa, sr.?&lt;br /&gt;- Apenas isso.&lt;br /&gt;- Boa noite e obrigado, sr. E boa sorte.&lt;br /&gt;- Obrigado. Boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1833485881571179277?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1833485881571179277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1833485881571179277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1833485881571179277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1833485881571179277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/dealogo-ix-do-telemarketing-boa-noite.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3996928106815753095</id><published>2011-07-29T15:42:00.000-03:00</published><updated>2011-07-29T15:42:53.523-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Never thought I'd habit</title><content type='html'>João pensava, do topo de sua ociosidade: "qualquer vício se dissolve em 5 dias de abstinência. Cinco dias sem chocolate libertaram Laura, que trocou todo o cacau por ameixas e pêras. Perdeu 12kg em um mês e passou a almoçar decentemente. Claro que ficaram sequelas, como a diabetes e a pele flácida e celulitosa, mas nada que incomode sua alegria de estar mais magra, agora aos 166kg. Cinco dias sem cigarro limparam o sistema respiratório de Thiago, que já respira sem aparelhos, após a cirurgia para remoção de seu tumor. E, certamente, a imagem de seus pulmões parecendo uma alcatra apodrecida contribuíram para que livrasse seus dedos e roupas do cheiro de tabaco. Agora, o Marlboro Man causava-lhe calafrios bem maiores que o Pinhead, quando ele era criança. Sempre que topava com um desses acesos, as cinzas, vivas, abrasadas, do laranja de uma fornalha antiga, apontando-lhe olhos e boca raivosas, lhe provocavam uma sensação de constipação e uma neblina espessa e preta tomava conta de sua traqueia, causando uma falta de ar momentânea, um ar seco e quente que dificultava a respiração. Era psicológico, óbvio, mas o que não é? Cinco dias sem masturbação livraram Aldo de seu hábito onanista, e ele agora passou a pintar quadros. A redução de sua média diária de 8 mastubarções para nenhuma não só diminuiu os sintomas de sua artrite, como os calos cicatrizaram e já não ficam mais abertos, liberando pus para todos os lados, além de ter podido mudar da ala D, dos irrecuperáveis, para a ala B do hospital psiquiátrico, e hoje ele já é capaz de conviver socialmente com outros internos sem investir sexualmente contra eles. Lógico que as algemas colaboram com seu controle, mas aos poucos ele demonstra sinais de recuperação, já que não espuma mais pela boca".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu, eu não me curei. Cinco, dez, quinze dias não me livraram do vício dela. Continuo com um desempenho vergonhoso no trabalho, sendo amparado em segredo pelos meus companheiros, sob a promessa de um pagamento polpudo quando finalmente der um fim nessa situação. Preciso rever todas as suas fotos todo santo dia, uma por uma. E não é para esquecer seu rosto, como ela temia. É para me manter apaixonado, para ter seus olhos me fitando sempre, para que ela, na verdade, não esqueça de mim. As fotos, mesmo que não meçam ou respeitem nossa distância, de alguma forma, a traz para mais perto de mim. Tem também as mensagens de texto, que abarrotam a caixa de entrada dela todos os dias. Mas. Mas não tenho novas fotos. E seu número e endereço mudaram. E ela não me avisou. Nunca me avisou. Mas ainda vejo as fotos todos os dias. E envio as mensagens todos os dias, e não sei se se perdem no vácuo dos satélites ou se já há alguém se apossando de sua antiga caixa. Mas vai, segue. O vício continua, podia até ser curado. Vai ver o problema sou eu, mais que ele".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3996928106815753095?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3996928106815753095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3996928106815753095&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3996928106815753095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3996928106815753095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/never-thought-id-habit.html' title='Never thought I&apos;d habit'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8310215243061590139</id><published>2011-07-27T18:19:00.001-03:00</published><updated>2011-07-27T18:19:22.610-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>Não</title><content type='html'>Quando o inferno chegar, lembre-se e - por Deus - jure-me que vai tremer ao sentir frio. Jure que vai pedir arrego ao meu braço esquerdo, já que esse daqui só dorme do lado direito da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vai entender o silêncio quando ele se fizer presente e se instalar em sua casa, oblongo, sentado preguiçosamente em sofás e camas, ocupando o espaço das Palavras Desnecessárias, e não vai questionar sua mansuetude. Não machuca, não fere e nem interfere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometa o carinho natural, o que vem do berço, a nascente de nós dois, quando seus atos eram por impulso. Nunca o faça por agrado ou obrigação. Faça por mim. E por você, pelos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o sorriso fugir, quando a tristeza abrandar, não pense em se escafeder, não esqueça de me procurar. Eu aceito seus dentes, eu enxugo suas lágrimas, quero rir junto, divido suas lástimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando cansar disso tudo, do marasmo que é a repetição do mesmo rosto carimbado em frente ao seu ao longo de dias, meses e anos, não hesite em deixar para amanhã o alerta do viço perdido pelo caminho. Você machuca mais quando omite. E entenda que minha luz é fraca, pois já desiludi. E hoje tenho problemas para lidar com dosagens mais altas desse seu amor insolúvel. Daí, como confiar em homens que cortam árvores por luz elétrica?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8310215243061590139?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8310215243061590139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8310215243061590139&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8310215243061590139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8310215243061590139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/nao.html' title='Não'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4662743066810876743</id><published>2011-07-27T17:54:00.001-03:00</published><updated>2011-07-31T02:10:57.216-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deálogos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Deálogo VIII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Da&lt;/span&gt;s conversas horizontais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei.&lt;br /&gt;- Fala.&lt;br /&gt;Dois corpos olhando para o teto mal-iluminado. Na verdade, idealmente iluminado. Isto é, suficientemente iluminado para servir de palco para a dança das sombras que eles, marionetes, desenvolviam logo abaixo.&lt;br /&gt;- E se eu te sequestrar. Assim, pra sempre?&lt;br /&gt;- Ai... mas eu tenho mesmo que ir.&lt;br /&gt;- (suspiro)&lt;br /&gt;- (silêncio)&lt;br /&gt;- Mas você prometeu que não era um adeus, não foi?&lt;br /&gt;- E não é. Só uma pausa.&lt;br /&gt;- Posso deixar você ir, então.&lt;br /&gt;- Não, não pode. Não deixe.&lt;br /&gt;- Como, isso?&lt;br /&gt;- Me compra um motivo.&lt;br /&gt;- Nâo sou homem de grandes posses.&lt;br /&gt;- Não vai lhe custar.&lt;br /&gt;- Podemos envelhecer juntos?&lt;br /&gt;- Humm... soa interessante. Desenvolva.&lt;br /&gt;- Aprendermos juntos, a partir de hoje, tudo aquilo que importa e relevar o que não importa. Por à prova a maturidade que maturamos todos esses anos, sei lá, fazer com que tanta absorção tenha valido a pena de alguma forma.&lt;br /&gt;- E nós podemos. Não podemos?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Você está disposto? Será que valemos a pena?&lt;br /&gt;- Mais do que para nós, nada é preciso.&lt;br /&gt;- Eu quero.&lt;br /&gt;Ele toma a mão dela. Quente. Sudorese. Nervosismo ou genético? Ele agradecia o tempo que teria pra descobrir. Assim como o tempo para mapear a pele em busca de novos desenhos. Eram tantos, pequeninos, espalhados na pele sem cor.&lt;br /&gt;- Olha ali.&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;- No teto. Suas sardas.&lt;br /&gt;- São sombras.&lt;br /&gt;- São sardas. Em todas as paredes. Todos os cômodos. Você tá sujando minha casa com essas coisas.&lt;br /&gt;- Louco - e ria. Pausadamente, calmamente, tal qual falava, o que o confortava.&lt;br /&gt;- Culpa sua.&lt;br /&gt;O calor produzia névoa.&lt;br /&gt;- Lá em cima. Você.&lt;br /&gt;- Eu. E você.&lt;br /&gt;- Ambos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4662743066810876743?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4662743066810876743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4662743066810876743&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4662743066810876743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4662743066810876743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/dealogo-viii-da-s-conversas-horizontais.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7996500397967004312</id><published>2011-07-24T23:26:00.002-03:00</published><updated>2011-07-24T23:29:00.303-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Absolvere</title><content type='html'>Adentrou o confessionário e imediatamente o pesado odor de mofo e  madeira úmida dilatou suas narinas, que - em vão - tentavam empurrar de  volta à atmosfera aquela gosma em forma de éter que o fazia lembrar da  avó, falecida há 6 anos, quando ele ainda era um infante movido pela  energia inconsciente gerada pelas altas doses de glicose, que o faziam  ricochetear em espaços lacrados por quatro paredes, sendo assim  constantemente repreendido pela senhora de porte respeitoso e severo. A  casa da matriarca era datada do século XIX, construída por algum decavô  seu, e todo o seu piso e mobiliário, além das gigantescas e imponentes  portas, fora talhado em madeira maciça trazida de Portugal. Logo, por  mais que os desodorizadores cuspissem seus aromas artificiais de  lavanda, alfazema e jasmim por todos os cômodos, a madeira lhes fedia  ainda mais forte em resposta, com seu suor seco, uma crosta empalhada de  fungos. Uma madeira altamente sensível ao toque, uma rede interligada  de fibras que levavam qualquer som, estampido, passo mais duro da sala  até a varanda que dava para o os fundos do sítio. E isso o  impossibilitava de correr. Não que impossibilitasse, mas apenas deixava  sua vida mais dura diante da avó, que, ao menor sinal de correria e  lepidez, tratava de estampar seu rosto grave diante do garoto, que,  geralmente vindo da sala, deparava-se no corredor com a silhueta da  velha na contraluz, rosto erguido e olhando para baixo, sem dizer uma só  palavra, já que suas rugas - após décadas de austeridade -  acostumaram-se a mergulhar em movimentos descendentes, em direção ao  queixo, numa gravidade natural que ela não fazia o menor esforço para  evitar. E foi com essas rugas que ele se deparou ao atravessar seu olhar  pelo gradil madeirosamente rendado que o separava do padre plantonista.  Por entre as fendas formava-se um mosaico que, desfragmentado, dava  vida a uma expressão que não era muito diferente de sua ascendente e  logo o jacarandá do confessionário secular estendeu seus braços aéreos  na direção de suas calças curtas, subindo por suas costas,  provocando-lhe um arrepio que o fez tremelicar energicamente a cabeça. O  semblante rígido do outro lado da cortina de madeira manteve-se  imutável, deixando o silêncio propagar-se naquele ínfimo espaço como um  vento que sopra pela tubulação de um grande galpão. Seus olhos, na  abertura máxima, tentavam piscar, lubrificar-se de alguma forma, sem  sucesso. Engoliu em seco. Todos esses trejeitos fizeram com que o padre  se empertigasse em seu banco, tomando o domínio da situação, assumindo  um movimento de cheque, encuralando o rei contra a borda do tabuleiro.  Sem saída, restou ao rapaz iniciar a sessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Padre.&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;- Padre.&lt;br /&gt;Pôde  ver entre os furos sua expressão cínica, assentindo com a cabeça uma  espécie de "ora, prossiga", que ele prontamente absorveu.&lt;br /&gt;- Eu. Eu pequei.&lt;br /&gt;-  E quais pecados o trazem aqui, filho? - o padre era recém-chegado à  paróquia, não lembrava dele no catecismo. Nem ele, nem ele.&lt;br /&gt;- Eu. Eu ando falando muitos. Muitos palavrões.&lt;br /&gt;-  Palavrões são normais na sua idade, filho. Cabe-lhe apenas pedir  proteção ao Senhor para que Ele vos ajude a controlar seus impulsos. Mas  prossiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Pela manhã, brilho do orvalho refletindo o  laranja do sol que ainda nascia tímido e preguiçoso, construindo uma  manhã ainda escura, levantou-se e prostrou-se ao lado da cama da irmã,  mirando firmemente seus olhos fechados. Respirava sobre ela, numa  tentativa de despertar suave. Em pouco tempo, os olhos dela começaram a  fibrilar, anunciando sua despedida do reino dos sonhos. Sonhava com a  mãe a levando a um bosque, soltando sua mão e desaparecendo, no que ela  via-se perdida e começava a gritar por algum socorro, frio, escuro,  galhos projetando-se em sua direção, mesmo que fosse apenas uma  impressão, quando surge o vulto de um homem à sua frente e ela hesita,  para os gritos e vê-se acuada. O homem aproxima-se e ela começa a tocar  os próprios seios, automaticamente. Era uma moça de seus 20 anos, mas só  no sonho. Ele parava em frente a ela, bafo de álcool evaporando,  excitando-a, que o olhava de cima a baixo, seus braços peludos e fortes.  Sua mão escorregou pelo púbis, por cima do vestido. 'Sua puta', disse,  baixinho, quando ela despertou. 'Sua puta. Puta! Minha irmãzinha é uma  puta', e ela horrorizada com a cena, sentiu-se muda, ao lado do quarto  dos pais".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu. Eu andei batendo. Batendo em outras crianças.&lt;br /&gt;- Isso é uma coisa muito triste, meu filho. Por que você andou fazendo isso? Todas as crianças são suas irmãs.&lt;br /&gt;- Minhas irmãs são pessoas más, padre. São más, sim.&lt;br /&gt;- Nenhuma criança é má em plena consciência. As crianças são puras e não merecem ser agredidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Antes  que esboçasse alguma reação, teve sua cabeça coberta por um  travesseiro, para abafar os golpes e os gritos que ele começava a  desferir impiedosamente, enquanto fazia questão de lembrar-lhe 'puta!  Puta! Sua puta!'. Socava-a com força, pelos lados e sentia as lágrimas  escorrerem por ali, num corpo que mal se esforçava em reagir, retesado  pelo medo, preocupava-se apenas em retorcer-se para dentro, numa  tentativa de esquivar-se, enrolar-se como um embuá. As pancadas eram  secas e surdas. 'É do papai que você gosta, não é? Não é? Puta".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também. Matei uns animais. Animais pequenos, pequenos. Nada de mais.&lt;br /&gt;-  Por Deus, filho. Não se matam animais, eles são criaturas de Deus, não  nos fazem mal. O que está acontecendo com você. Eu deveria lhe enviar  para o acompanhamento de jovens da paróquia. Tem vindo à missa?&lt;br /&gt;- ... só pra ouvir o som que eles fazem quando morrem.&lt;br /&gt;- O quê, filho? Repita isso!&lt;br /&gt;- Eu tenho vindo, padre. Todos os domingos, com meus pais e minha irmã.&lt;br /&gt;- E o que você disse antes? Repita!&lt;br /&gt;- Nada, padre. Só falei que um dos animais tentou me machucar. Tive que matá-lo.&lt;br /&gt;- Que bicho era esse, rapazinho?&lt;br /&gt;- Era um cão. Mas um cãozinho pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Ela  parou de se mover na cama. Ele retirou o travesseiro de seu rosto.  Estava repleto de hematomas, fáceis de surgir em sua pele alva. Seus  olhos lhe apontavam aterrorizados, esbugalhados, tudo tremia, fosse pelo  medo, surpresa ou mera reação à dor. Ele bufava de raiva ao vê-la ainda  viva e tremia, fosse de raiva, de gana de morte ou mera insanidade.  Pegou novamente o travesseiro, olhou o rosto dela pela última vez,  incapaz de esboçar alguma reação, ainda recuperando-se do espancamento  de segundos atrás, e cobriu seu rosto, agora pressionando o artefato  contra suas vias respiratórias. Inicialmente, nenhum movimento. Em  poucos segundos, percebendo a falta que o ar lhe fazia naquele estreito  rarefeito, tentou tirar as mãos dele - muito mais fortes - do  travesseiro, sem sucesso. Os movimentos passaram a ficar mais bruscos e  logo ela se debatia contra a cama, mergulhada num fundo de mar escuro e  gélido, provavelmente alguma caverna habitada por peixes pré-históricos,  sem conseguir encontrar uma saída e sentindo que seu oxigênio  apresentava sinais de falha. Os pulmões, esperançosos, enviaram traqueia  acima a última bola de ar, a que talvez a salvasse - e eles, por tabela  - e desse algum jeito na bagunça que se encontravam seus órgãos. O ar  alcançou boca e nariz, não conseguiu comunicar-se com o exterior e  dissipou-se. O corpo foi desligado, os membros caíram pesados sobre o  colchão duro. Ele fungou. Fungou porque queria ignorar o peso da culpa  que o pressionava contra o chão. Fungou porque acreditava que havia  feito algo normal - não aceitável, mas normal - e queria parecer  profissional, como alguém que executa o próprio trabalho com perfeição e  age com algum desdém quando elogiado, a falsa humildade, regozijo por  dentro. Olhou ao redor do quarto amanhecido para certificar-se que era o  único ser vivo ali dentro".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu enterrei o cão, padre. Eu achei que seria certo.&lt;br /&gt;-  Isso não tira seu pecado, filho. Mas pelo menos mostra algum  arrependimento de sua parte, algum respeito com a dor que esse animal  sentiu. Mas não é certo. Não é certo. Não deve fazê-lo novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Arrastou seu corpo para perto do córrego, onde a terra era  mais macia. Cavou uma vala irregular e rasa. Olhava o defunto de sua  irmã com seus olhos perdidos. Chorava, mas não admitia. As lágrimas  escorriam copiosamente, mas contorcia o rosto numa expressão de raiva, a  boca fazendo bico para não escancarar o desalento. Cada tentativa de  engolir o choro queimava sua garganta. Não suportou a pressão que lhe  tomava por dentro, duzentas cabeças de gado investindo contra a represa  que se formava em sua boca. Soltou tudo de uma vez num gemido doloroso,  pela falta de ar que estava empregando em si mesmo. Agora chorava com  força, sem correias. Perdeu a força nas pernas e desabou na terra, ao  lado dela. Tomou seu rosto nas mãos, seu rosto arroxeado e sem sangue,  seus olhos vazios, aproximou-se apertando os olhos para desaguar a  lacrimília acumulada, deixando escapar um gemido fino e agudo. Beijou  seus lábios com a volúpia dos vivos, tentando penetrar sua boca com a  língua, e passou a balançá-la, tentando acordar o ser inanimado em seus  braços. Sem reação. Esbofeteou seu rosto novamente, gritando para que  acordasse, sem nem atinar aos vizinhos ou passantes. Decepcionado, bateu  com o punho fechado em seu peito, inconscientemente. Parou, realizou o  perigo de estar ali, naquela situação. Enxugou os olhos rapidamente e  tratou de dar vazão ao enterro. Era óbvio que descobririam o corpo em  breve. Mas ele já estaria longe, certamente. Cobriu-a inteira com terra,  mas era gritante o volume côncavo que se formava naquela região. Tratou  de voltar correndo para casa a fim de juntar suas coisas".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais algum pecado a confessar, filho?&lt;br /&gt;- Não, padre. Só isso. Só.&lt;br /&gt;-  Vá até o altar e reze 3 ave-marias, pedindo perdão. E depois fale com a  madre superior para marcar seu acompanhamento. Para que nada disso se  repita.&lt;br /&gt;- Sim, senhor.&lt;br /&gt;- Pode ir, filho.&lt;br /&gt;- Padre.&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Ciúme é pecado? Sentir ciúme?&lt;br /&gt;-  Não, filho. Ter ciúmes é gostar de alguém, preocupar-se com alguém.  Claro que isso pode atingir níveis doentios, mas não é pecado enquanto  saudável. Você anda sentindo ciúmes de alguém?&lt;br /&gt;- Não. Não. Não mais. Adeus, padre. Obrigado pelo perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7996500397967004312?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7996500397967004312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7996500397967004312&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7996500397967004312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7996500397967004312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/absolvere.html' title='Absolvere'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1312347237293782504</id><published>2011-07-22T23:38:00.001-03:00</published><updated>2011-07-24T01:54:14.084-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><title type='text'>Versinhos de bonança</title><content type='html'>Meu futebol&lt;br /&gt;O sempre torto&lt;br /&gt;Virou do avesso&lt;br /&gt;Ficou maroto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu riso leve&lt;br /&gt;Quiçá tão raro&lt;br /&gt;Ficou mui fácil &lt;br /&gt;Um escancaro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o coração&lt;br /&gt;Sentiu fastio&lt;br /&gt;Já é petardo&lt;br /&gt;Bala infantil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente voa&lt;br /&gt;Me leva longe&lt;br /&gt;Materializa&lt;br /&gt;Seu tom orange&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é sua&lt;br /&gt;É toda sua&lt;br /&gt;Somente sua&lt;br /&gt;És minha é sua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1312347237293782504?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1312347237293782504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1312347237293782504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1312347237293782504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1312347237293782504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/versinhos-de-bonanca.html' title='Versinhos de bonança'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5233157137868194806</id><published>2011-07-21T13:36:00.001-03:00</published><updated>2011-07-21T15:24:28.915-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TeXXXtinhos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;TeXXXtinhos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Janine&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janine era um doce de mulher. Bonita, atenciosa, fiel. Os homens passavam em sua vida como erupções. Quase sempre catastróficos, transformando em pó suas fortalezas, ilhas e muralhas. Mas ela insistia. Era tola e ingênua, e insistia. Sofria horrores, humilhada, enganada, ludibriada. Mas insistia. Porque acreditava, pelo bom Deus, como pode não haver um homem que reconheça meu valor?, como pode? O último a trocou por uma puta alegando que precisava de mais ardor. Ela, boa de cama, não entendia. Ele, sem graça, disse "mas você é minha namorada. Como poderia lhe chamar de todas as coisas horríveis que chamo a minha puta-mulher na cama? Você não merece, é moça decente". Dias depois, Janine era mais uma maria-calçada, meia arrastão, batom vermelho, cabelos soltos. Ele se apaixonou. Ela o desdenhou. Ele ofereceu aliança, filhos e uma casinha no bairro. "Isso é de graça. Agora sou moeda".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5233157137868194806?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5233157137868194806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5233157137868194806&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5233157137868194806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5233157137868194806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/texxxtinhos-viii-janine-janine-era-um.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6609290878160907303</id><published>2011-07-19T23:16:00.000-03:00</published><updated>2011-07-19T23:16:38.266-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Euviavialáctea</title><content type='html'>- Oi. Ei. Aan... tudo bom?&lt;br /&gt;- Oi. Tudo bom. Tudo bom?&lt;br /&gt;- Tudo, tudo. Eer... você tem... namorada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era a mulher mais linda sobre quem ele havia pousado os olhos. E percebeu isso no primeiro instante que a viu. E a percebeu no primeiro instante que se fez presente naquele bunker onde tanto gostava de ensaiar seus passinhos de dança ridículos. Ou seja, sua noite acabara ali, no momento em que começava. Não acabar, de acabar mesmo, encerrar, finalizar, por um ponto final, cruzar os talheres, nada disso. Isso seria o começo. Era só o fim dos bowies, erasures, depeches e technotronics. Não, não. Eles continuaram tocando, sim. Mas ele isolava o ambiente, sim. Porque não era dessas belezas que você apenas acha bonita. Era uma beleza mais longa, que esticava o interesse do sujeito muito além de sua capacidade de tensão. E criava uma conexão que não permitia que ele realizasse movimentos anti-paralelos. Não importa para que lado ela se deslocasse, ele sempre estaria a 180º da linha do seu nariz. Um belo nariz por sinal. Bem desenhado, simétrico e com uma particularidade: sua ponta era levemente achatada. Mas tão levemente que fugia da observação a olho nu. Era preciso tocar-lhe, esfregar-lhe, beijar-lhe para sentir a superfície plana, o campo de pouso de lábios. Mas, voltando. Ele, que já havia tomado algumas antes de entrar, sentiu toda a fúria de sua empolgação evanescer antes mesmo que o suor começasse a brotar de seus poros naturalmente dilatados. A fúria, a fúria - estampada no vermelho que tingia sua camisa - a fúria, a bonança, a bonança - refletindo castanhosamente seus cabelos, seu sorriso leve e tímido em sua direção - a bonança, sua ventura, enfim. Parece-me que essas paixões eruptivas, ao lançar sua lava na atmosfera, derretem o tempo, derretem os seres, derrete o próprio ar, que, aquecido, transforma-se num magma pesado e escorrido, denso e tenro, e agora os cobria como uma calda doce. Após uma hora inteira dessa troca furtiva de admirações, fossem elas estéticas ou algo mais aprofundado - prognósticos zodiacais, diagnósticos intelectuais ou meras impressões pessoais - fez-se o contato. Breve contato, entrecortado por uma ou duas Annie Lennox, que martelava seus sweet dreams acima de suas cabeças. Tamanha a reciprocidade que se deu ou a certeza que os acolheu, eles podiam abdicar de algumas etapas, sob a condição de que eram as pessoas certas para a ocasião e para o momento particular de ambos. Então, atiraram antes para perguntar depois o que obviamente já sabiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"O melhor beijo é aquele que demora demais para ser. É o que encosta as testas, força seus olhos para cima para encontrar os dela, cenho involuntariamente franzido, que troca lufadas de ar, para que ambos comecem a se acostumar com seus cheiros, o que percorre toda a extensão dos lábios alheios, de ponta a ponta, cima a baixo. É o que passa minutos, quase horas, evoluindo, como faria qualquer espécie viva - e o beijo é uma entidade viva, sim - para, enfim, desaguar em pequenas pontadas ainda medrosas, pisando em ovos, sentindo o território alheio, como o gato que ronrona em desconfiança, bicando o alvo de sua curiosidade com a cautela de quem roça com os dedos a superfície de uma arataca.&amp;nbsp; Nunca é repentino, ele se prefere crescente, nutrindo as casquinhas ressequidas com doses homeopáticas das salivas, umedecendo, aliviando o clima adverso, até que o leve toque toque das línguas desencadeia um processo de descoberta, 'enfim, te encontrei'. E elas passam a se estudar. Tocam-se como as mãos que, simultaneamente, lá embaixo, se descobrem ergonomicamente compatíveis. Mãos co-pilotas que, de toque leve, exploram queixo, maçãs, orelhas e nuca, mapeando os pontos sensíveis para posterior estudo, esse um tanto mais aprofundado. Aos poucos, o ar entre os dois corpos vai rareando, formando um abraço hermético, um corpo só sugador de um corpo só. O aperto. Os sons ofegantes lançando a lascívia para os lados, apertando tudo o que lhes aparecer pela frente, o desejo de uma cama naquele instante para que pudessem emparelhar, peito com peito, desnudos, poros com poros. Mas, não. Ainda não. Vai, afasta o rosto dela e penetra seus olhos negros e perscrustadores. Demore-se, acredite, trace o resto da sua vida a partir dessa linha tangente que lhes atravessa. Repita o passo um".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, renderam-se à cortina de fumaça mentolada que os envolvia numa neblina rala e defumada. Os dedos roçavam os filtros e imploravam pelo rosto à sua frente para acariciar. A conversa ao redor era divertida, mas nem tanto. Seus olhos por pouco não tiveram cãibras, tão grande era aquela tensão que os mantinham alinhados durante toda a noite. Nessa hora é que se descobre uma das dúvidas que ainda assola a humanidade: de onde vem o tesão? Certo que não é corpo, por mais que seja. Mas o tesão tem um fundo intelectual que vai além de medidas, volumes e circunferências. O certo, certo mesmo, é que é endógeno. Ali, luz branca incidindo no fresco sereno da madrugada, o castanho revelou o vermelho alaranjado. O branco no branco quase borrava suas bordas, de tão branca, evidenciando milhares de sardas, que eclodiam em seu colo, ali em forma de abóboda celeste em negativo, atordoando-o com o volume das informações que chegavam via satélite. Todas as constelações estavam lá e ele, apesar de péssimo astrônomo, esforçava-se para identificar uma por uma, boquiaberto. Ela, nada ingênua, abriu a blusa que vestia por cima e apresentou-lhe o restante de sua galáxia. Ele, desesperado, tentava conservadoramente cobrir aquele manto alvo, protege-lo dos olhares alienígenas curiosos que os circundavam naquele cercado, e tentava tapar aquela imensidão espacial com os braços, e ela ria do seu desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa seguia natural, como sempre devia ser. Tudo fluía, seguia um ritmo seguro e de passos firmes, que ocorre sempre que se anda lado a lado no mesmo passo. Um exemplo vivo daquela lenda do amor à primeira vista, documentado somente em textos bíblicos e medievais, tirando, assim, toda a sua credibilidade secular. Estava ali. Não foi documentado, não havia quem o fizesse. E não havia quem estivesse preocupado com isso além deles. E eles eram o suficiente. Era só o começo. Do fim, enfim. Mas não o fim. Era o fim dos créditos de cinema, que manda as pessoas pra casa, censurando o filme que por trás continua rodando, só que com atores que esqueceram de deixar os personagens. E sempre fica alguém na sala até o fim dos créditos, na esperança de ter alguma surpresa que os outros perderiam, fosse pela impaciência, fosse pela ignorância ou pelo tíquete do estacionamento, que não parava seu taxímetro. Mas ele, não. Ele sempre ficava. Quase sempre quebrava a cara. Mas agora, não. Agora, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa... como?&lt;br /&gt;- Namorada. Você tem?&lt;br /&gt;- Ah... tenho. Tenho?&lt;br /&gt;- Aan... tem ou não tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para a fila. Ela lhe sorriu uma rajada de ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho. Tenho, sim. É aquela, na fila, com o colo de estrelas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6609290878160907303?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6609290878160907303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6609290878160907303&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6609290878160907303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6609290878160907303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/euviavialactea.html' title='Euviavialáctea'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7315479278350333636</id><published>2011-07-12T22:06:00.000-03:00</published><updated>2011-07-12T22:06:09.701-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><title type='text'>Eu, buraco negro</title><content type='html'>Os astros sempre giram fora da minha órbita&lt;br /&gt;Estão sempre alinhados , mas fora de órbita&lt;br /&gt;Alinhados, sempre&lt;br /&gt;Mas eu, buraco negro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7315479278350333636?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7315479278350333636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7315479278350333636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7315479278350333636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7315479278350333636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/eu-buraco-negro.html' title='Eu, buraco negro'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2526889504087457706</id><published>2011-07-08T17:30:00.003-03:00</published><updated>2011-07-09T08:27:01.768-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Breathe</title><content type='html'>Ele recosta na poltrona, são horas madrugada adentro, lá fora uns poucos carros ainda chiam no asfalto, vindo e indo conforme as necessidades. Uma suave luz, confortavelmente laranja, brandamente baixa, chega serpenteando pelo corredor, vindo de um dos quartos. Desse mesmo quarto, a música, a voz feminina, cálida e acalmante, soa distante, tão distante que ambos já nem pensam nela como para eles, aquela sensação egoísta de que o bar não era além deles três e o garçom. Era impessoal e eles ouviam como se roubassem parte das ondas sonoras da frequência do destinatário real, que, no fim das contas, eram eles mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já relaxara. Ela percebia. Suas mãos pequeninas, quentes e suadas tocaram-lhe os ombros. O aroma de menta era um brinde de seus cigarros. E parecia que os dedos esfumaçados deslizavam melhor sobre a pele. Tamanha era a distância da música e dos carros que ele ouvia nitidamente sua respiração, mesmo sendo ela fraca e pouco pulsante. E junto com o sopro, vinha o cheiro, que era bom. Ela massageava sem força, apenas deixava os dedos irem e virem, passeando pelos seus pontos mais sensíveis, um carinho que, fervendo suas fibras, amolecia seus músculos mais eficientemente que as massagens vigorosas das profissionais de aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi à cozinha e voltou com a água quente, onde molhou um fino pano e espalhava o tecido por suas costas. A fim de catalisar a sensação de conforto, encostou seu colo, seus seios em sua pele, e o sorriso em seu rosto até tentou, mas não conseguiu se conter. Era indescritível e, até para o que vos escreve, que humildemente busca toda a sorte de palavras para diagnosticar o que se passa por dentro e fora do corpo, encontrar os superlativos para esse processo tornaria toda a descrição um tanto infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não satisfeita com aquela tortura branca, ela aproximou a cabeça de seu pescoço, deixando não só que o cheiro e o som, mas também o ar enveludasse sua pele, e isso lhe era confortável, eriçante. Quando seus lábios entraram em ação, ora, a situação tornou-se insustentável. Preferiu ele tomar-lhe os braços, puxando seu corpo contra si, sussurrou algo em seu ouvido que me escapou, e aquele cômodo foi novamente esvaziado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 minutos. Foi o tempo durante o qual sustentou sua sanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2526889504087457706?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2526889504087457706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2526889504087457706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2526889504087457706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2526889504087457706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/breathe.html' title='Breathe'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6561696741367015340</id><published>2011-07-06T14:35:00.004-03:00</published><updated>2011-07-06T20:50:37.905-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>Houston</title><content type='html'>Idle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dimensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Over.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6561696741367015340?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6561696741367015340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6561696741367015340&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6561696741367015340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6561696741367015340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/houston.html' title='Houston'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5839608065027271628</id><published>2011-07-05T21:43:00.000-03:00</published><updated>2011-07-05T21:43:38.206-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>La rabia de muerte</title><content type='html'>A morte: a mais democrática instituição que se tem notícia. A mais íntegra, a mais transparente, a mais justa. Você, por exemplo, não morre mais do que eu. E eu, saudável pra caralho, morro tanto quanto você, que me mata tanto quanto eu mato os outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5839608065027271628?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5839608065027271628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5839608065027271628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5839608065027271628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5839608065027271628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/la-rabia-de-muerte.html' title='La rabia de muerte'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8853690954596325183</id><published>2011-07-05T19:25:00.001-03:00</published><updated>2011-07-10T23:20:00.378-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Mais ou menos assim que acontece</title><content type='html'>Antes de sair de casa, verificou todas as tomadas, desligando uma por uma, deixando apenas a da geladeira, como a mãe recomendou. Desligou o registro do gás, para que a casa não se explodisse enquanto estivesse fora. Olhou se as janelas estavam bem fechadas, pois elas costumam se abrir quando bate um vento mais forte, em tempos de chuva. E ele já perdeu, nessa brincadeirinha, uma televisão e duas obras de Velázquez. Devido à sua autenticidade, apenas a televisão foi um prejuízo real. Feito isso, pôs a mochila nas costas e pegou a bolsa de viagem com a mão direita, mas quando foi recolher o buquê de gérberas, achou melhor passar a bolsa para a mão esquerda, menos treinada para carregamentos delicados, tomou o buquê,fechou a porta atrás de si e seguiu para o elevador. Antes que este chegasse, olhou de soslaio para a porta, tentando lembrar se havia fechado. Teve certeza. Entrou no elevador e quando este começou a sua descida, perdeu a certeza. Parou no 5º andar, apertou o 8 e subiu as escadas. A porta estava, de fato, sem a tetra-chave. Passou-a e voltou para esperar o elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhava em direção ao ponto de táxi, sentindo o calor pelo peito e costas, pressionados pela mochila e reclamando do peso no braço esquerdo. Certamente ela gostaria das gérberas, pensava. Ele não lembra do termo "gérbera" mencionado em alguma conversa, mas ele sentia que ela gostaria, combinava com sua tez clara e seus cabelos cor de cobre. Mas já não lembrava ao menos se ela gostava de flores. Mas qual mulher não gosta de flores?, concluiu, apesar de interrogativamente. Estava se sentindo acima do nível de sensibilidade masculina. Não podia estar errado, a não ser que ela fosse alérgica. Nesse caso, até arranjaria problemas com a família dela, que provavelmente se sentiriam ofendidos, e aí ele não seria mais tão sensível assim. Mas consideremos - cabeça-dura - que ela não seja e pronto. Não era justo descobrir isso assim, tão cedo. Estavam juntos há apenas duas semanas e tinham coisas mais importantes para conversar, além de preferências florais. Ele mesmo detestava essas pétalas que sujavam toda a casa e o perfume enjoativo que transpiravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foram duas semanas onde se descobriram como um par perfeito. Não que gostassem das mesmas coisas, e eles, de fato, divergiam bastante nesse aspecto. Não de uma forma brutal, mas o suficiente para evitarem tocar em certos assuntos, como música, livros e filmes. Isso também não era importante. Eles concordavam sobre a vida. Ela, pacata, de fala agradável, uma voz anestesiante que o fazia suspirar imperceptivelmente. Até porque ela podia acha-lo um retardado, caso notasse. Era ela, ele sabia. Ambos já tinham idade suficiente para estar cansados de toda a vida bandida pregressa. E vejam só as coisas. Ele, ateu convicto, até já vislumbrava flashes do casamento na igreja com ela, católica beata. E ria, meneando a cabeça, tamanho o absurdo que seria isso há poucos anos atrás. Mas ele aceitaria isso, por ela. Mais pela família dela, é verdade, já que, sem casamento, eles não liberariam a filha para um herege.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava em frente ao conjunto de prédios da rua acima da sua. Ouvia duas vozes gritando violentamente na janela do 1º andar, mas daqueles primeiros andares que são, na verdade, térreos morais. Era um casal, percebeu. O sujeito a engolia com a voz. Ela, agudamente, tentava rechaçar a agressividade do outro. Ele, caminhando na calçada, ria de como as pessoas tem dificuldade para manter um relacionamento. Sempre foi tão fácil para ele. Mas antes que pudesse retomar as ideias sobre ela, que estava no interior, lá longe, um estampido o ensurdeceu, mas não a tempo suficiente para que ele percebesse isso, pois a bala que gerou toda essa cacofonia rapidamente se alojou em sua orelha direita. Logo, todo o sangue foi espirrado justamente no buquê de flores. Ela ainda recebeu o mimo, pois havia seu nome nele e uma leve investigação levou a polícia até a moça, que, apesar de atônita com o ocorrido, era uma grande apreciadora de gérberas. Se ele tivesse essa certeza, inseguro que era, não tomaria aquele caminho para voltar à floricultura e trocar o buquê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8853690954596325183?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8853690954596325183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8853690954596325183&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8853690954596325183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8853690954596325183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/mais-ou-menos-assim-que-acontece.html' title='Mais ou menos assim que acontece'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7364048994257475476</id><published>2011-07-04T09:52:00.000-03:00</published><updated>2011-07-04T09:52:05.366-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><title type='text'>Disgustipated</title><content type='html'>Eu, folha branca. Até o dia em que toquei o solo pela primeira vez, e terra virou minha cor. E por tantos solos caminhei, até o vil cruzar meu caminho, enegrecer meus dias e afogar-me até a inconsciência. Ali, azul virou minha cor. Recobrado, após ressequido o lago pelo sol, amarelo passou a me colorir. Passado o deserto, atravessado todo aquele infinito de secura, eis o aconchego úmido de um bosque, provocando a fotossíntese que me fez verde. E por verde me entendi e me criei na robustez serena de um touro que cresce sem perceber. Revigorado, ledo prévio engano, toquei o solo pela primeira vez. E vermelho, definitivamente, virou minha cor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7364048994257475476?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7364048994257475476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7364048994257475476&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7364048994257475476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7364048994257475476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/07/disgustipated.html' title='Disgustipated'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1647461026217206799</id><published>2011-06-29T23:30:00.000-03:00</published><updated>2011-06-29T23:30:19.234-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Eu quero um</title><content type='html'>Acordei e vi que estava com defeito. Vazava. Daí, pensei: "caralho, vou ter que comprar outro". Mas. Outro o quê? "Preciso de um novo". Merda. "Esse" - fugiu - "tá vazando". Mas como eu sabia que precisava de outro se nem saber do que eu precisava eu sabia? A ansiedade tomou conta e já me via tremendo diante do. Defeituoso, para ver se lembrava do nome do maldito. Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a cara, a coragem, o branco, a dúvida e a estupidez, fui até a loja na feira. O vendedor certamente saberia do que se tratava. Chegando lá, tentei manter a calma no seu lugar, na parte frontal do cerébro, na camada mais próxima à testa, para evitar a sudorese excessiva que denunciaria minha insanidade momentânea. Como qualquer ser humano dotado de alguma ose, ite ou ismo, fui quase que imediatamente reconhecido como cliente-problema. Apenas por ter ficado diante do vendedor durante 75 segundos sem dizer uma só palavra, apenas retorcendo os lábios, buscando algum sopro literal de ar que emanasse do meu duto vocal. As sobrancelhas ondulavam como uma ola no estádio lotado, indo e voltando. O vendedor tentava me decifrar como diante de um tabuleiro num cheque eminente. Era uma disputa acirrada naquela balcão, em plena manhã de sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um certo atraso, as palavras começaram a ser lançadas por minhas cordas, porém ainda um pouco desordenadas e incompletas. "Eu...". Só um arranque, mas que já atordoou o vendedor, que deu um pequeno salto para trás, arregalando os olhos. "Eu quero um...", saía numa toada só, veloz e seco, sem respirar, euquerum. Ele, o pobre vendedor, parecia estar despertando dentro de si um certo interesse pelo que eu viria a pedir. Parecia uma coisa grande. Ferragens pesadas, um sistema de alarme caseiro, aquela motoserra importada da Alemanha que fatiava madeira como uma Ginsu no salmão. Ou também podia ser algo socialmente repreensível, em termos ocidentais-cristãos-heterossexuais. Mas essas invencionices tentacionais do coisa-ruim não se vendiam ali. E ai de quem ousasse pedir, logo pra ele, seu Geraldo, membro da Igreja Pentecostal do bairro, trabalhador incansável, pai de família respeitável dentro da comunidade, um cânone dos bons costumes e da austeridade. Mas eu lembrava, não era nada disso que eu queria. Eu sabia o que queria, mas não sabia como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas minhas parcas tentativas de articular uma frase composta pelo sujeito eu, o verbo quero e o objeto direto desconhecido, Geraldo agora tentava compreender minha dificuldade, agindo como se diante de um retardado com baixa capacidade de comunicação. Arregalava seus olhos velhos, fazendo um um O com os lábios e balançando suavemente a cabeça em todas as direções, como um pai mongolizado diante do seu rebento semi-recém-nascido que tenta emitir seus primeiros sons. Tudo isso com um vaso Ming nas mãos, tudo muito cauteloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após perceber que meus períodos eram incompletos e sabendo ele não se tratar - eu - de um ícone da poesia concreta ou do débil mental que ele imaginara, passou a semicerrar os olhos em estranheza, pois viu que eu, de fato, estava com algum problema. E eu, de fato, estava. O básico problema de estar dentro da porra da loja, com os dois cotovelos apoiados na porra do balcão, diante de uma porra de um vendedor todo ouvidos que esperava apenas por um elemento para que aquela análise sintática fizesse algum sentido e não saber a porra da coisa que eu queria. Melhor. Pior, o nome da tal coisa. A porra do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pânico. Olhava ele nos olhos, e aqueles olhos fundos e perscrustadores me incineravam a testa, que mandou a calma pra merda e passou a gotejar largamente. Pânico, pânico, pânico. Olhava por trás dele, tentando encontrar a merda do. Mas quanto mais eu procurava, mais eu encarava Geraldo, mais o suor pingava em minha camisa, mais clientes chegavam e me olhavam com espanto, e eu espantava pra eles, que paravam de falar alto e cochichavam entre si, queriam fazer seus pedidos, e o Geraldo sabia disso, pois tentava apaziguar a situação pedindo para que esperassem, e ele bem podia atende-los na minha frente, eu não faria questão nenhuma, pois isso até liberaria o fluxo e os cochichos a meu respeito cessariam e Geraldo não precisaria ficar nervoso como estava agora, quase perdendo a paciência, tentando administrar sua clientela, que também começava a ficar impaciente, e essa coisa de todo mundo impaciente em tão claustrofóbico espaço - e eu acabara de desenvolver uma claustrofobia naquele instante - só fudia tudo, pois nem eu me concentrava em achar o nome do. E de qualquer forma, eu não encontraria mesmo, mas essa pressão toda não me deixava nem mais olhar direito por trás de Geraldo, tentando localizar o. Isso porque o suor começava a escorrer pelos olhos, causando aquela sensação salgada de colírio, e eu os esfregava, deixando-os vermelhos e irritados, como o Geraldo, que começava a se exaltar diante da insistência pelo seu atendimento pelos clientes cochichantes, tudo uma merda só, mas eis que "TORNEIRA, PORRA!".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1647461026217206799?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1647461026217206799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1647461026217206799&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1647461026217206799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1647461026217206799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/06/eu-quero-um.html' title='Eu quero um'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7388037634581436208</id><published>2011-06-25T23:56:00.000-03:00</published><updated>2011-06-25T23:56:46.617-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Oh my ribs</title><content type='html'>Eu mexi no meu aquário hoje de manhã. Mas só o fiz porque a viscosidade do lodo passou do tátil para o olfativo, e eu já não podia mais ficar indiferente à putrefação em escamosas camadas úmidas de verde. Verde-lodo, óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dias, semanas, meses, as minhas leituras e audições estiveram intactas. Principalmente após eu eu ter mandado Eu desligar o que havia de externo ao meu perímetro, sala de dois ambientes com privada no canto. A vizinha velha que tossia forte. O filho velho que falava alto e afetadamente. O doente mental que gritava em espasmos em horários aleatórios. A louca do sexo cavalar. Os gritos de torcida. Tudo, tudo pulverizado, esmigalhado às cinzas. Só não pude dar um fim no vento. Este ainda sopra, e parece que mais forte, já que tem todo um caminho livre a percorrer entre as ruínas do que era uma vizinhança. Nem meu teto escapou, porém a chuva nem se atreve a dar as caras. Insolação, sim. Mas minha pele começava a se acostumar à vermelhidão, e o cérebro, às mensagens de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma poltrona branca. E, pela primeira vez numa vida, eu me sinto concentrado, focado em algo. Porque eliminei o restante. Não há um motivo, senão ou porém para tirar meus olhos para além das folhas. E assim eu leio tudo o que escrevo de três a quatro vezes por dia, ao passo que eu escrevo tudo o que eu leio no restante do tempo, considerando que, com a mudança, óbvio que não há mais tempo para dormir, e essas três ou quatro vezes que leio tudo o que escrevo aumenta em torno de 4 horas por dia, o que, hoje, me dá um dia de aproximadamente 131 horas, mas só hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia do aquário, amanhã. Quando eu o limpar, parece-me que o tempo volta a contar o tic-tac habitual. E eu terei minhas 24 horas de volta, relutantemente. Não havia mais peixes. Eles passaram a se alimentar do lodo, bobos, já que o lodo já se alimentava deles. Passei o indicador direito pelo vidro e recolhi uma bela de uma amostra daquele catarro frágil. Pulsava molhado na ponta do meu dedo. Há tempos o lodo deixara de ser. E passara a ser. E, olhando para trás, para minha poltrona, vi que o encosto já estava tomado pelo lodo também. E minhas costas eram hoje metade do que foram um dia, tão suntuosas, orgulho da minha força. O lodo carcomia. Meu troncos-pés. A prefeitura não corta as raízes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7388037634581436208?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7388037634581436208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7388037634581436208&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7388037634581436208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7388037634581436208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/06/oh-my-ribs.html' title='Oh my ribs'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3011290160948623519</id><published>2011-06-14T18:52:00.000-03:00</published><updated>2011-06-14T18:52:19.366-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><title type='text'>Serei, serei letal</title><content type='html'>Em tempos de seca&lt;br /&gt;Na era do politicamente correto&lt;br /&gt;Eu hei de cobrir&lt;br /&gt;Tuas fotos com concreto&lt;br /&gt;Seco, seco, seco&lt;br /&gt;Não há palavra&lt;br /&gt;Não há força&lt;br /&gt;Merda nenhuma&lt;br /&gt;Que me comova&lt;br /&gt;Nem o belo afago&lt;br /&gt;Nutrido, bem-servido&lt;br /&gt;De qualquer moça&lt;br /&gt;E nesses tempos de areia&lt;br /&gt;Não é um inequívoco não chorar&lt;br /&gt;Pois eu não verterei&lt;br /&gt;Nem por ti, nem por ninguém&lt;br /&gt;Lágrima alguma deste olhar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3011290160948623519?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3011290160948623519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3011290160948623519&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3011290160948623519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3011290160948623519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/06/serei-serei-letal.html' title='Serei, serei letal'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5909713262772965119</id><published>2011-05-30T20:34:00.001-03:00</published><updated>2011-05-30T22:12:35.071-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>Ceci n'est pas une pomme</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OVGik3-8SNg/TeQoPS1bxMI/AAAAAAAAAWg/jPgr_GF9TIA/s1600/shoe-box+c%25C3%25B3pia.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="http://3.bp.blogspot.com/-OVGik3-8SNg/TeQoPS1bxMI/AAAAAAAAAWg/jPgr_GF9TIA/s320/shoe-box+c%25C3%25B3pia.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo o que nos cerca - o intangível, o nevoento, o compartilhado, o confiável, o sonhado e o sentido - transforma-se numa caixa de sapato, você percebe que esse todo era apenas uma pilha de afirmações, desejos e conveniências industrializadas. Só uma imagem distorcida, retorcida, de uma realidade de cartaz de cinema. E, puxando o conceito de representação de Magritte e adicionando-lhe mais um nível, um coração n'est pas un amour. Já uma caixa de sapato é só uma caixa de sapato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5909713262772965119?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5909713262772965119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5909713262772965119&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5909713262772965119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5909713262772965119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/ceci-nest-pas-un-pomme.html' title='Ceci n&apos;est pas une pomme'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-OVGik3-8SNg/TeQoPS1bxMI/AAAAAAAAAWg/jPgr_GF9TIA/s72-c/shoe-box+c%25C3%25B3pia.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8168643335325552230</id><published>2011-05-26T12:06:00.001-03:00</published><updated>2011-05-26T12:18:18.199-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Queimando Filme'/><title type='text'>Apocalypse Now x Full Metal Jacket x Platoon</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-a5wZBy-CPTw/Td5sEmnSqoI/AAAAAAAAAWc/ikL8ahotZRs/s1600/filmes.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-a5wZBy-CPTw/Td5sEmnSqoI/AAAAAAAAAWc/ikL8ahotZRs/s400/filmes.png" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A Guerra do Vietnã, por sua violência, sua duração, sua dispensabilidade e suas consequências, foi um tema bastante explorado no cinema, fosse com filmes in loco ou com os que faziam menção a ele, como Forrest Gump e Nascido Em Quatro De Julho. Mas a ideia é ater-se aos que retratam a guerra direto dos campos de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos três, certamente o mais bobinho, raso e - consequentemente -&amp;nbsp; acessível é Platoon, de Oliver Stone, o que, por si só, já é um bom motivo para não dar muita credibilidade ao Oscar (ele levou 4 estatuetas em 1987, incluindo melhor filme). E ele só foi incluído na comparação por ter em comum com Full Metal Jacket o realismo ao retratar o evento. Mas, sendo bem justo, é um filme comparável a um conto de fadas, preferindo trilhar o caminho da dualidade do the good/the evil, quando, no Vietnã, o que realmente valia era o certo/conveniente. Logo, como numa novela, o platoon aparece dividido em dois núcleos: o dos bonzinhos, que chapam, bebem e dançam, sob o comando do sargento Elia; e os homens maus, que detestam a chapação dos bonzinhos e matam e estupram sem escrúpulos, sob o comando do sargento Barnes. Os dois sargentos, óbvio, não se bicam. Daí, aproveitando um momento fortuito, Barnes mata Elia no meio da selva, para se livrar da pedra em seu sapato. No meio disso, há o soldado Taylor (Charlie Sheen, sofrível), que era um retardado perdido e sem moral com o pelotão, até dar seu primeiro tapa na pantera. A cena, que sinalizava a mudança de mentalidade do soldado, a partir da qual ele passou a absorver a guerra e fazer amigos naquela turma, é grotesca. Na primeira bola, o cara já ficou retardado e viajando, mostrando que Oliver Stone não deve ter fumado nem cigarrinho de chocolate quando era criança. O filme explora mais a cumplicidade, a hombridade e a coragem, elementos essenciais a um soldado. Pelo menos, era o que os Estados Unidos precisavam mostrar para o mundo, que contestava a real necessidade daquela guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Full Metal Jacket, de Kubrick, é mais realista, muito mais bonito (Kubrick e seu tesão por grandes planos abertos) e mais tijolo na cabeça do espectador. Rodado como dois filmes dentro de um (o filme do treinamento do pelotão, que vai até a morte de Hartman e consequente suicídio de Pyle, e o filme do Vietnã de verdade), ele já toca na delicada questão do "o que estamos fazendo aqui?", brilhantemente levantada em uma entrevista com os soldados em meio ao combate. Mostra também um exército vietnamita nada inocente (quebrando o cessar-fogo da batalha do Tet) resistindo às investidas de um arrogante exército norte-americano. De fato, uma obra de arte e retrato bastante fiel do período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, pra mim, nenhum supera a porra-louquicee os exageros dessa guerra como Apocalypse Now, a obra-prima de Francis Ford Coppola. Dos três, certamente o menos realista, o que é louvável, pois foca mais nas mentes que vieram a surtar com a guerra. A lentidão do filme amplifica exponencialmente a sensação da loucura ali vivida. Ter seu roteiro baseado no livro Heart Of Darkness, de Joseph Conrad, que trata de um tema completamente diferente (exploração de marfim) só torna o filme um verdadeiro petardo surrealista. Convocado por superiores para resgatar o coronel Kurtz (Marlon Brando, fantástico), um dos mais renomados militares do exército americano, que endoidou e passou a comandar um pelotão próprio no Camboja, o capitão Willard (Martin Sheen, irretocável) embarca numa river trip que mais se assemelharia ao inferno imaginado por Dante, pela torpeza das situações vividas. Sem dúvidas, o personagem mais bem-elaborado é o do coronel Kilgore, um apaixonado por surf, que procura, junto com seus soldados, as melhores ondas do Vietnã, em meio à artilharia pesada dos inimigos e estouros de napalm. A cena da invasão a uma vila vietnamita ao som de "La Cabalgata de las Valkyrias", de Wagner, é uma das mais épicas da história do cinema, sem dúvidas. Tropas sem comando, coelhinhas da Playboy, almas perdidas clamando por uma carona para sair da guerra, uma interminável viagem de ácido de um dos homens de Willard, o encontro com uma colônia de franceses e ataques a inimigos imaginários permeiam a viagem pelas águas asiáticas, mostrando o terror e a insanidade provocados pela guerra, culminando com a chegada ao território do coronel Kurtz, nos 50 minutos finais do filme, no ápice da loucura. E é apenas a partir daí que Brando pode, enfim, começar seu espetáculo particular, numa atuação magistral, boa parte dela improvisada (ele recusou-se a seguir todo o roteiro). E ninguém faria um filme de guerra tão intenso quanto Apocalypse Now.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as trilhas sonoras, logo vê-se o conservadorismo de Stone ao utilizar somente trilha orquestrada própria para o filme, na tentativa de dar um toque dramático à coisa toda. Exceção para o uso de "White Rabbit", do Jefferson Airplane, mas que, ainda assim, soa um tanto óbvia. Kubrick vai no caminho da música pop americana, o que marca ainda mais a divisão dos dois filmes. Mas, mais uma vez, Coppola foi o mais genial, menos pelas escolhas e mais por conseguir marcar suas cenas na história. Além do já citado caso de Wagner, o uso de "The End", do Doors, no começo e no fim do filme tem toda uma simbologia envolvida. A sincronia do napalm explodindo na vegetação com a fúria da música após o verso "...in a desperate land" é orgásmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, Apocalypse Now vence com sobra. Full Metal Jacket é perfeito, e isso só mostra o quanto o filme de Coppola é genial. Já Platoon... esse faz você sentir pena de Oliver Stone.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8168643335325552230?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8168643335325552230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8168643335325552230&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8168643335325552230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8168643335325552230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/apocalypse-now-x-full-metal-jacket-x.html' title='Apocalypse Now x Full Metal Jacket x Platoon'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-a5wZBy-CPTw/Td5sEmnSqoI/AAAAAAAAAWc/ikL8ahotZRs/s72-c/filmes.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5652416811776662767</id><published>2011-05-25T11:37:00.000-03:00</published><updated>2011-05-25T11:37:21.181-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música Diária'/><title type='text'>Música Diária XI</title><content type='html'>&lt;span class="editable_area"&gt;&lt;b&gt;Animal Collective - Bleed &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="editable_area"&gt;You know&lt;br /&gt;Those red moments where it's thin&lt;br /&gt;Like, pretty, early on, and...&lt;br /&gt;But then, simul- I also, like, include the...&lt;br /&gt;Like the tinted blues&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blessed&lt;br /&gt;Nightmare&lt;br /&gt;Heart pain&lt;br /&gt;Hurtful&lt;br /&gt;Somehow&lt;br /&gt;I feel&lt;br /&gt;Hopeful&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Listen&lt;br /&gt;Nightmare&lt;br /&gt;New plane&lt;br /&gt;I swore&lt;br /&gt;Good friend&lt;br /&gt;I've been&lt;br /&gt;Shameful&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That I must bleed&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blessed&lt;br /&gt;Lightning&lt;br /&gt;Heart pain&lt;br /&gt;Hurtful&lt;br /&gt;Somehow&lt;br /&gt;I feel&lt;br /&gt;Hopeful&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Listen&lt;br /&gt;Nightmare&lt;br /&gt;New plane&lt;br /&gt;I swore&lt;br /&gt;Good friend&lt;br /&gt;I've been&lt;br /&gt;Shameful&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That I must bleed&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blessed&lt;br /&gt;Lightning&lt;br /&gt;Heart pain&lt;br /&gt;Hurtful&lt;br /&gt;Somehow&lt;br /&gt;I feel&lt;br /&gt;Hopeful&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Listen&lt;br /&gt;Nightmare&lt;br /&gt;New plane&lt;br /&gt;I swore&lt;br /&gt;Good friend&lt;br /&gt;I feel&lt;br /&gt;Shameful&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That I must bleed &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5652416811776662767?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5652416811776662767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5652416811776662767&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5652416811776662767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5652416811776662767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/musica-diaria-xi.html' title='Música Diária XI'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-483123626231715971</id><published>2011-05-20T15:05:00.002-03:00</published><updated>2011-05-20T15:10:38.847-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>A Banda Mais Medíocre da Cidade</title><content type='html'>Quando o Los Hermanos decidiu meio-que-encerrar as atividades, entocando, assim, todos os seus fãs em seus formigueiros, onde tem permanecido quietinhos desde então, e o Teatro Mágico foi enviado de volta ao inferno que o concebeu, eu, na minha repetida inocência, pensei que estaria livre da pior espécie da fauna musical brasileira - os seres do bem -, eis que eles promovem um retorno triunfal, provocando um alvoroço nas redes sociais maior do que um tweet de liquidação da Zara consegue nas mulheres. Ontem, uma banda com o já irritante nome de A Banda Mais Bonita da Cidade lançou um clipe na rede e hoje eles já viraram um fenômeno mais instantâneo que Nescau, seguindo a tradição da maldição lançada décadas atrás por Andy Warhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome, pra começar, já é ridículo. "A Banda Mais Bonita da Cidade". Isso já a blinda, a coloca quase num nível de ONG, incontestável por ser "fofinha", "bonitinha", "do bem", com seus membros engajados, que só querem a felicidade verdadeira das pessoas e o afloramento de seus sentimentos mais ternos. Não, eles não admitem qualquer tipo de afirmação que denigra o ser humano, que coloque as pessoas pra baixo, bullying, coisas assim. Eles querem se reunir na casa dos amigos, tocar escaleta, flauta e bandolim, enquando conversam sobre coisas cotidianas fofinhas, como o gatinho que tentava pegar uma borboleta na rua ou da velhinha com quem trocaram umas ideias na fila do banco, enquanto tomam guaraná com biscoitos e fumam maconha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clipe? A maior coleção de clichês da história. Quase um manifesto do movimento dobemista. Se clipe de banda de pagode tem camisa e calça social, muita prata, óculos escuros no alto da cabeça, um mínimo de dez integrantes dançando no mesmo passo, carrões e umas mulheres gostosas, o clipe "Oração", dessa banda aí, tem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bigodes. Muitos deles.&lt;br /&gt;- Franjas. Várias delas.&lt;br /&gt;- Muita bermuda com camisa de botão, camisa xadrez, vestidinho e outros adereços de estudante de centro de artes e comunicação.&lt;br /&gt;- O baterista toca com um cachorrinho peludinho no colo. Muito fofo. Eles gostam de animais.&lt;br /&gt;- Muito provavelmente, ninguém ali gosta de futebol. "É perda de tempo".&lt;br /&gt;- Ao se encontrar, mesmo que três vezes ao dia, abraçam-se fraternalmente durante uns 20 segundos.&lt;br /&gt;- Fazem cara feia para qualquer comentário mais cáustico que você faça.&lt;br /&gt;- Todos os amiguinhos cantando juntos no final, pulando de tanta alegria, emitindo bons fluidos para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clipe é bem-feito? É, e não há como não admitir isso. É cópia? De quem? do Beirut? É, sim. Mas isso não tira nem um pouco o mérito dele, que realmente é muito bom. Maaasss... a melodia é fraquíssima, uma babinha sem nenhum mérito artístico, estúpida até para uma música pop, recheada por uma letra patética que não tem mais que 12 versos, que se repete durante longos 6 minutos, fazendo com que a música pareça ter uns 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OU seja, é tudo cercado pela hipocrisia, pura e simplesmente. É fazer a imagem de bom moço para se vender para um público carente de bandas do segmento, que tem saudades de cantar suas músicas no show dançando devagarinho, olhinhos fechados, lagriminhas escorrendo. E antes que ela crie aquela redoma de proteção, eu estou botando pra fuder nela desde agora. E vou ler o texto do Adolar Gangorra novamente, o &lt;a href="http://adolargangorra.blogspot.com/2008/11/como-me-fudi-no-show-do-los-hermanos.html"&gt;"Como Me Fudi no Show do Los Hermanos" &lt;/a&gt;para voltar a aprender como se lidar com essa parcela da população. Aliás, nada tenho contra os Hermanos. Por sinal, é uma de minhas bandas favoritas, se analisarmos a música por si só. Mas os fãs, puta merda... ninguém aguentava mais. E, não, meus dois ovos já não cabem mais numa penteadeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-483123626231715971?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/483123626231715971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=483123626231715971&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/483123626231715971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/483123626231715971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/banda-mais-mediocre-da-cidade.html' title='A Banda Mais Medíocre da Cidade'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3402478261722644090</id><published>2011-05-18T19:30:00.000-03:00</published><updated>2011-05-18T19:30:56.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Apprenez le français, mes amis</title><content type='html'>Você, homem, cresce aprendendo que francês é língua de viado, com aquela biquinhada toda. Ela, mulher, aprende que é uma língua linda e associa francês à elegância, homens bem vestidos, boa música, vinho, queijos, Alain Delon, Paris, Chanel e petit-gâteau (apesar da receita brasileira). Apesar disso, você, homem, ainda ignora o idioma, por mais que ele se assemelhe ao português. Mas o biquinho... porra, o biquinho é foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, acredite: é melhor você começar a aprender até o bico fazer cu. Como em Eduardo &amp;amp; Mônica, certamente você passou a infância e adolescência inteira entrando e saindo de cursinhos de inglês porque 1) tinha no colégio e você precisava dele pra passar de ano; 2) pra poder viajar à Disney; 3) porque sua mãe lhe achava um vagabundo que podia não ficar sem fazer nada em casa à tarde; e 4) pra traduzir aquela porra daquela letra do Nirvana. E para isso você também tinha que traduzir na aula umas de Elton John, Michael Bolton e Bee Gees. E, depois disso tudo, você conseguia entender o que Kurt dizia, mas aí já estava velho demais pra isso e começou a achar que ele só falava merda. Mas eis que você aprendeu o inglês. E parou. Passou no vestibular. E pronto. Agora, homem feito, você tinha as tardes livres pra vagabundar. Sua mãe diz que você devia fazer espanhol, mas você retruca dizendo que todo mundo sabe falar espanhol, até ganhar aquela viagem para Buenos Aires e ter um desempenho no idioma digno de um Tévez. Aí você vai e aprende. Depois, você enfia na cabeça que quer conhecer a Europa. Normal, normal. Afinal, você é um universitário que teve contato com novas ideias e o velho mundo começa a soar mais interessante que o Epcot Center, a MGM e o Sea World. Alemão é grego, grego é russo, italiano se fala com as mãos e o resto - vulgo leste europeu - você simplesmente ignora. O que sobra, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porra, mas eu não vou falar com aquele biquinho, não". Meu velho, não tem jeito. Se não botar biquinho, vai parecer Suzana Vieira falando em pernambucano: risível. Eu sei que parece aquela brincadeira donzela de pirralho de abre-a-boca-sem-mostrar-os-dentes, mas veja o lado bom da coisa toda, do idioma ao baguete. O francês é um idioma muito grave, tonalmente falando. As sílabas são quase sempre fechadas, e o biquinho é resultado disso. Consequentemente, você, caso tenha timbre de tweet, vai passar a falar mais grosso, invariavelmente. Isso já é um ponto. E falar grosso no ouvido dela é outro ponto, e agora são 2. Falar grosso no ouvido dela com aquele rrrronronado, soltando um "mon amourrrr" vai te dar o terceiro e o quarto pontos. Se você fizer isso entre uma tragada de cigarro e outra, vai atingir a escala Serge Gainsbourg e, por mais que você seja &lt;i&gt;le laid des laids&lt;/i&gt;, a moça não vai resistir. Porque, lembre, mulher dá muito valor ao conceito de "charme", seja lá que merda seja essa. E falar francês vai suscitar nela todas aquelas já lembradas lembranças francesas que a fazem suspirar e molhar as calcinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, entre num curso, faça os exercícios, escute uns discos dos monstros franceses e tente reproduzir algumas frases, capriche no sotaque e voilà.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3402478261722644090?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3402478261722644090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3402478261722644090&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3402478261722644090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3402478261722644090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/apprenez-le-francais-mes-amis.html' title='Apprenez le français, mes amis'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1891185763511571930</id><published>2011-05-14T13:59:00.000-03:00</published><updated>2011-05-14T13:59:44.876-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sucrilhos Mofados</title><content type='html'>E você me ligou na ressaca do sábado, enquanto preparava meu café-da-manhã &lt;i&gt;hors-Greenwich&lt;/i&gt;, passou meia hora conversando sobre avanços tecnológicos, dissolvendo meus sucrilhos no leite numa papa imprestável, e nem sequer se preocupou em ligar de volta pra pedir desculpas por isso. Ou eu não te avisei que estava preparando sucrilhos no começo da ligação. E ainda fere meu orgulho, por mais que eu diga que seja pacífico em relação a isso, dizendo que vai almoçar com os amigos de uma forma decente. E eu, no alto da soberba, bato no peito, cuspo de lado e digo: tô préu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1891185763511571930?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1891185763511571930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1891185763511571930&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1891185763511571930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1891185763511571930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/sucrilhos-mofados.html' title='Sucrilhos Mofados'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5336596725093002592</id><published>2011-05-04T12:45:00.002-03:00</published><updated>2011-05-04T12:45:25.633-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>How can you sleep?</title><content type='html'>Um dia desses, não necessariamente num desses encontros casuais, eu vou passar por você, despercebido, e te observar de longe, semblante pensativo para não ser confundido com algum terrorista, podendo até usar um jornal como disfarce, só pra ver como tua pele lida com o ambiente, tão nua e desguarnecida, ao relento, no sereno. Como tu treme de leve, seja pelo frio, seja pela sensação de alguma presença invisível que tu queria materializada, olhando de lado e para trás, "não, nada não" e voltando a se concentrar no teu trabalho. Pode comprar todos os casacos, estes não tem temperatura, como sou eu termal e regulo a tua, em dias de frio, e refresco, nem que seja com um banho de suor, naqueles de brisa esparsa. E à noite, a cama gélida, um silvo de luz vindo do banheiro, a única presença, o único calor (artificial) emitido, o limiar da solidão. Debaixo do lençol, só teus pés para esquentar teus pés, numa fricção inútil, pois é dormente. Como Lennon para McCartney, eu te pergunto: how can you sleep?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5336596725093002592?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5336596725093002592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5336596725093002592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5336596725093002592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5336596725093002592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/05/how-can-you-sleep.html' title='How can you sleep?'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8781440670009094895</id><published>2011-04-30T17:08:00.000-03:00</published><updated>2011-04-30T17:08:49.808-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Lucky number, I guess</title><content type='html'>Tantos ressaltam o Um por ser definitivo e soberano; o Dois por levantar a dúvida, por questionar e fornecer alternativa a um Um pouco dado a tolerâncias; o Três por gerar a desconfiança, por acrescentar uma ponta mais, um outro Um em uma relação dualista, onde as duas pontas envolvidas iam e voltavam em si mesmo num tom perfeito de cordialidade, permitindo, assim, que todos os vértices se comuniquem na mesma intensidade; o Quatro por suavizar o erro matrimonial do Três, já que agora o equilíbrio se restaura e ninguém mais parece ficar sobrando, já que o ser humano lida e funciona melhor em pares, com uma única exceção, chamada John Lennon; o Cinco, por ser estrela, com suas pontas brilhando em todas as direções, e é um equivalente ao Dez, porém denota uma exclusividade e requinte maiores, pois você até pode ser um Dez, mas um Cinco, com sua escala própria, sempre será mais; o Seis por sua mística, por estar sempre envolto em densas brumas, por ser demoníaco quando em trio, por ser judaico, por ser um Quatro tridimensional e tangível, a metade de um ciclo, a metade do tempo, sempre; o Sete por seu ecletismo, por estar em tudo, como música, semana, como arco-íris, como sorte, como azar, como os piores pecados que um homem pode cometer, e por ser o primeiro número primo puro, que não se relaciona nem com outros nem com qualquer medida; o Oito por se assemelhar ao infinito, em suas curvas que começam e terminam nele mesmo, e por evocar uma simetria singular que nenhum outro, com possível exceção do Zero, conseguiu jamais atingir. Mas por ser par, a simetria se acentua. É o brilho nos olhos de um chinês. É a bola da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há o Nove. E esse parece escanteado. O nove é sempre o quase. É o ponto que falta, não ao Dez, mas a ele mesmo para tornar-se o próximo. É quase perfeito, quase ideal, é quase absoluto. Mas sempre será sinal de que faltou alguma coisa. É como ter nascido bonito, inteligente, virtuoso e tanto mais, e lhe ter faltado a modéstia. É o que é bom, mas que podia ser melhor. É a decepção diante de um único erro, a falha crucial que não lhe deixou exitar. Sinal que você não se esforçou o suficiente; que escorregou no tablado por ter escolhido a sapatilha da sorte, mas que já estava velha e sem atrito; que você resolveu ignorar justamente aquele capítulo que o professor achou de pescar para supreender a todos, rendendo a última questão da prova; é o papel perdido naquele filme, porque já havia um Dez para ele; os cinco segundos que separaram o seu orgasmo do dela; é o chute de bicicleta plasticamente perfeito, só que na trave; aquele solo que podia ser não tão longo, mas tudo bem; aquela pitadinha a mais de sal, "só pra pegar o gosto"; o cinto marrom para o sapato preto; é o que não é suficiente para evitar a gravidez; é estar uma unidade a menos de ganhar um dígito a mais; é simplesmente não ser perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim, o Nove é gol, pois após a bicicleta na trave, a bola às vezes bate no goleiro e entra. Pois o goleiro também pode ser Nove.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8781440670009094895?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8781440670009094895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8781440670009094895&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8781440670009094895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8781440670009094895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/lucky-number-i-guess.html' title='Lucky number, I guess'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7234535848448976552</id><published>2011-04-28T11:38:00.000-03:00</published><updated>2011-04-28T11:38:20.617-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Music and me</title><content type='html'>Quando pirralho, meus ídolos eram Beatles e Guns, o rock na essência básica, a juventude e a tríade que formava junto com o sexo e as drogas. Era a forma de me impor diante dos demais, que ainda não haviam desenvolvido uma mentalidade musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolescente, me detive às angústias púberes enfurnado no meu quarto, odiando as pessoas, os pássaros, o sol, a solidão - que agora surgia em decorrência de "necessidade afetiva" - e a vida que ao meu redor orbitava em geral. Pensamentos suicidas, pseudo-depressão e camisas pretas coloriam as minhas paredes sem luz. E Pearl Jam, Ok Computer e Frogstomp faziam a trilha sonora. Eu queria ser aquelas músicas, eu queria, na verdade, que alguém percebesse meu limbo e, sei lá, me desse uma mão. Eu queria ser triste, e as músicas eram uma espécie de código para as coisas que eu queria falar, mas eu não desejava ser assim, tão óbvio, tão direto. Mas ninguém prestava muita atenção no que eu ouvia, e muito menos no que eu falava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emancipado, mandei tudo pra puta que pariu e descobri o elixir da vida: o álcool. A timidez se sentiu ultrajada e preferiu se retirar, os toc's estavam perdidos, correndo pra lá e pra cá sem saber mais como funcionar. O hermetismo deu lugar a um suave ecletismo e fui atrás de experimentações musicais, a música pela música, parnasianismo sonoro. Até me deixei levar pela música brasileira, aquela que outrora era a grande vilã do domínio anglo-saxônico. Logo, Caetano, Chico, Geraldo Azevedo, que me eram música de gente velha, começaram a aparecer nas mais variadas playlists. E aquela frescuragem kobainiana do "I hate myself and I want to die" deu espaço à filosofia transcedental e questionamento às autoridades - majoritariamente religiosas - do Tool. Uma parada mais zen, mais interna, de uma forma que eu percebi que há mais vida nessa vida. E teve o Mars Volta pra mostrar que música é muito mais que tum-tá-tum-tum-tá e três acordes. E que ela é pra se ouvir. Quem quiser reflexão que vá pra igreja. Ou compre um livro de Augusto Cury ou Paulo Coelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7234535848448976552?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7234535848448976552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7234535848448976552&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7234535848448976552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7234535848448976552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/music-and-me.html' title='Music and me'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2163005844720104078</id><published>2011-04-27T13:54:00.001-03:00</published><updated>2011-04-27T13:54:42.914-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>pry, to.</title><content type='html'>Eu devia reduzir para a 2ª marcha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que ando correndo demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2163005844720104078?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2163005844720104078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2163005844720104078&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2163005844720104078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2163005844720104078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/pry-to.html' title='pry, to.'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8021709701720754562</id><published>2011-04-25T16:15:00.002-03:00</published><updated>2011-04-25T16:15:31.216-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aracnophobia'/><title type='text'>Aracnophobia V</title><content type='html'>Meus olhos, seguindo uma sequência aparentemente natural, arregalaram-se primeiro, e depois apertaram-se, não exatamente com meu consentimento. Não sei qual dos dois estados torna a audição mais apurada, mas parece que eu estava muito disposto a descobrir isso naquele instante, já que alternei entre ambos por algumas vezes. A aranha continuava ali, gigante e felpuda. E o máximo que consegui, pra falar a verdade, foi alternar entre a visão desfocada e a levemente míope, que já me é característica. Mas eu ouvia, tinha certeza que ouvia um murmúrio, grave e baixo, cantarolando alguma música ambiente de elevador. Parti para outra tática. Comecei a piscar e esfregar os olhos, numa vã tentativa de retornar ao modo real, saindo da simulação, mesmo tendo plena consciência de que eu já estava acordado há um bom tempo, e considerando que sonhos não duram mais de doze horas, no tempo deles, e que nada de mais fantástico havia ocorrido para que aquilo pudesse ser considerado um sonho, exceto, talvez, a possibilidade da aranha ter realmente falado comigo, aquilo era, sim, real. E se nós, humanos, evoluímos e passamos a emitir sons, por que as aranhas, tão emancipadas, não desenvolveriam essa habilidade também? Além do mais, após todas as piscadelas e esfregões, a aranha permanecia ali, imóvel, por ousadia, ambição de demarcar novos territórios ou pura e simples implicância mesmo. E cantarolando, ainda. "Smoke gets in your eyes", reconheci, o que, ao mesmo tempo, tornava aquilo a mais pura verdade diante de meus olhos. E aí, chapa, parou com a frescura? Não, não, não. Eu me recusava a responder uma ofensa dirigida por uma aranha aparentemente alfabetizada, numa oração corretamente sentenciada, de acordo com os ditames regentes na gramática portuguesa atual. Fosse algo proferido numa linguagem e frequência próprias, vá lá, haveria pelo menos o desafio de tentar estabelecer uma comunicação. Resumindo: fiquei calado. Você acha que adianta alguma coisa ficar aí calado? Doze horas parado diante de mim não são suficientes para você deixar transparecer que não me ignorou em nenhum momento? Silêncio. Tá, o medo realmente é um motivo para você ficar assim. Mas eu quero conversar sobre o medo mesmo. Aceita um cigarro? Meus lábios enfim esboçaram alguma reação, tremendo-se aleatoriamente, fazendo com que eu acreditasse ser aquilo uma forma primata de balbuciação. Mas, não, era só o medo agindo sobre meus músculos faciais. Bom, eu vou fumar um. A carteira está aí na mesa, caso mude de ideia. Ah, sim, são seus cigarros, by the way. Eu tiraria da minha, caso eu tivesse um bolso e uma calça para guardar um maço amarrotado. "By the way"? A aranha utiliza gírias em inglês para. Falar? Boquiaberto, idiotizado e vencido pela estupefatação, deixei-me cair sentado na poltrona da sala, jogado nela como um estivador que atira um saco de cebolas nas docas. Ou isso ou novamente fui espancado pela fraqueza muscular provocada pelo medo. Foi bom você sentar mesmo. Fica mais fácil conversar assim. E a aranha, de fato, cuspia fumaça em grandes nuvens que ambientavam minha sala smoke-free, tão vigiada por Plavia, que detestava o cheiro e nunca me deixou dar uma tragada sequer naqueles 24m². Seguinte, camarada. Eu não existo. Do jeito que estava, deixei escapar pela boca já aberta um suspiro irônico, um arram-tô-ligado, que contrariava a última afirmação, mesmo que negativa, da aranha. Tô falando sério. E hoje eu vim aqui justamente pra acabar esse clima chato entre nós dois. Isso que você está vendo é só uma projeção, uma anti-idealização de uma figura que você abomina. E a tendência é que nós, quando aflitos, aumentemos substancialmente a imagem daquilo que tememos. Mas o seu medo, pelo jeito, é tão grande que você me transformou na mais distorcida e anabolizada versão de mim mesma. Nunca fui assim tão forte, tão segura, tão desenrolada como agora. Até agradeço a estima, mas não precisa me supervalorizar tanto. E, de fato, ela falava com a oratória de um político, devagar e ininterruptamente. Eu já não me cabia de tamanho espanto. Mas já me sentia menos amedrontado. Nesse instante o telefone tocou. Era Plavia. Mal atendi e ela já veio soltando seus cachorros, falando de entrevista, comida, porta fechada, aranhas e tudo o mais. Peguei um cigarro do maço na mesa de centro, sem tirar os olhos da aranha, assentindo interrogativamente, que acenou com um sorriso de satisfação, no que respondi com um sorriso discreto com o canto da boca, estufei o peito, puxei a fumaça para dentro, cruzei as pernas, relaxando o corpo totalmente e disse, ao telefone: "Ssshhh. Liga mais tarde, estou resolvendo umas coisas aqui, tá?", pressionando a tecla vermelha do teclado do celular, em meio à esbravejação surpresa de Plavia. Ok, então, aranha. Apaguei o cigarro no tampo de vidro da mesa, deixando uma mancha preta que parecia uma boca gritando de indignação, a boca de Plavia quando ela visse o serviço. Vamos conversar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8021709701720754562?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8021709701720754562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8021709701720754562&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8021709701720754562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8021709701720754562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/aracnophobia-v.html' title='Aracnophobia V'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7731143214927722959</id><published>2011-04-19T11:28:00.002-03:00</published><updated>2011-04-19T11:28:30.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Caldo</title><content type='html'>Estávamos situados em algo entre 35º e 47º, na sombra, se você considerar um quarto hermeticamente fechado e iluminado por uma luz tênue que teimava em atravessar a cortina com blackout, de tão forte que ela era lá fora, castigando cabeças, forçando sua entrada no quarto como um aríete de madeira e algumas ligas de metais diversos. O calor era de uma tangibilidade nevoenta, fustigando dois corpos derretidos no mar de suor em que se transformara a cama velha e bolorenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois corpos tão suados que aquilo mais parecia um jogo de curling, não havia mais atrito, eles se deslizavam infinitamente sobre uma superfície que seria glacial, não fossem suas características magmáticas. Meu suor, teu suor, um caldo salgado esparramando e gotejando essência de delírios sexuais incontroláveis, inconvenientes e inapropriados para a ocasião. Mas o querer era mais forte que o poder. Ela, a moça, mordia o travesseiro, independente do cheiro de suor encapsulado que normalmente a nausearia, apenas para conter os gritos e gemidos da ardência ali, muito mais motivados pelo happening que essencialmente por uma transa bem-feita. Era muito mais o tesão de fazer a coisa errada na hora errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passos transitavam riscando o porcelanato do lado de fora, com suas sombras dançando por baixo da soleira, num pequeno espetáculo mambembe dentro do quarto, em tons de amarelo provocados pela pobre iluminação de tungstênio, adornados pelos cochichos respeitosos e alguns até alarmados diante de duas ausências irreparáveis daquele lado do mundo. Do outro lado, a preocupação era manterem-se invisíveis. O suor, o mofo, o calor e os fluidos criavam um perfume de notas fortes que despertaria o eu primata de qualquer ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, deitado sobre o corpo dela de bruços, que, por sua vez, forçava o quadril para trás, em direção à sua pélvis, como se quisesse ela penetra-lo de alguma forma. Ele evitava uma amplitude muito grande dos movimentos, para não provocar aquele som espalmado que os agradaria bastante em momentos mais fortuitos. Ele respirava com força, segurando qualquer sinal mais audível de prazer. Mas penetrava com força, como o diabo que provoca deus para testar seus limites e, a partir daí, traçar um perfil de brechas para pecados. Ele puxava seus cabelos ensopados da nuca, como se segurasse a crina de uma égua, na falta de rédeas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um celular subitamente começou a tocar. O pânico foi gerado e rapidamente controlado quando o mesmo foi atirado em direção ao banheiro do quarto, espatifando-se na cerâmica da parede, e a cena em muito se assemelhou a um cenário de guerra, um soldado livrando-se de uma granada que teve seu pino puxado na hora errada. Por um instante, as sombras do lado de lá, detiveram-se diante da porta, e podia-se ouvir o ruído abafado de ouvidos encostando-se na madeira e o cessar combinado do burburinho que vinha se formando. E ele também parou, contrariando a parceira abaixo de si, que forçava o quadril do rapaz na sua direção. Ele, preocupado, ela, nem aí. Ele via o sorriso de sacanagem estampado no rosto dela, mesmo no escuro, só de sentir aquela bunda remexendo de forma sinuosa e lenta, engolindo o membro já completamente encharcado de suor e mel. Ele concentrava-se na movimentação que se formava do lado de fora, aparentemente com novos pares de pernas se aglomerando e lançando interrogações para logo em seguida juntar-se à comitiva que buscava captar frequências dali de dentro. De alguma maneira, ela começou a mover-se ainda mais rápido e, sem que ele fizesse um movimento sequer, estava dando números finais àquela transa. Ele batia de leve nela pedindo para parar. Agora ela era uma lona de um ringue. Mas ela não parava, e ele entrava num desespero cômico. A luz que penetrava pela soleira já havia quase esgotado, diante de tantos corpos que se amontoavam ali na porta. E ela, sacana, já nem escondia mais aquela risada entrecortada, filtrada pelo travesseiro. Ela acelerou, ele se resignou. Ora, foda-se. Ele não conseguiu segurar e gozou bufando pra dentro, enquanto ela fez menção de que ele não parasse, como se ele estivesse controlando alguma coisa ali. Em poucos segundos, ela desvairou-se em gritos inaudíveis e tremeliques por todo o corpo. E desabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ambos permaneceram na mesma posição, emanando o calor das brasas que sobraram. Ele beijava o rosto, a nuca dela, que sinalizava a usual garganta seca, implorando num sussurro: "água". Impossível, agora, ela sabia. Aos poucos, as pernas iam desaparecendo uma a uma, em pares, deixando o espetáculo que terminara. Pelos murmúrios, alguns não se davam por satisfeitos e ainda saiam de esguela, com o rabo do olho ainda atento. Ele ainda sentiu um leve clique que hesitou sobre a maçaneta da porta, mas logo parece ter desistido, após um cício mais ríspido. Ambos olhavam, da cama, para a luz que voltava a surgir pela soleira. O burburinho original da casa deu vez a um silêncio fúnebre. Eles riram, mesmo que já sabendo que todos já sabiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamo, levanta. A gente que se despedir da minha tia antes que levem o corpo embora".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7731143214927722959?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7731143214927722959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7731143214927722959&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7731143214927722959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7731143214927722959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/caldo.html' title='Caldo'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-394223219314396275</id><published>2011-04-14T23:52:00.000-03:00</published><updated>2011-04-14T23:52:52.810-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Happy Sixth</title><content type='html'>Agora que eu tenho um porta-retratos estrelado por tu na minha frente sempre que uso o computador, parece que as lembranças costumam vir com um pouco mais de força e frequência. Tu sabe que eu sou chegado num estímulo visual. E é uma sensação boa ficar aqui, no meio da noite, te olhando, mesmo que numa superfície bidimensional, porque o silêncio das horas mais avançadas remete diretamente à nossa gênese, por mais batida e escarafunchada que seja a história da noite de 19 de setembro. Mas ela tem uma importância ímpar, por ter definido praticamente tudo que temos hoje. Porque eu joguei tudo o que tinha até então pra cima, e tu meio que tomou iniciativa pra fazer o mesmo. Com isso, montamos um esquema totalmente inconsequente, que teria suas resoluções durante a semana que começava. Em momento algum titubeei, pois eu senti o peso da certeza coagindo os dois lados do meu cérebro e todas as minhas artérias. E essa lombra, quando bate certo, bate pra sempre. São só 6 meses, eu sei. Mas o tempo caminha suave pra gente. E mesmo nunca ocupando o mesmo território simultaneamente, a intensidade da coisa faz parecer que muito mais coisa rolou nesse tempo. E rolou mesmo. A gente que distorceu o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E teu ectoplasma costuma rondar o apartamento aqui, refazendo os mesmos passos daquela noite, tipo uma interseção de planos físicos. E tem todo aquele cheiro de ansiedade, medo e euforia de primeira noite tapando meu nariz num sufoco de quem sarra pesado com trezentas mãos percorrendo o corpo em sua frente. Eu nunca, nunca, nunca vou e nem pretendo esquecer cada detalhe daquela noite. Todos teus risos, fios de cabelo, roupas, poros. Porque é como se todo ontem fosse essa noite. O silêncio é fundamental. E a gente tem uma fundação muito calcada nisso. Mas, ainda assim, eu te ouço sempre. E não, tu não é gasguita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-394223219314396275?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/394223219314396275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=394223219314396275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/394223219314396275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/394223219314396275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/happy-sixth.html' title='Happy Sixth'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2136069206232221550</id><published>2011-04-14T00:56:00.000-03:00</published><updated>2011-04-14T00:56:56.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Procura-se</title><content type='html'>Alguém para dividir uma caixa de Amandita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer uma inteira sozinho não é certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessadas favor enviar currículo para posta restante no final do anúncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2136069206232221550?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2136069206232221550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2136069206232221550&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2136069206232221550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2136069206232221550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/procura-se.html' title='Procura-se'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3308814090073309187</id><published>2011-04-12T00:32:00.000-03:00</published><updated>2011-04-12T00:32:50.608-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><title type='text'>Ranço</title><content type='html'>Quando a neblina se desfez, pude te ver novamente, sem aquelas asquerosas marcas no rosto, as que desenhei, talhei, delineei, risquei, fiz o alarido todo, enfim. Culpa da chuva, que me fez perder a força no punho e, consequentemente, o traço. O braço, outrora apoiado na mais lisa superfície, se viu cambaleando diante do vento molhado e multidirecional, tensionado como um badoque prestes a arremessar um seixo na direção da vidraça. E quis marcar teu rosto. Culpa da chuva, culpa da chuva. Não, culpa da chuva, não. Mea culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tantos galhos retorcidos no chão, gritando uma dor muda, da violência absurda, tão irriquieta, parou. Parou e só barulhou o som do vento, fazendo crer que a tal bonança pairava por ali, abafando a tempestade, empurrando-a pra baixo, cozinhando-a numa modarça dentro de uma panela de pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a neblina subiu fria e densa. E só quando ela se desfez, pude te ver novamente, sem aquelas marcas asquerosas no rosto. Era tu o tempo todo, por trás do meu traço avariado. Eu que te pintei errado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3308814090073309187?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3308814090073309187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3308814090073309187&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3308814090073309187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3308814090073309187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/ranco.html' title='Ranço'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6774911825873223661</id><published>2011-04-08T14:04:00.002-03:00</published><updated>2011-04-08T14:05:51.718-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur X</title><content type='html'>Era casa, era jardim&lt;br /&gt;Era praia, era jardim&lt;br /&gt;Era a grama nas costas&lt;br /&gt;Éramos costas&lt;br /&gt;Era o céu&lt;br /&gt;Salpicado de branco&lt;br /&gt;Branco, branco&lt;br /&gt;Contra o negro pano&lt;br /&gt;Estendido nas retinas&lt;br /&gt;Logo à frente&lt;br /&gt;Era o tinto aroma&lt;br /&gt;Salgando no ar&lt;br /&gt;Era o tinto sabor&lt;br /&gt;Dando voltas na boca&lt;br /&gt;Era tua mão na minha&lt;br /&gt;Era o teu pano&lt;br /&gt;Da cor do espumante&lt;br /&gt;Era incrível&lt;br /&gt;Tão distante que era&lt;br /&gt;Sou eu e é tu&lt;br /&gt;É enlace&lt;br /&gt;Nosso riso&lt;br /&gt;Era incrível&lt;br /&gt;Ainda o é&lt;br /&gt;O cheiro das pegadas&lt;br /&gt;O cheiro de nós dois&lt;br /&gt;Levanta&lt;br /&gt;É casa, é jardim&lt;br /&gt;É praia, é jardim&lt;br /&gt;Dorme comigo pra sempre&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6774911825873223661?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6774911825873223661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6774911825873223661&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6774911825873223661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6774911825873223661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/sacre-coeur-x_08.html' title='Sacre Coeur X'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2125616931422179475</id><published>2011-04-07T15:52:00.000-03:00</published><updated>2011-04-07T15:53:58.189-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Off the Oyster'/><title type='text'>Los que luchan</title><content type='html'>Hay hombres que luchan un dia y son buenos&lt;br /&gt;Hay otros que luchan un año y son mejores&lt;br /&gt;Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos&lt;br /&gt;Pero hay los que luchan toda la vida&lt;br /&gt;Esos son los imprescindibles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bertold Brecht&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2125616931422179475?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2125616931422179475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2125616931422179475&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2125616931422179475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2125616931422179475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/los-que-luchan.html' title='Los que luchan'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5007127590497952266</id><published>2011-04-06T11:33:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T12:47:58.714-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blecaute'/><title type='text'>Blecaute: Recife II</title><content type='html'>Já era o 64º dia sem luz em Recife e a prefeitura ainda não havia tomado nenhuma atitude em relação ao reestabelecimento elétrico da cidade. Em declaração a um jornal de - agora - pequena circulação, já que este teve que recorrer aos antigos métodos de litografia para rodar suas edições, que agora vinham em apenas 4 páginas, pois tornara-se uma impressão surpreendentemente cara, o prefeito reiterou sua ideia de montar uma comissão para pensar em abrir uma licitação para a contratação de uma empresa fornecedora de lampiões de gás, mas que tal processo estava emperrado pois "não havia nenhuma empresa que fabricasse o produto na escala que a cidade agora precisava". Ao mesmo tempo, ele informou que aguarda a abertura de alguma empresa do segmento para dar continuidade ao projeto de retorno da iluminação pública à cidade. Indagado sobre o retorno da luz elétrica, e essa, sim, se fazia de fato interessante ao público, ele deu uma de sem-braço: "pergunte à Celpe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar à sede da Celpe, o repórter pôde verificar uma frota de caminhões abarrotados de transformadores ocupando a João de Barros. Não entendeu muito a necessidade de tal volume, mas deu de ombros e seguiu à interpelação do diretor-técnico. Ao entrar em sua sala, foi recebido efusivamente por ele e não conseguiu evitar o espanto ao ver montes generosos de dinheiro sobre a mesa do diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá vendo aqueles transformadores? São suficientes para abastecer a cidade inteira e trocar toda essa atual configuração, que já estava obsoleta.&lt;br /&gt;- Mas a cidade está sem luz.&lt;br /&gt;- É, eu sei.&lt;br /&gt;- E aí?&lt;br /&gt;- Uma hora ela volta.&lt;br /&gt;- Mas os antigos não dariam conta, não?&lt;br /&gt;- Baah...&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Acho que não. Não dá pra saber. Mas os novos são mais bonitos.&lt;br /&gt;- Tá. E, que mal lhe pergunte, mas o que é todo esse dinheiro na sua mesa?&lt;br /&gt;- Ah. Como você viu?&lt;br /&gt;- Está atrapalhando a vista da sua janela.&lt;br /&gt;- Devia guardar isso em algum lugar...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Ah. É a arrecadação das contas de luz. Agora que os bancos não trabalham mais com os terminais eletrônicos, estamos cobrando à moda antiga.&lt;br /&gt;- Vocês estão cobrando contas de luz sem luz?&lt;br /&gt;- Ah. É só a assinatura. Pra ninguém perder o vínculo, sabe.&lt;br /&gt;- Mas então as pessoas podiam pedir para desligar a luz, certo?&lt;br /&gt;- Certo, mas aí eles ficariam sem luz.&lt;br /&gt;- O que não seria exatamente uma grande perda, atualmente.&lt;br /&gt;- Mas há uma questão técnica.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- As pessoas teriam que esperar o reestabelecimento da energia para que possamos atender às solicitações de desligamento, porque o equipamento para desligar a luz nas casas não funciona sem eletricidade.&lt;br /&gt;- Genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, o jornal estampava em sua capa denúncias contra o diretor-técnico da Celpe, falando de descaso, corrupção e má utilização dos recursos públicos. Puto com o jornalista, o diretor rapidamente tratou de estreitar laços com o prefeito, articulando um novo programa para ajudar a população a enfrentar o breu deles de cada dia: o Velegal. Já na outra semana, técnicos da Celpe distribuíram a todos os assinantes mais de 8 milhões de velas de sétimo dia, com poder de fogo maior. No fim do mês, a conta chegou às casas com valor de consumo, agora em vl/d (velas-dia). O valor médio da vl/d era de R$ 32. Considerando uma casa de 4 cômodos, seriam aproximadamente 16 velas por mês, totalizando, com o valor da assinatura, R$ 536. O diretor-técnico achou genial o cálculo, que fornecia um valor semelhante ao das antigas contas, com luz, o que deixaria os assinantes mais confortáveis e familiarizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aconteceu justamente o contrário, e explodiram injúrias, revoltas e protestos contra a Celpe, pois os usuários consideravam um absurdo cobrar R$ 32 por uma vela de sétimo dia. O diretor retrucou: "o valor está mais barato que o praticado no mercado, podem conferir". As velas, que antes do Velegal, custavam em torno de R$ 4, agora não eram mais encontradas no comércio, já que a Celpe comprara todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa foi cancelado 4 dias depois, após o assassinato de 23 técnicos da companhia e consequente depredamento de 18 de seus carros. Era Recife cada vez mais afundado em trevas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5007127590497952266?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5007127590497952266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5007127590497952266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5007127590497952266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5007127590497952266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/blecaute-recife-ii.html' title='Blecaute: Recife II'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1873338356933766974</id><published>2011-04-05T18:46:00.008-03:00</published><updated>2011-04-05T22:00:19.367-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blecaute'/><title type='text'>Blecaute: Recife I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-CpwQWaxTJMw/TZu6XVWp3UI/AAAAAAAAAVY/e3DHahZ5Naw/s1600/82501851.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 35.7em;" src="http://4.bp.blogspot.com/-CpwQWaxTJMw/TZu6XVWp3UI/AAAAAAAAAVY/e3DHahZ5Naw/s400/82501851.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592268272342523202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há dois meses, a luz no Recife acabou misteriosamente. Acabou, apagou, não tem mais. Os carros da Celpe ainda circulam pela cidade trocando transformadores, mas nada adianta. "Se os transformadores não estouraram, não sei mais o que pode ser", disse seu diretor técnico. Não foi uma queda, não foi um curto, não foi um motorista bêbado da Borborema que bateu num poste, tampouco foi Tapacurá que finalmente estourou e lambeu a cidade. Foi um blecaute eterno. Um último suspiro das torres de transmissão. O fim das hidrelétricas. Recife agora era definitivamente um cu: escuro e quente. Muito mais quente. Recife afundou no blecaute.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;Qualquer coincidência com aquele curta do rapaz que faz crítica de cinema num jornal aí mais um romance de um certo autor paraplégico é mera semelhança.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1873338356933766974?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1873338356933766974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1873338356933766974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1873338356933766974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1873338356933766974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/blecaute-recife-i.html' title='Blecaute: Recife I'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-CpwQWaxTJMw/TZu6XVWp3UI/AAAAAAAAAVY/e3DHahZ5Naw/s72-c/82501851.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2090353239180689733</id><published>2011-04-04T11:25:00.000-03:00</published><updated>2011-04-04T11:26:19.779-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur IX</title><content type='html'>Puxando pela memória (não a minha, mas a fotográfica), eis que encontro uma foto tua, misturada naquele escarcéu imagético. Estava deslocada, sem outras presenças que a justificassem. Foi no improviso. E tu tava lá, dormindo - como sempre - na minha cama, sem nem reparar no som da piscada do obturador. E era um domingo à tarde, cheirando a ar assentado, calor e mazela. Aproveitando a alta resolução da foto, fiquei esmiuçando teus traços, reparando cada detalhe, scanneando em 1200 dpi, tentano puxar algum detalhe que nunca havia reparado antes, e, não, não havia nenhum detalhe que já não tenha reparado antes. E sabia que não encontraria. Era só pelo prazer de te pormenorizar mesmo. E onde tu tava naquela hora? O que tu tava fazendo? Não, não queria saber de verdade essas respostas. Era um questionamento mais voltado pro "por que tu não tás aqui comigo?" mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessas horas que eu gosto de ficar viajando em possibilidades. Se tu tivesse aqui, o que a gente taria fazendo agora? Saindo pra comer, pro cinema, mazelando na cama, passeando no parque, viajando por aí? Tanto faz. Tu estaria aqui. Quase dá pra sentir teu cheiro, como se tivesse armazenado em alguma improvável memória olfativa, mas nunca chegará perto do teu cheiro real, intenso, que brota direto da fonte. Isso é coisa pro Grenouille lá. Mas a mente é livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cama, na foto, tava confortável. Não que desse pra sentir a maciez dela, é o mesmo caso do teu cheiro. Mas era a forma plácida que tu dormia. Então eu te toquei, dali. E tua pele arrepiou. Já não era uma memória, era tua pele mesmo na ponta dos meus dedos. Comecei a alisar tua perna ali desamparada. E tua boca fez aquela curva suave pra cima. Passando a mão na tua canela, tu a pega e faz aquele gesto já clássico pedindo pra coçar, com força. Coço e tu faz aquela cara que parece de dor, mas que atrelada ao gemido prazeroso, desfaz a ideia. Volto a alisar, tu me oferece as costas. Eu atravesso, sinto que a cama está realmente confortável, me deito do teu lado, naquele encaixe perfeito, e teu calor, teu cheiro e tudo mais agora estão todos ali, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in loco&lt;/span&gt;. Domingo é dia de ficar agarrado, somente. Eu aqui, tu aí, todos juntos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2090353239180689733?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2090353239180689733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2090353239180689733&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2090353239180689733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2090353239180689733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/04/sacre-coeur-ix.html' title='Sacre Coeur IX'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6600409059048690374</id><published>2011-03-30T18:13:00.001-03:00</published><updated>2011-03-30T18:14:30.545-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur VIII</title><content type='html'>Para ele, não bastava demonstrar um amor qualquer, igual aos outros fazem, pondo alianças nos dedos alheios, contratando carros de mensagem, investindo em serenatas dissonantes em frente às suas janelas, empanturrando-a de chocolates gordurosos, escrevendo quilométricos compêndios acerca das verbalizações do amor ou tudo isso junto. Decidira que precisava eternizar aquele sacramento sexual e afetivo. Pediu licença no trabalho, devidamente concedida diante do motivo exposto, e passou meses andando em círculos dentro de casa, pensando em formas de cunhar e colorir seus nomes em algo que fosse constantemente lembrado por todos. Viajou até os confins da Ásia na vã tentativa de descobrir alguma nova espécie de inseto ou mamífero de pequeno porte que pudesse chamar de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; corde pidonas&lt;/span&gt;. Falhou. Quis patentear um multimakeup, que executaria várias funções maquilantes ao mesmo tempo, para poupar seu tempo, uma engenhoca que se assemelhava a uma mistura de instrumento de tortura com gaita de fole. Mas descobriu que tal produto pra já existia no mercado e frustrou-se. Para não dar viagem perdida, comprou um exemplar e guardou para ocasião fortuita. Negociou com diplomatas de países modestos do leste europeu e alguns africanos em perene guerra civil para incluir o nome ou a imagem dela em suas bandeiras nacionais, mas foi repelido. Apenas a Namíbia fez uma contra-proposta, mas depois ele percebeu que as cores de sua bandeira não eram favoráveis à figura dela, que era amarela. Pensou até em inserir seu rosto ali onde fica o sol na bandeira, mas julgou que seria muito discreto. Seu objetivo era a bandeira do Japão, mas os últimos desastres os tornaram muito sensíveis e ufanistas. Visitou montadoras de carros, fábricas de laticínios, laboratórios de física, química (não havia nenhum elemento novo no ar), mas todo o vocabulário dessas pessoas era não, não, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restou, por fim, a opção de virar rua. Poderia até se incluir, dessa vez, já que até Marília de Dirceu e Romeu e Julieta já foram homenageados. Mas, para conseguir tal proeza, pensou, teria que ser alguém influente. Um escritor prolífico, um artista de vanguarda ou, mais fácil, um político. Esse caso não precisa de adjetivo complementar. Bastava conhecer um ou dois vereadores e sugerir seu emplacamento mediante aporte monetário. Mas eram todos projetos a longo prazo. E ele tinha pressa, pois já vinha o aniversário dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, passou no quiosque e pegou seu carimbo, embalado em papel pardo, sob olhar desconfiado do dono. Saiu correndo às gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no bloco cirúrgico ainda de forma inesperada. Os eletrocardiogramas indicavam um coração de touro, forte, vermelho e saudável. Nenhum médico havia registrado qualquer alteração nesse sentido, já que fora internado para tratar de uma pneumonia. Apenas um deles, justamente o que solicitou a intervenção, captou algo fora de harmonia, após muitas horas de conversa. A equipe médica, ainda estupefata, corria de um lado para outro na sala. O sagaz médico, como quem realiza um último desejo de um paciente moribundo, abriu seu peito com avidez. O coração batia mais perfeitamente que um metrônomo. As veias estavam mais limpas que canudos recém-saídos de fábrica. Diante do olhar espantado dos demais médicos e enfermeiras, ele rapidamente sacou do bolso de sua bata um invólucro plástico, rasgou-o e retirou aquela peça de madeira. Para testar, aplicou sua superfície plana sobre a bata e viu a tinta azulada estampando-o. Burburinho feito, ele não perdeu tempo, já que em breve iriam imobiliza-lo. Abriu bem o peito do sujeito e, diante daquele músculo vibrante, marcou-o delicadamente com o carimbo. "Este coração pertence. Quinze do dez de dois mil e dez". Descobriu, após viajar o mundo, que o melhor amor é o que se guarda, o que se estima, o que se lembra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6600409059048690374?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6600409059048690374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6600409059048690374&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6600409059048690374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6600409059048690374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/sacre-coeur-viii.html' title='Sacre Coeur VIII'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7270348211413170297</id><published>2011-03-22T12:14:00.001-03:00</published><updated>2011-03-22T12:14:34.073-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aracnophobia'/><title type='text'>Aracnophobia IV</title><content type='html'>Já eram 18h12 e lá fora já estava escuro. Eu fiquei o tempo todo sentado no sofá que dava para a porta, sem tirar os olhos da aranha por um segundo sequer. E ela, sem tirar as patas da porta pelo mesmo tempo. Ela estava ali, me espreitando, cerceando minha liberdade, zombando do meu medo, do qual ela tinha pleno conhecimento, já que tirava proveito disso. Nesse xadrez, a próxima peça a se mover teria que ser minha. Logicamente, perdi a entrevista, assim como o almoço, o lanche e o jantar. Nem água havia bebido. Nem fome havia sentido. O medo alimenta. Pensei em ligar para a agência e me desculpar, explicando o porquê de não ter comparecido à entrevista, motivo esse suficiente para não ter ligado. Alô. Alô, oi, é o Pablo, da entrevista. Oi, Pablo. Você não deveria estar na sala de Renato agora? Pois é, mas aconteceu um imprevisto. O que houve? Tem uma aranha na minha porta. Sério?! Nossa, que horror. Escuta, fica calmo, Pablo. Não se mova. Nós iremos até aí para lhe ajudar. Mas eu preciso que você fique na linha até que cheguemos, você entendeu? Entendi, sim. Obrigado, pessoal. Olha, eu tô indo na sala de Renato agora para chama-lo. Não faça nenhum movimento brusco, ok? Ok. Só um momento. Não, isso não aconteceu. É apenas meu ideal de mundo perfeito para aquele momento, minha teoria-viagem pablocentrista. Eu já estava queimado com a agência agora. E, não, ela não era fraca como eu disse à Plavia, óbvio. Eu realmente queria trabalhar lá. Mas ela não precisava saber disso, claro. Ela só precisava saber que eu adorava meu trabalho freelancer, com minhas marcas e revistas esporádicas que pagavam, pelo menos, a prestação do apartamento. O resto era com ela, que tinha emprego. Ainda bem que ela não reclamava, o que podia ocorrer, já que ela era mulher, e a sociedade criou a convenção de que os homens é que devem manter a família, independente da situação empregatícia da mulher. Mas essa não podia jamais segurar as rédeas de um lar, majoritariamente falando. Falando nela, a própria chegaria em breve. Não ligara desde que nos falamos, de manhã. Ocupada. Pensei em ligar para pedir que ela trouxesse algo para comer. Eu podia comer um cachorro-quente no trailer, lá embaixo, pois de repente bateu uma fome terrível. Mas a desocupada da aranha parece que não tinha nada melhor para fazer. Uma teia em outra casa, por exemplo. Botar ovos. Caçar umas moscas. Dar uma voltinha, apenas. Plavia me manda uma mensagem dizendo que ia ficar um pouco mais no trabalho, pois estava fechando um projeto grande para enviar ainda hoje. Não quis nem saber se eu estava vivo ou morto, saciado ou faminto. Alguma coisa precisava ser feita. Mas a aranha, a aranha continuava ali, mexendo-se apenas para amolar uma pata na outra, sonhando com a hora de me atacar. Às 20h21, minha garganta já estava seca e meu estômago já começava a doer. Queria ter uma espingarda agora. Furaria minha porta e a do vizinho, mas, se tivesse uma mira razoável, furaria ela também. Minha cabeça doía e pesava, as luzes giravam. Eu precisava sair dali. A dispensa estava vazia, então eu tinha que sair para comer. Mas tinha que ser agora. Mas agora ela estava maior. Suas presas já tocavam o teto e aquela baba venenosa escorria para o tapete, produzindo aquele som viscoso de. Não sei como consigo pensar em sexo até agora. Aquele som viscoso de cunnilingus. Pronto, falei. Foi o que mais me pareceu, por mais que a visão em questão fosse por demais asquerosa. Mais 15 minutos e ela não teria outra opção senão ficar sobre mim, aqueles pelos, aquela umidade, aquela viscosidade toda me cobrindo e dizendo "desculpa, amigo, mas a sala está ficando pequena demais para nós dois. Preciso lhe comer". Seria o fim. Eu tinha que avisar Plavia antes dela chegar em casa. Ela não precisava morrer também. Vai ver eu podia ser venenoso para essa aranha, lhe fazer mal e aí ela morreria ali na sala, murchando até seu tamanho normal. Eu salvaria Plavia. Um mártir aracnídeo. Ei. Eu ouvi um ei. Ei, rapaz. Quem entrou no meu apartamento sem que eu visse? Só faltava essa merda agora, um ladrão. Aqui, rapaz. Na porta. Pronto, fudeu. A aranha estava falando comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7270348211413170297?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7270348211413170297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7270348211413170297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7270348211413170297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7270348211413170297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/aracnophobia-iv.html' title='Aracnophobia IV'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1073486920585559332</id><published>2011-03-19T17:04:00.006-03:00</published><updated>2011-03-21T09:36:29.845-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur VII</title><content type='html'>Certo dia, foi um dia quente. Quente a ponto de criar uma camada úmida e permanente de um suor viscoso e límpido. Eu derretia em casa, enquanto pendurava a toalha, vestia uma bermuda, buscava o protetor solar e separava o dinheiro para ir à praia. Não que a água fosse provocar algum efeito refrescante, já que ela só não borbulhava porque sua constante movimentação, vai-e-vem e quebrar de ondas, não dos deixava ver a ebulição vulcânica que emergia sei lá de onde. Tudo pronto, faltando apenas o último item das Medidas de Segurança para Dias Insuportáveis: por uma camisa. Revirei minhas gavetas em busca dela, da amarela, aquela mais fininha, a preferida. Uma suave camada de tecido, fina o suficiente para não me deixar com o torso a mostra pela rua, transformando-me num ser um pouco mais civilizado, apesar das intempéries. Não estava lá. Não estava no cesto de roupa suja. Simplesmente não estava. Amaldiçoei gerações e gerações da minha família e a da faxineira, já que ela e minha mãe possivelmente eram, de alguma forma que prefiro ignorar, as responsáveis pelo sumiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto dela reluzia sobre a cômoda 1. pela beleza da composição (dela e da foto) e 2. pelo sol refletindo naquele errôneo papel fotográfico brilhoso no qual a moça da loja fez o favor de imprimi-la. Tinha aquele sorriso de mistério, meio sarcástico, meio desafiador, que só ela, com a maestria de um camisa 10, consegue fazer. Detive-me um instante àquele prodígio que a natureza, obscuramente, me agraciou e logo lembrei: a porra da camisa amarela estava com ela. Pois eu, certo dia - esse, um pouco mais ameno e ventilado - ofereci-lha logo que acordamos, para que ela não desfilasse despida em sua delicada nudez pelas janelas do apartamento que davam para o prédio vizinho. Não por ciúmes, mas por ganância mesmo. Só eu queria ter acesso àquela visão. Desde então, enfim, ela ficou com a camisa, com meu consentimento, como prova de confiança mútua inconsciente. Logo, ela tem minha camisa preferida em seu poder. Um sequestro que permiti. Rapidamente tratei de desconjurar meu senhorio daquela casa e, diante do calor, deixei escorrer junto com o suor meu lado maloqueiro que não conhecia e fui pegar o ônibus sem camisa mesmo. Tanto faz. A camisa fica melhor nela mesmo. Desde que a outra peça da composição seja apenas uma calcinha, daquelas pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parafraseando o mestre boêmio, senhor da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bonne vivance&lt;/span&gt;, Nelson Gonçalves: quando morrer, não quero choro nem vela, quero minha camisa amarela, grudada no corpo dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1073486920585559332?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1073486920585559332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1073486920585559332&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1073486920585559332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1073486920585559332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/sacre-coeur-vii.html' title='Sacre Coeur VII'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2847501772296718632</id><published>2011-03-18T14:34:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T14:42:00.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Off the Oyster'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Frase Diária&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;III&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calígula, moribundo, semi-jazia em seu leito, coberto por suor e alucinações. Um dos senadores de Roma, baba-ovo que só a porra, faz o seu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ofereço minha vida a Júpiter se ele poupar a do nosso amado Imperador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calígula, que era doido por um motivo pra matar alguém, levanta o tronco da cama:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Júpiter aceita sua oferta - e vira para os guardas. Executem-no!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Calígula (1979)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2847501772296718632?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2847501772296718632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2847501772296718632&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2847501772296718632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2847501772296718632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/frase-diaria-iii-caligula-moribundo.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4212024924895369248</id><published>2011-03-18T10:03:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T10:31:35.320-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aracnophobia'/><title type='text'>Aracnophobia III</title><content type='html'>Alô. Oi, pulmãozinho. Oi, fala. Tá ocupada? Bastante. Hum. Tu já tá na agência, na entrevista, né? Não, ainda tô em casa. Ô, pulmão, de novo? De novo o que? Mês passado tu fez a mesma coisa. Ah, aquela agência era muito fraca. O cara era um mercenário. Tu não quer trabalhar em agência, a questão é essa. Não, pulmãozete. A questão é outra, na verdade. O que é, então? Na verdade, eu até gostei dessa agência e pretendo ir à entrevista. Mas apareceu um imprevisto. Já são 9h36. Tu vai chegar lá em 24 minutos? Qualquer coisa eu pego um táxi, mas a questão não é essa. E qual é, então? Fala logo! Se tu deixasse. Tô deixando. Tá. Uma aranha. Como assim? Tem uma aranha na porta. E? Tu sabe que eu tenho problemas com aranhas. Já pensou em matar ela? Já. E ela também anda pensando nisso. Ai. Sério, eu tô sentindo que ela tá prestes a saltar em cima de mim pra me picar. E como tu sente isso? É todo um jogo de patas, o gestual. Oi? Fala mais alto, Pablo. Ela tá mexendo as patas de um jeito que mostra que ela vai atacar a qualquer momento. Por isso eu tô parado aqui no mesmo lugar há 5 minutos e falando baixo. Arram, sei. É sério. Olha, vai na área de serviço e pega a lata de Raid. Resolve logo isso e vai pra essa entrevista, tá? Tu fala isso porque não viu o tamanho dela. É uma aranha? É. Então não tem mais de 20cm. Tu é bem maior que isso. Vai, vai, vai. vai logo. Tu não tá entendendo. Pensa em alguma coisa da qual tu tem medo. Não tenho. Não tem medo de nada? Loja de sapato, talvez. Deixe de ser idiota, isso é sério. Olha, mata essa aranha logo. Como? Onde tu tá? Em frente à televisão. Então. Tem uma revista Caras aí, que eu trouxe do salão. Hum, tô vendo. Ela é grande e pesada, dá pra acertar daí. E se eu errar? Ela pelo menos vai sair do lugar e liberar sua saída, excelência. Mas vai continuar na casa. Isso, aí quanto tu voltar vocês continuam a batalha. Isso não vai dar certo. Olha, faz o que tu quiser aí, tá? Mais tarde a gente conversa, eu tenho que trabalhar. Tá. Beijo, tchau. Tchau. Ok, amiguinha. Agora somos só nós dois de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4212024924895369248?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4212024924895369248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4212024924895369248&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4212024924895369248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4212024924895369248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/aracnophobia-iii.html' title='Aracnophobia III'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6063890348462406986</id><published>2011-03-17T16:10:00.001-03:00</published><updated>2011-03-17T16:13:37.933-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aracnophobia'/><title type='text'>Aracnophobia II</title><content type='html'>A aranha na minha porta. Eu larguei a maçaneta na mesma hora e dei três largos passos pra trás, numa distância que me parecia segura contra qualquer tentativa de salto em hipérbole dela na minha direção. Eram 9h32 e a entrevista era às 10h. Sim, já podia contar pelo menos com o veneno da alta cúpula da agência, caso a aranha ali falhasse em sua missão de injetar toda a sua amargura peçonhenta nas minhas veias. Porque o medo não é da aranha em si. Posso até pegar uma com as mãos. Não, não posso. Mas posso me aproximar bastante de uma. A bronca é com o veneno mesmo, aqueles que causam lesões cutâneas irreversíveis, gangrena e necrose, além dos que matam fulminantemente. Nunca subestime a força de uma aranha-marrom, aranha-armadeira ou viúva negra. Já aprendi que a caranguejeira, assim como a naja, só tem muita pose e pouco veneno. Ambas são apenas criações dos anos 80, com muito neon e pompa e um design diferenciado e amedrontador. No mundo aracnídeo vale a lei do quanto menor, pior. Mas as maiores, mesmo se não muito venenosas, vem embutidas com aquela gritante placa de biohazard em sua envergadura. Uma compensação natural, como os coroas com crise de meia idade compram um conversível quando algo mais começa a falhar. E a aranha estampada em minha porta era dessas, grandes. Visualmente eu medi ali uns 2 metros e 30 centímetros de envergadura, de modo que ela tomava toda a porta e boa parte da parede onde ficava o quadro de Miró que, para Plavia, valia mais que o nosso amor declarado. Pra mim, são duas abstrações, mas ela é por demais capitalista. Qual o interesse dela nesses desenhos ridículos, que até a pequena Nina consegue fazer mais bem-feito todo dia, na escola? Mas, enfim, a aranha tinha aquela pata peluda roçando na tela, bem na cara do boneco de boca azul de Miró. Ela, agora, deve estar sentindo chagas lancinantes rasgando seu braço. Ela movia suas presas, passando uma na outra como quem amola uma faca de alta precisão. Passei em torno de 3 minutos para perceber que eu estava imóvel. Sabe como é, estava com medo de fazer qualquer movimento súbito, chamando a atenção dela para a minha posição, pois aqueles oito olhos funcionam como radares. Mas, diante de minha urgência horária, precisava tomar alguma atitude de homem. Então, meti a mão no bolso da frente da minha calça e procurei, procurei, procurei. Até que alcancei-o. Meu celular era minha arma mais letal. Digitei o número e fiquei ali admirando a força e a unidade da composição formada pelos dígitos 1, 9 e 3. Antes de pressionar a tecla verdinha, parei pra pensar no quão ridículo seria mover uma unidade móvel do Corpo de Bombeiros até minha casa para capturar uma. Aranha. Pensei no Butantan, mas esse fica no Rio e demoraria muito para que eles chegassem até aqui. Nesse instante, aquele monstro salivava e patipulava (manipular é para mãos, certo?) seu veneno como uma operadora de caixa no supermercado passa a língua no dedo para abrir as sacolas plásticas com mais facilidade. Ou como um contador lambe o polegar para contar dinheiro. Ou como uma mulher chupa os dedos para ajudar na sua fricção masturbatória. Tá, talvez essa descrição se encaixe melhor no requinte da crueldade envolvida. Eu já suava de medo, receio, praticamente já via meu corpo nas garras daquele ser gigantesco, sendo alvejado por seu veneno e carregado para o topo do prédio pela parte externa pelo King Kong aracnídeo. Ok, eu precisava de sensatez. Precisava esquecer os bombeiros, isso não ia dar certo. Olhei para um lado e vi a porta que levava para a área de serviço. Seria um deslocamento perigoso. Não, não. Tenho que fazer algo agora. Respirei fundo, estufei o peito e rilhei os dentes. Ia encarar essa situação de frente. Peguei o celular e liguei para Plavia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6063890348462406986?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6063890348462406986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6063890348462406986&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6063890348462406986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6063890348462406986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/aracnophobia-ii.html' title='Aracnophobia II'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4589235046622761089</id><published>2011-03-17T00:04:00.004-03:00</published><updated>2011-03-17T10:31:06.289-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aracnophobia'/><title type='text'>Aracnophobia I</title><content type='html'>A pasta. A pasta. A pasta. A pasta. Telefone tocando, que saco. Alô. Não, já tenho. Não, não quero. Não, querida, não quero. Eu já tenho. Eu só uso um. Não. Não. NÃO! Moedas pra passagem. Club Social. Porra, só sobrou o de queijo. Aliás, um bom momento pra perguntar: pra que porra eu compro Club Social de queijo? Tem gosto e cheiro de pé suado. Certo, o "gosto" foi suposição. Enfim, será que é a psicologia das gôndolas associada à teoria das cores fazendo efeito? Amarelo sempre puxa o olhar, dá fome, essas coisas que eu achava uma piada na faculdade mas que, sim, fazem todo o sentido. Funciona tão bem que, mesmo achando o produto que vem dentro do amarelo horrível, eu continuo comprando. O elevador chega, a porta abre, eu abro a porta, bom dia, vizinha gostosa. Vai pra onde, tão perfumado? Entrevista de emprego. Pensei que você já trabalhava. E trabalho, trabalho. Só que em casa. Hum. Vizinha gostosa me encarando apertando os olhos, me scanneando em 1200dpi, parando no meu pênis. Tênis. Parando no meu tênis, apesar de ter passado o pente fino no pênis também. Acho esse seu tênis muito legal. Valeu. Deve ser legal trabalhar com essas coisas, né? É, eu gosto. Resposta idiota, eu sei, mas a pergunta foi deveras imbecil.  Como é uma entrevista numa agência? Como em qualquer lugar. O cara vai perguntar da tua experiência, fazer um psicotécnico básico ali na hora mesmo e pronto. Se o cara for normal, ele volta pra casa. Ela ri com gosto, jogando o pescoço pra trás. Ela tava indo malhar, então tava toda lycreada. A blusa espremendo os peitos, a cintura pedindo pra montar nela e a pata de camelo pornograficamente se exibindo pra mim naquela calça absurdamente colada e absurdamente. Branca. Porra, porque ela não usa uma preta? Porque se fosse preta eu não me deteria tanto tempo naquele fusca a ponto de ela rir, rir, rir, parar de rir, olhar pra mim de novo para depois olhar para onde eu estava olhando, levantar a cabeça com um sorrisinho dizendo "mas que espertinho feladaputa" e me chamar ei, uma vez. Ei, duas vezes. Pablo, na terceira vez, naquele tom de voz de incredulidade e espanto que só as mulheres conseguem fazer. E aí, sim, eu deixei a vulva dela em paz. Ela sorria sem fazer nenhum som, com a boca escancarada e olhos arregalados, cruzando os braços. Plabia ia adorar saber disso, ela disse, escrota. Eu só consegui expelir um riso curto, que mais parecia um relincho e tentei pensar em alguma coisa pra falar, olhando pro teto. Ela aproveitou para se aproximar mais de mim. Eu estava olhando pro teto, mas meu lado primata pôde perceber, porque o cheiro dela ficou mais forte e o barulho da respiração mais intenso. A sombra dela também se mexeu na minha visão periférica lateral e o magnetismo de toda aquela lycra começou a eriçar os pelos no meu braço. Ela ia fazer alguma merda, desse jeito. Ou me induzir a uma. Parece muito tempo para uma viagem de elevador, mas eu moro no 21º andar, que fique claro. Isso tudo apesar de ser um mero designer freelancer. Sim, a entrevista. Pois é, Alice, a única diferença. Isso eu ainda olhando pra cima. A única diferença na entrevista pra designer é que a gente PUTAQUEPARIU. E, rapidamente apertei todos os botões que meus dedos podiam antes do cérebro encontrar calmamente o 21, o que eu, ser humano completo, realmente queria. Meus dedos se equivocaram, nervosos como se vissem uma vagina adolescente na primeira sarrada. O que foi, Pablo, ela perguntou. A pasta, a pasta. A essa altura, já estava de costas para ela, cabeça baixa apoiada na porta do elevador, dedos agora tamborilando freneticamente, o que me faz pensar se eles não são um pouco ansiosos e se não precisariam de uma terapia. Que pasta? Ela agora estava deixando de ser uma gostosa do caralho pra virar a pentelha da puta que pariu. A pasta, porra, a pasta, meu portfolio, meus trabalhos pra mostrar na entrevista. Eu falava calmo, apesar do tom pesado. Depois disso, percebi que ela encostou no fundo do elevador e não deu mais um pio. Eu continuava nervoso, pensando no ônibus, no trânsito, na carreira que eu ia ter que dar, na cara feia da recepcionista quando eu chegasse atrasado e da cara pior ainda do diretor de arte, que estaria conversando com o redator, que estaria metralhando piadinhas sarcásticas do tipo "opa, olha aí, Renato, nosso job chegou. Pode cancelar a pizza". Afinal, ele é pago pra isso. Pra fazer piadinhas idiotas sobre os outros. O elevador chegou no térreo, eu abri espaço e a vizinha gostosa mal passara por mim e eu já tava apertando o botão de fechar. Ela olhou muito puta pra mim, que estava com uma cara sofrível depois de pensar na história do redator e começar a realmente ficar preocupado com isso, e soltou um "boa sorte" tão agourento que eu mal consegui responder alguma coisa em volta. A subida pro 21 foi desumana, pois antes de chegar até lá, o elevador fez questão de seguir minhas instruções e parou religiosamente em cada um dos andares que meus dedos alucinados solicitaram. Eu fui até o 21 apertando o botão de fechar sem parar, suspirando de resignação. Quando ele enfim chegou, minha agonia já tinha se transformado em emputecimento de uma forma tão bisonha que chutei a porta do elevador para sair dele sem ter a cortesia de parar para pensar que poderia, por mais improvável que fosse, ter alguém ali naquela hora. Coloquei a chave na porta e girei a maçaneta até ouvir um gemido, olhar para o corredor e ver o zelador caído no chão. No baque da porta nem deu pra ouvir o impacto dela no nariz do coitado, que tava completamente atordoado, desnorteado magneticamente e realmente fudido. Aproveitando o momento "finnish him" dele, lá, cambaleante, entrei no meu apartamento antes que ele recobrasse a consciência. Corri até o quarto, peguei a famigerada pasta em cima da minha cama e ouvi a porta da sala bater num estrondo violento. Porra de vento. No pé que eu entrei no quarto peguei impulso para sair no mesmo. Vou colocando a mão na maçaneta já pensando no agá que eu ia fazer com Ernesto quando saísse. Fala, Ernesto, bom dia. Oxe, que porra foi essa, velho? Tá sangrando, vai fazer um curativo nisso aí. Já tás bebo a essa hora, é? Mas a minha cabeça deu rewind instantaneamente. Tinha uma aranha na porra da porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4589235046622761089?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4589235046622761089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4589235046622761089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4589235046622761089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4589235046622761089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/aracnophobia-i.html' title='Aracnophobia I'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3569120429461806293</id><published>2011-03-11T16:33:00.000-03:00</published><updated>2011-03-11T16:34:13.269-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Eu ignoro Lady Gaga</title><content type='html'>Não a reconheceria na rua. Não conheço uma música sequer dela. Não compreendo o hype em cima da figura. Eu só sei que ela é estranha, que se veste estranho, que é especulado que ela tem um mangote fuderoso e que ela é a nova Madonna. Mas eu lembro que Madonna emplacou um monte de música nos idos anos 80 e 90, e até por essa década que passou também. E que ela era polêmica, mas pela putaria, o que é bom. Mas ela não era estranha, exceto pela clássica falha entre os dois dentes da frente. Ela era gostosa e todo mundo viajava em dar uma currada nela. Creio que a ala macha atual não ia querer o mesmo com uma doida que tem uma jeba, né? Alguns discordarão, fato, mas não sou muito afeito a essas modernidades. Considerando que a música pop radiofônica de hoje é um lixo, comparando com a dos anos 80 - que também era um lixo, mas um lixo divertido - eu nem me arrisco a ligar o rádio e esperar pra ouvir a moça ou baixar qualquer sinfonia dela via cabo. Mas queria que alguém me dissesse: que porra é Lady Gaga?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3569120429461806293?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3569120429461806293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3569120429461806293&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3569120429461806293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3569120429461806293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/eu-ignoro-lady-gaga.html' title='Eu ignoro Lady Gaga'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7947975047850917105</id><published>2011-03-11T12:00:00.001-03:00</published><updated>2011-03-11T12:00:26.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur VI</title><content type='html'>O frevo tocava estridente a plenos metais, ora na nossa frente, ora pelas nossas costas. Mais que isso, havia a zoada do povo que nos acompanhava naquele ritmo de procissão, uns mais efusivos - os que dançavam, corriam, pulavam e ainda bebiam - e outros mais contidos, apenas admiradores daquela festa, daquele cheiro de mijo, do clima foda-se ou da própria efusividade daqueles seres puladores. De tantos dias, semanas e - por que não? - meses juntos, sobraram apenas horas. Horas, horas, assim, sem direito a mais prorrogação nenhuma. E nosso andar, por esse motivo, tornava-se lento, arrastado, preguiçoso, como se isso fosse, de alguma forma, adiar o inevitável. Diminuir as próprias rotações definitivamente não mantinha o tempo sonolento como andar na ponta dos pés mantem o silêncio acordado. Às vezes eu te olhava olhando para um nada no chão, como quem comunga diante de um objeto sacro num templo qualquer. Eu já sentia a pressão nas costas como se estivesse nadando em areia de ampulheta, próximo ao buraco que separa o tempo passado do tempo futuro, aquele ínfimo espaço que se chama presente, que nunca dura tempo. Aí a gente cortou caminho, tentou uns atalhos, retardar retardar retardar. Mas isso tudo cansa o corpo. E a gente queria dormir aquela última vez, mas não queria dormir, queria acordar e olhar o outro na cara, mas queria dormir e aproveitar aquele instante como fizemos nos outros dias. E tu dormiu e eu, ali, acordado. E tua cabeça na minha perna. E tua mente formulando de tudo pra cancelar o vôo, pra não me deixar ir, o que eu queria, mas o destino, esse não. Mas tudo valeu para a gente ganhar mais uns quilos de certeza do que a gente quer. A gente quer junto, bem junto. E vê se não solta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7947975047850917105?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7947975047850917105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7947975047850917105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7947975047850917105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7947975047850917105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/sacre-coeur-vi.html' title='Sacre Coeur VI'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8318003421600766902</id><published>2011-03-10T10:55:00.001-03:00</published><updated>2011-03-10T10:57:21.436-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escorre Pelas Veias'/><title type='text'>Escorre Pelas Veias I</title><content type='html'>"Eu sou o dono do mundo, porra!", gritava, fora de si, Adonias van Seere, aquele aleijo rebentado em terras neerlandesas, filho de um fazendeiro com uma professora universitária, cujo improvável enlace deu-se após uma feira de bovinos em Eindhoven, onde o charme árcade e o rústico odor com notas de madeira, esterco e capim do brutamontes a enebriaram a ponto de nem sequer perguntar seu nome antes de entregar-se a uma partida sexual nos fundos do stand do caipira, após numerosos e lascivos olhares para a figura portentosa - tão grande quanto os próprios touros - que devolveu os agrados com piscadelas, desvios de atenção para com seus clientes e um sorriso amarelado por séculos de café e nicotina, mas ainda assim alinhados. Foi uma transa vigorosa, rápida e cortante, que deixou todo o seu desejo escorrer por entre as pernas, de forma abundante. Sentia-se feliz por ter escolhido sua única saia para aquele evento, por se tratar de um domingo quente na cidade. Acordou decidida a investir em gado para aumentar sua renda. O rei dos bois a estocava com fúria, encostados na frágil parede de MDF do seu espaço, e os arranhões dela, Ylana Pluvoet, o deixavam ainda mais arisco. Ejaculou dentro dela, em abundância, ao passo que ela perdia seu compasso respiratório, por vezes parecendo que esquecera como o fazer. Durante os 12 minutos entre a primeira troca de olhares e o farfalhar da saia da srta. Pluvoet, numa tentativa de desencarquilhar-la, pois provavelmente sentiu-se bastante incomodada por ter estado entre as duas figuras, eles não trocaram uma palavra. Enquanto ele abotoava suas calças e afivela seu cinto, ela arrumava os cabelos, tudo de forma natural o bastante para que eles se sentissem como se tudo aquilo houvesse sido apenas um lapso no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após circular pelo restante da feira, Ylana retornou ao ponto inicial, como que impelida a dar ao menos alguma satisfação ao homem, já que ele provavelmente não se importaria com isso a ponto de fazer o mesmo. Já era o fim do evento, e ele atendia seus últimos interessados. Ela esperava, braços cruzados devido ao frio que chegava com a penumbra, olhando-o fixamente, tentando decifrar o sujeito que a comera sem nenhuma cerimômia, horas atrás. Começava a sentir algum asco, um profundo arrependimento tipicamente alcoólico por ter sido possuída por um ser que não diferia muito dos animais que vendia. Ela, elucubrada, incomodava-se com a forma como ele falava, numa ausência completa de qualquer teor formal de sua língua materna. Seu rosto contorcia-se com suas falhas de concordância. Dispensando o casal que demonstrou interesse em dois Holsteins, ele veio se aproximando da bela moça de cabelos castanhos com um sorriso triunfal, forjado pela percepção de um orgasmo ao qual lha induziu no início da tarde. Apresentaram-se formalmente. Ela, enojada; ele, orgulhoso. Ela evadia-se. Queria apenas referências, saber quem a havia penetrado. Ele a chamava de 'benzinho', fazia pouco caso de tudo aquilo, para não perder a pose de garanhão. Após dois minutos de conversa constrangedora e entrecortada por silêncios absolutos, ele entregou-a seu cartão, para o caso de realmente ter algum interesse real em seu gado. Ela tomou-o incrédula, pois o tratamento que lhe foi dispensado por aquele animal, por mais que fosse esperado, era nauseante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ylana nunca mais veria Tieme van Seere, mesmo que ele nunca tenha fugido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8318003421600766902?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8318003421600766902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8318003421600766902&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8318003421600766902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8318003421600766902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/escorre-pelas-veias-i.html' title='Escorre Pelas Veias I'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4880101820088083210</id><published>2011-03-09T13:13:00.004-03:00</published><updated>2011-03-09T18:05:20.056-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur V</title><content type='html'>E vivemos por períodos, sabendo que, assim como o inverno fornece-nos o abrigo, o porvir é imediato à saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E veio o carneval, arrastando consigo populações de almas duplas. Ele, que sempre veio para dilacerar tecidos, macerar corações e deturpar sentimentos. Ele, que fungava quente em minha nuca, entre risos embreagados de filhadaputice. E isso era o suficiente para assustar e criar em minha cabeça uma imagem tão tenebrosa e traumatizante como uma mula de olhos vermelhos no meio de uma noite permeada por demônios. Bastou uma manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal se instalava e já nos havia perdido de vista, de sopro ou sei lá o quê. Seus passos trôpegos não encontraram solo para nos perseguir, não. Logo perdia o interesse em nós, que estávamos pouco afeitos à confusão. And we waved bye bye.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Detesto o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estou&lt;/span&gt;, quando eu poderia muito bem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estamos&lt;/span&gt;. E essas malhas, todas elas, por mais interligadas que sejam, nunca serão capazes de nos unir como fazem duas genitálias que se beijam, se você entende o que eu quero dizer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promise me not to leave / I'm looking inside your brain / And, Christ, it's a cluttered mess / I love you I must confess&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porvir. O eterno retorno. Até que.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4880101820088083210?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4880101820088083210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4880101820088083210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4880101820088083210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4880101820088083210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/03/sacre-coeur-v.html' title='Sacre Coeur V'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3764489763177062955</id><published>2011-02-22T14:09:00.004-03:00</published><updated>2011-02-22T14:22:59.738-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur IV</title><content type='html'>Na noite seguinte, ressaca de festa, boca seca e abafada por um gosto estranho e misturado etilicamente que se arrotava pelas narinas e descia e subia pela garganta, trazendo nessas subidas novos compostos para a liga gasosa no meu céu bucal, consegui chegar ao armário da cozinha, onde pretendia espalhar um pouco de maionese por uma fatia de pão e joga-la na sanduicheira, na esperança que algo quente desinfetasse meu canal digestivo. Enquanto remexia tudo ainda aturdido, procurando uma faca de ponta arredondada para passar a maionese, um olho fechado, outro aberto, minha mão passou por uma cartela de alumínio, e o som deste arranhando a madeira do armário me chamou a atenção e o trouxe para perto dos meus olhos para que assim pudesse verificar o que era aquilo. Sim, uma cartela de comprimidos, óbvio. Eram os anticoncepcionais dela. Notando que apenas um dos nichos estava vazio, parei por um instante e pus as engrenagens para rotacionar e moer alguns neurônios, na tentativa de calcular quantos ela já deveria ter tomado. Logo lembrei que ela estava atrasada em cinco comprimidos. Suspirando preocupado, me vieram à mente as transas diárias que vínhamos cometendo há exatos 14 dias ininterruptos. Tudo bem, também era culpa minha, pois eu tinha a incumbência de alerta-la sobre essas pílulas, que ela eventualmente esquecia. Nunca sei calcular muito bem os processos que envolvem os atrasos, e, aproveitando-me de minha noia matinal pós-sono imediato, não titubeei. Enquanto ela dormia profundamente no quarto, estalei os cinco nichos correspondentes à nossa irresponsabilidade, tomei-os na mão, enchi um copo com água e fui em direção ao quarto. Lá chegando e vendo que ela ainda roncava profundamente, dei de ombros. Joguei os cinco na minha boca e empurrei-os goela abaixo com o copo d'água. E o gosto ruim na boca só piorou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3764489763177062955?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3764489763177062955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3764489763177062955&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3764489763177062955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3764489763177062955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/sacre-coeur-iv.html' title='Sacre Coeur IV'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7727384191490740218</id><published>2011-02-17T10:33:00.001-03:00</published><updated>2011-02-17T10:33:42.111-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>A letter</title><content type='html'>Querida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-te para aplacar a saudade, esta que já dura 3 intermináveis dias. O convívio contigo tem me reservado surpresas gratificantes. Detalhes que vão muito além daqueles descobertos em nossos passeios ao redor do parque, desfrutando do clima outonal, de braços dados, enquanto conversávamos sobre valores familiares, dotes, livros bobos e outras chatices as quais somos forçados, por imposição dessa sociedade burguesa, a discutir abertamente. Porque nós gostamos mesmo, quando em ambientes fechados e reservados de falar sobre fornicação. Sim, milady, o nosso singelo segredo pré-nupcial, aqueles atos libidinosos que enrubescem nossas faces no calor dos nossos lençóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, quão gratificante foi poder abandonar a fricção manual que tanto entoou meus sonhos mais lascivos em troca da úmida acolhida dos teus lábios mais macios. Que me perdoe o uso de tão vãs palavras para vos descrever, mas ocorre que agora sinto um desejo implacável que estufa solidamente minhas calças. Creio que esses pensamentos sejam um pouco avançados para a época tão formal em que vivemos, mas a verdade é que me falta paciência para lidar com esses nossos costumes tão hipócritas. Minha mãe insiste que eu aprenda o piano e meu pai, que eu invista no estudo do Direito, tudo para que eu mantenha minha cabeça distante desses atos impróprios em que já me perdi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço desde já as anáguas que deixaste em meu poder. Elas tem sido de grande valia para a manutenção da poluição mental que me assola. Acredito que minha carreira, seja lá qual fosse, está ruída. Bem que os médicos de todo o país alertaram para os malefícios dos atos sexuais, que nos deturpam o corpo e a mente. Mas creio que nunca estive tão são como agora me encontro, beneficiado pelo caldo formado pelo nosso suor e demais fluidos. Partir todo dia, pela manhã, tornou-se um sacrifício, pois me é bastante penoso abandonar-te em tua cama e fugir pela janela do teu quarto. Mas é gratificante ver-te, sempre que esvazio meu lado dormido, mudar-se para o canto que ali deixei aquecido, como quem procura o amado que já não está mais ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo-te um beijo e o desejo de ver-te em breve em meus braços. Anseio vigorosamente pela visão, odor e abundância de tuas ancas. Perdoe-me novamente pela minha ousadia. Não deixe que seus pais vejam esta carta sob hipótese alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7727384191490740218?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7727384191490740218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7727384191490740218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7727384191490740218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7727384191490740218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/letter.html' title='A letter'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7676908944189116358</id><published>2011-02-16T12:28:00.001-03:00</published><updated>2011-02-16T12:28:35.268-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olímpico'/><title type='text'>Olímpico II</title><content type='html'>Zeus, em seus trajes de turista, chegou para Hércules, que tava de boréstia, sentado numa pedra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, Hércules. Pensando na morte do minotauro?&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Como é que tá essa bomba, meu querido?&lt;br /&gt;- Já disse que não tomo essas paradas.&lt;br /&gt;- Sei. Vê só, tu já acabou aqueles 12 trabalhos, finalmente?&lt;br /&gt;- Faz tempo, vi.&lt;br /&gt;- E foi? Tás desempregado, então?&lt;br /&gt;- Tô, né.&lt;br /&gt;- Porra... tô com um trampo patú.&lt;br /&gt;- É mermo? Qualé?&lt;br /&gt;- Seguinte, meu velho. Perséfone tá estilando lá em casa, reclamando que tá trabalhando muito nhen-nhen-nhen. Só que é época de colheita e ela tá a fim de voltar pro inferno.&lt;br /&gt;- Porra, Zeus... trabalho de jardinagem pra cima de moi é foda.&lt;br /&gt;- Oxe, por que, porra?&lt;br /&gt;- Tem uma parada mais braçal, não?&lt;br /&gt;- Ei, min. Tu já viu o tamanho dos jerimuns? E os tomates? Tão parecendo hidrocele de bode, esse ano.&lt;br /&gt;- Sim, pô. Mas eu prefiro matar uns leões, umas hidras, uns javalis, tá ligado?&lt;br /&gt;- E tu acha que essas paradas dão cria, é? Só tinha um de cada, caralho. Tu matou tudo. Já era. Já pensasse se aparecesse um minotaurozinho cada vez que um retard... (pigarro) um guerreiro entrasse naquele labirinto?&lt;br /&gt;- (suspiro) Vai. Quanto eu ganho nessa parada?&lt;br /&gt;- Quando um deus manda tu fazer alguma coisa, tu não cobra, tu obedece. Passa lá amanhã de manhã, antes do meu vôo pra Miami.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Zeus, arrastando suas sandálias de borracha e pondo seus óculos escuros, saiu assoviando em direção à Casa de Afrodite. Hércules, injuriado, murmurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puta merda. Quando é que vão inventar o ateísmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7676908944189116358?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7676908944189116358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7676908944189116358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7676908944189116358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7676908944189116358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/olimpico-ii.html' title='Olímpico II'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5474851190220739433</id><published>2011-02-16T12:09:00.000-03:00</published><updated>2011-02-16T12:10:06.730-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olímpico'/><title type='text'>Olímpico I</title><content type='html'>Perséfone chegou na cozinha do Olimpo com várias sacas de vegetais recém-colhidos. Esbaforida, olhou muito puta pra Zeus, que assistia um jogo de rugby na TV enquanto entornava uma dose de Campari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso aqui tá foda, hein?&lt;br /&gt;- Oi? - Zeus tomou um susto, derramando metade do Campari na própria barba, conferindo-lhe um visual amedrontador. Somando-se a isso, ele possuía uma voz de deus, que ressoava gravemente por todos os aposentos.&lt;br /&gt;- Esse teto de gesso rebaixado vai te deixar mouco, velho nojento. A não ser que tu comece a falar baixo.&lt;br /&gt;- Não posso, sou um deus - deu de ombros e virou novamente para a TV.&lt;br /&gt;- Aliás - ela praticamente ignorou Zeus, que também não estava muito preocupado com ela mesmo - isso aqui tá parecendo um motel, com essas estátuas nuas, esses falos, esses ornamentos de conchas...&lt;br /&gt;- Isso é Grécia, baby. Depois que Afrodite resolveu entrar pra Escola de Arquitetura, a tendência aqui é essa.&lt;br /&gt;- É uma puta mesmo - resmungou Perséfone, baixinho.&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;- Nada, nada. Pensei alto.&lt;br /&gt;- Tá - e voltou para o rugby novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perséfone ficou boquiaberta com a capacidade de ignorar pessoas que Zeus tinha. Ficou ali, parada, esperando alguma reação, com as mãos na cintura. O máximo que viu foi ele gargalhando às lágrimas ao ver um jogador ser esmagado no campo por um bolo de 12 adversários que saltaram sobre ele, e o som dessa explosão de galhofa foi ensurdecedor dentro da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, isso é muito bom - disse Zeus, entre risos incontidos.&lt;br /&gt;- Se eu soubesse que vinha pra cá passar dois terços do ano como escrava agricultora, tinha preferido ficar com o crápula do Hades lá no inferno mesmo.&lt;br /&gt;- Oi? - Zeus virou-se, ainda rindo e com lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;- Pra merda, velho surdo - e saiu.&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeus olhou para trás, mas Perséfone já se havia ido. Então, emburrado, ele suspirou e voltou novamente a assistir o jogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mulheres... péssima ideia, Zeus. Péssima ideia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5474851190220739433?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5474851190220739433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5474851190220739433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5474851190220739433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5474851190220739433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/olimpico-i.html' title='Olímpico I'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-9056136643325389084</id><published>2011-02-15T20:04:00.002-03:00</published><updated>2011-02-15T21:59:55.894-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas Cardíacas'/><title type='text'>Crônicas Cardíacas I</title><content type='html'>Era mais ou menos 1h, quando o ser com formato de coração estava em frente à sua boate preferida, perto do cais, reduto marginal de uma cidade que ele frequentava apenas durante o sono. Ao entrar na fila, assoviava alegremente uma canção do R.E.M. dos anos 80 e, apesar da hora um pouco avançada, não demonstrava nenhum sinal de cansaço, visto que, na verdade, estava dormindo nesse instante, mas a sua contraparte onírica, bem, essa havia acabado de despertar. Enquanto sorvia generosos goles de um destilado gelado qualquer que comprara ali mesmo na fila, alguém de feições abatidas aproximou-se e empurrou-o com uma das mãos, fazendo com que as pessoas na fila abrissem um clarão em volta da situação. O ser abatido pendia para lá e para cá, como que bicado, esperando apenas que o coração estarrasse com ele. Mesmo tendo derramado metade de sua long neck com a sacudida, o coração tentou amenizar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual foi, bróder?&lt;br /&gt;- Que é que tu tá fazendo aqui, fresco?&lt;br /&gt;- Curtindo uma fila, né foda? - tentou rechaçar definitivamente aquela interpelação desagradável.&lt;br /&gt;- Que é que tu tá fazendo aqui, fre-fresco? - voltou a perguntar, confirmando sua embriaguez.&lt;br /&gt;- Oxe, quem é tu pra ficar me aperreando, boy? - disse, abrindo os braços na direção do ébrio, com as mãos voltadas para dentro, como um mano.&lt;br /&gt;- Tu. Tu-tu que taí, todo todo, vermelho pra caralho, toma-mando e-essa porra aí, na fila de uma bo-boate, a essa hora e-e-e sozinho.&lt;br /&gt;- Qual o teu problema com isso, doido?!&lt;br /&gt;- Tu-tu devia tá em casa. Com tua namo-namorada, po-porra.&lt;br /&gt;- E como é que tu sabe que eu tenho namorada?&lt;br /&gt;- Tu é um coração, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia sentido. Era um coração, e dos grandes. Dos que desfilam suas batidas perfeitas e ribombantes por aí, causando deslumbre nas moças e despeito nos rapazes. Era de bom porte, de sangue bonito, de válvulas bem torneadas e músculos rijos. Mas ele não era esse petardo à toa. Bombeavam ali litros e litros de sangue apaixonado. Do contrário, não seria assim tão reluzente e chamativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, e o cu?&lt;br /&gt;- Tu veio pra cá-cá pra quê? Pa-pa se amostrar, é? Tu te-tem namorada e veio aqui pa-pa pegar mais mulher, foi? Vai pra casa! Vai pra casa, doido!&lt;br /&gt;- Mai agora fudeu. E eu não posso sair sozinho não, é? Vai amulegá tuas nêga, porra.&lt;br /&gt;- Eu-eu-eu... - travou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila toda, que já observava a cena atentamente, prendeu a respiração. O coração, tranquilo, apesar daquela amolação toda, apenas esperava o fim da sentença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu iria, se eu tivesse pelo menos uma - e murchou.&lt;br /&gt;- Vá, conte aí seus problemas, vá - ele sentiu pena e passou o braço pelos ombros daquela falência afetiva.&lt;br /&gt;- Não tem problema. Eu só fico andando por aí, procurando esses caras como tu, que tem namorada, que é feliz, que bomba, mas que fica saindo sozinho. Eu sei que tu não vai pegar ninguém, que tu já tá pleno, confiante, cheio de sangue e de si, mas é foda... é foda porque eu não consigo isso. Eu vivo levando ré. Não consigo chegar nesse teu nível. É inveja mesmo, foi mal.&lt;br /&gt;- Relaxe, meu irmão. Ó, vamo fazer isso. Entra aí comigo, que eu te ajudo a arrumar umas doidinha limpeza. Aí, é só a...&lt;br /&gt;- Não. Não, deixa pra lá. Por hoje basta. Já enchi o saco de mais uns três feito tu. Vai curtir tua felicidade aí. Vou pra casa dormir naquela casa escura, vazia, sem móveis, só com aquele quadro de um vaso de flores e minha cama de campanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu andando. Era a vez do coração na fila. Antes de sumir porta adentro, ele deu uma última olhada para o fim da rua, e viu que, por baixo da camisa e da jaqueta do sujeito, haviam artérias e aortas ressecadas, e tecido cardíaco flácido, que ele arrastava pelo chão como uma elefantíase morta. Aquele coração já era. Nem marcapasso resolveria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-9056136643325389084?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/9056136643325389084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=9056136643325389084&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/9056136643325389084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/9056136643325389084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/cronicas-cardiacas-i.html' title='Crônicas Cardíacas I'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4806146866245303534</id><published>2011-02-09T09:32:00.002-03:00</published><updated>2011-02-10T16:36:52.498-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>For better or for worse, a best we began</title><content type='html'>Você deixou uma nota quando saiu, essa manhã. Apesar do teor abrasivo, seu tom foi amigável, contribuindo para a indiferença do meu rosto. Você não me entende, e você não me entende, e você não me entende. Sou uma besta machista, isso eu entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei da cama e vi que você também deixou seus saltos. Calcei-os com alguma dificuldade, por serem 5 números a menos que o meu. Eles apertaram meus dedos com convicção, e me senti forçado a manter uma posição ereta, o que era bom, visto que, com o passar do tempo, eu involuía para a constituição cervical de um neanderthal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagueando tropegamente, gritando por dentro a cada passo, consegui me apoiar no batente da porta, clamando por uma muleta, uma bengala, seu ombro direito ou você inteira para também me explicar como convivia pacificamente com esses instrumentos de tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao banheiro já me apoiando com as duas mãos espalmadas sobre a pia. Lá estava sua necessaire maquilante, reluzindo no canto, abaixo da toalha. Cada frasco me lembrava um órgão emergido em formol, tamanha a curiosidade que despertavam em mim. Comecei pelo batom. Senti-me como uma criança que empunha um lápis pela primeira vez. Com a mão esquerda. Destra. Meus lábios tomaram uma forma inexistente, exceto em patologias cutâneas graves raras ou em obras cubistas ou colagens dadaístas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui para o blush, que me parecia fácil. O objetivo era não ficar com as bochechas parecidas com as de uma boneca. Objetivo que eu prontamente não atingi. Com o rímel nas mãos, parti para os olhos. Com os pés latejando, minhas pálpebras tremiam e urinavam, dificultando uma caracterização mais correta. Ao fim de tudo, parecia um Robert Smith pós-overdose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os pés em auto-flagelação, os olhos úmidos e ardentes e lábios com gosto de lápis de cera, segui para a área de serviço e me apossei da vassoura. Enquanto varria a casa, em meio a uma sequência de baques, tentava preparar o almoço. Resultado da peleja: uma casa com a sujeira espalhada mais uniformemente e o milagre de transformar arroz branco em arroz negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exausto, sentei na poltrona da sala para fazer as unhas. Ganhei cutículas sangrentas. Desisti de tudo isso e fui assistir à novela da tarde. Ali eu vi como é difícil para você ser tudo isso pra mim. Um clarão se abriu diante dos meus olhos e me convenci da dificuldade de ser uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu prometi nunca mais te importunar. Hoje aprendi o que é compreensão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4806146866245303534?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4806146866245303534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4806146866245303534&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4806146866245303534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4806146866245303534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/for-better-or-for-worse-best-we-began.html' title='For better or for worse, a best we began'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-708250109754395771</id><published>2011-02-09T08:06:00.001-03:00</published><updated>2011-02-09T08:06:57.502-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A última noite de um homem</title><content type='html'>O dia de hoje começou da mesma forma que os anteriores. Não houve nenhum cataclisma metereológico e todas as coisas e pessoas continuavam em seu lugar - nada sumiu. Levantara tão sadio quanto nos últimos 14 meses que sucederam sua última crise de sinusite. Seu emprego era estável e até gozava de uma certa autoridade, mesmo que não tirasse proveito disso. Morava só, mas por opção própria, uma vez que era bem apanhado e costumava estar bem acompanhado. Acabara de retornar de uma viagem ao Japão, que sempre quis conhecer, e de comprar um novo Honda. Mas, por alguma razão, ele montou essa ideia básica em sua cabeça: "preciso morrer hoje". Não haviam vozes em sua cabeça o pressionando para tal, nem nenhum outro motivo aparente. Só havia acordado com esse alerta diante de seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catatônico, seguiu automaticamente para a poltrona da sala onde tomava seu café da manhã antes do trabalho. Fixou, durante 5 minutos, seu olhar num ponto da parede. Repentinamente, estava buscando em sua cabeça alguma coisa interessante para fazer em sua vida. Percebeu que ela resumia-se a casa-trabalho-casa-filmes-livros-música. Ora, era uma mediocridade que ele até gostava, pois sentia-se seguro em casa, entretido em seu confinamento. Ele não lembrava naquele instante, e de tão acostumado não o faria em momento algum, mas solidão era a palavra-chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O famoso nó na garganta, travando todas as paredes. A pressão ocular e as lágrimas represadas. A agonia nas pernas e a falta de concentração. A vontade de chorar era horrenda. Não conseguia aceitar que seu corpo clamasse por um fim, estando ele no alto de seus bem vividos trinta e quatro anos, independente, capaz, admirado. Dentro de um certo limite de razoabilidade, dir-se-ia que podia ter tudo o que quisesse. E talvez esse fosse o problema. Ele nada queria. Não mais. Não agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Live fast, die young", relembrou num sussurro. Olhava fixo para sua janela. Olhava os prédios, contando as janelas iluminadas, calculando a quantidade de vida que acontecia por ali. Somava a isso os sons, a algazarra, as sirenes. Concluiu "já há vida suficiente nessa vida". A luz naquele apartamento continuou acesa. A vida é feita de aparências.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-708250109754395771?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/708250109754395771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=708250109754395771&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/708250109754395771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/708250109754395771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/02/ultima-noite-de-um-homem.html' title='A última noite de um homem'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7934413980232067775</id><published>2011-01-31T10:14:00.002-03:00</published><updated>2011-01-31T10:16:57.668-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música Diária'/><title type='text'>Send that money for a rainy day</title><content type='html'>For the sake of future days&lt;br /&gt;You hide behind a borrowed chase&lt;br /&gt;It's all for the sake of future days&lt;br /&gt;For the sake of future days&lt;br /&gt;For the sake of future days&lt;br /&gt;For the sake of future days&lt;br /&gt;For the sake of future days&lt;br /&gt;For the sake of future days&lt;br /&gt;For the sake of future days&lt;br /&gt;For the s&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7934413980232067775?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7934413980232067775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7934413980232067775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7934413980232067775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7934413980232067775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/send-that-money-for-rainy-day.html' title='Send that money for a rainy day'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3075549965348667849</id><published>2011-01-30T03:25:00.006-03:00</published><updated>2011-01-30T13:37:57.641-03:00</updated><title type='text'>E por falar em saudade</title><content type='html'>&lt;div id="rangeSel"&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" src="http://www.youtube.com/embed/x787IgD-fQA" allowfullscreen="" frameborder="0" height="244" width="300"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Onde anda você? Onde andam seus olhos, que a gente não vê? Onde anda esse corpo que me deixou louco de tanto prazer? E por falar em beleza, onde anda a canção que se ouvia na noite dos bares de então? Onde a gente ficava, onde a gente se amava em total solidão. Hoje eu saio na noite vazia, numa boemia sem razão de ser. Na rotina dos bares, que apesar dos pesares, me trazem você. E por falar em paixão, em razão de viver, você bem que podia me aparecer nesses mesmos lugares, na noite, nos bares. Onde anda você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde? Te procuro na cama todas as noites, te encontro nos sonhos, mas eis que te agarro intangível. Cadê o calor, cadê a pele, cadê você? Você que teima, que teima, em desaparecer. E, por mais que nossa distância tenha encurtado algumas horas, ainda te sinto distante o suficiente pra me emburrar. Porque há algo em você que me faz incompleto. E esse algo se chama ausência. Porque, parafraseando os crentes, há um vazio aqui dentro, e ele tem o teu formato, tua finura, teu embaralho capilar, tuas pernas longas e até a silhueta do bafo que tu expira. Sinceramente, sozinho aqui, eu não sou porra nenhuma. E, pior ainda, ninguém é porra nenhuma, pois nada se iguala, nada se compara, nada sequer chega aos pés do que você é. É forte e é pesado. É um sentimento que barra qualquer ansiedade. Vá lá, saudade é uma merda. Exceto quando vale a pena. Porque nada substitui um abraço Infraero, o tremelique de te sentir, corpo, alma e amor, por dias e dias corridos. Porque, se existe amor nessa vida, minha querida, ele encarnou em você. E - melhor ainda - baixou em mim. Felizmente, eu desconto minha raiva nas palavras, em desatinos produzidos pela falta. É meu desabafo, é meu desconto, é minha gaia. Eu boto gaia em tu com as palavras. Fico aqui profanando cada sílaba, oração, advérbios e subjuntivos, tentando encontrar uma forma de chamar tua atenção, de prender tua respiração, mesmo que por poucos segundos, pra aliviar a sensação de distância. Saudade é doida. Dar razão a algo que não está. Pra quem é ateu, funciona quase como uma adoração ao Vácuo. Crer no que não há. Mas se eu tenho fé em uma coisa nessa vida, é em você. Tanto que já tenho meu pequeno altar. Mas, como diz o cancioneiro popular, amanhã vai ser outro dia. E, melhor, vai chegar o dia em que todo dia vai ser outro dia, só porque eu acredito na gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3075549965348667849?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3075549965348667849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3075549965348667849&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3075549965348667849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3075549965348667849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/e-por-falar-em-saudade.html' title='E por falar em saudade'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/x787IgD-fQA/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6681235403142868979</id><published>2011-01-28T18:32:00.002-03:00</published><updated>2011-01-28T20:18:59.235-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>My Ship</title><content type='html'>Ring. Ring. Ring. Desde as 16h o telefone toca sem descanso. Desde as 16h05 eu abaixei seu volume. São 23h25 e o telefone continua a tocar. O celular também, mas este sempre esteve no silencioso. Desde as 18h estou esvaziando uma garrafa de Jack Daniels. Antes disso, desde as 14h50, eu estava ocupado esvaziando uma de Jose Cuervo. Sozinho, sem atrapalhar ninguém. Agora, plena sexta-feira, a cidade parece ter tomado um porre de Dramin. O silêncio impera 23 andares abaixo. Sentado em frente à janela da minha sala, começo a tirar conclusões sobre temas aleatórios, enquanto o gelo no meu copo dilui o encorpado sabor bourbon, que aos poucos vai perdendo seu tom caramelado. Dentre meu devaneios, concluí que "My Ship" é a música mais elegante da história. E que sapatos de bico fino são a versão diabolicamente masculinas dos escarpins que nossas mulheres usam. E que separar os dedos dos pés como uma cirurgia para siameses após um dia inteiro calçando esses torniquetes é um dos alongamentos mais prazerosos para um homem. E observar um céu completamente estrelado daquela altura, numa sala completamente escura, com o vento sussurrando entre as frestas das janelas, como uma voz lhe chamando, faz você temer pela sua própria integridade, tamanha a vontade de saltar. Mas o telefone insiste em tocar, quebrando qualquer clima mais intimista entre minha vida e sua morte. Vencido pela insistência, resolvo, no fundo das minhas ideias, atende-lo. Estava a fim de me sentir querido naquele momento solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;br /&gt;- Ah, graças a Deus... - expirou a voz do lado de lá.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Roberto, você é um filho da puta - o que soa bem melhor saindo dos lábios de uma mulher.&lt;br /&gt;- Está uma linda noite hoje, Margô. Por acaso você já pegou aquela garrafa horrível de Campari e se debruçou na varanda pra sentir o vento lambendo sua cara?&lt;br /&gt;- Roberto, seu filho da puta... ai - ela ainda suspirava em alívios constantes - você. Você tem ideia - agora, já soluçava num choro enviesado - Você tem ideia do que eu fiquei pensando a tarde toda? Por que porra você não atende a merda do seu telefone?&lt;br /&gt;- Beibe, para com isso. Eu precisava tirar a tarde do gancho.&lt;br /&gt;- (suspiros).&lt;br /&gt;- Olha, eu tô bem. Muito bem, por sinal.&lt;br /&gt;- Sim, já percebi. Todos na empresa estavam perguntando por você. Todos estavam LIGANDO pra você. A diretoria da John Deer estava perguntando por você, com uma garrafa de Jack Daniels para lhe presentear na reunião de hoje. E cadê você?&lt;br /&gt;- Ah, que bosta! Eu tive que sair para comprar uma!&lt;br /&gt;- Deixa de ser imbecil, Roberto.&lt;br /&gt;- Margô, eu sou o dono daquela merda, e, sinceramente, eu tô cagando se a empresa vai pra frente ou vai quebrar. Eu quero viver um pouco.&lt;br /&gt;- Faça isso com responsabilidade, Roberto. Muita gente, diferente de você, depende da empresa pra viver.&lt;br /&gt;- Ai, ai. Margô, por que você não vem aqui tomar alguma coisa comigo? Posso preparar aquela tilápia com gorgonzola que faz você se derreter pra mim. Daí, você aproveita e confere essa maravilha de céu.&lt;br /&gt;- Pois eu vou fazer isso mesmo, seu imprestável - já ria - me dê 40 minutos para um banho esfoliante e uma depilação rápida.&lt;br /&gt;- Poupe-me dos detalhes sórdidos.&lt;br /&gt;- Não poupo, pois sei que você gosta.&lt;br /&gt;- Que bom que sabe.&lt;br /&gt;- Um beijo, Michael Douglas.&lt;br /&gt;- Um cunnilingus pra você, Katrina.&lt;br /&gt;- Irei cobrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei daquela vida onde eu dava satisfações. Cansei da bajulação, de ambos os lados. Cansei do controle acionário. Segunda-feira instituirei o uso de sandálias na empresa. E adicionarei um bebedouro com puro malte na copa. E pouco me importa o que Dow Jones, Nasdaq e Bovespa irão pensar a respeito. As vidas andam sedentas por prazer. O controle do mundo é meu. O controle do meu mundo é meu. My ship.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6681235403142868979?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6681235403142868979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6681235403142868979&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6681235403142868979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6681235403142868979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/my-ship-ring.html' title='My Ship'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8534602769460550360</id><published>2011-01-27T00:27:00.005-03:00</published><updated>2011-01-28T19:44:48.787-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur III [Touched by Bob Charles]</title><content type='html'>Deixa&lt;br /&gt;Eu invadir&lt;br /&gt;As tuas páginas&lt;br /&gt;E, entrelinhas&lt;br /&gt;Me escrever&lt;br /&gt;Ao teu lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Libere&lt;br /&gt;A rasura&lt;br /&gt;Dos meus erros&lt;br /&gt;Aponta&lt;br /&gt;O teu lápis&lt;br /&gt;E escreve "sossego"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa&lt;br /&gt;Eu ficar tonto&lt;br /&gt;Nas curvas da tua assinatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser&lt;br /&gt;O adesivo bonito&lt;br /&gt;Que teus segredos emoldura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dupla-face das tuas fotos&lt;br /&gt;Tuas tristezas&lt;br /&gt;E amarguras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu primeiro beijo&lt;br /&gt;Primeiro amor&lt;br /&gt;Platônico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa&lt;br /&gt;Eu me marcar&lt;br /&gt;Em todas as folhas&lt;br /&gt;Janeiro&lt;br /&gt;Dezembro&lt;br /&gt;Meses, anos inteiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa só&lt;br /&gt;Eu estar em teu passado&lt;br /&gt;Enquanto no presente&lt;br /&gt;Ser teu velho namorado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8534602769460550360?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8534602769460550360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8534602769460550360&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8534602769460550360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8534602769460550360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/sacre-coeur-iii-touched-by-bob-charles.html' title='Sacre Coeur III [Touched by Bob Charles]'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5713169205527075393</id><published>2011-01-26T13:10:00.001-03:00</published><updated>2011-01-28T19:45:01.523-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Situaçães'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>Lalabuta</title><content type='html'>Quando em casa, você cruza com os demais habitantes desta várias vezes por dia e tem grande liberdade de tratamento. Pode chamar seu irmão de viado, sua irmã de rapariga, pode dar um tapa na bunda da sua mãe ao cruzar com ela (não incestuosamente) no corredor, enfim, ter uma certa intimidade para com os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e no trabalho? Teoricamente, a etiqueta atual propõe um ambiente mais arejado, sem muita separação hierárquica. Chefe brinca com encarregado, que tira onda com gerente e coisa assim. Mas não funciona exatamente dessa forma. Havemos de ser informais formalmente. Não carece usar pronomes de tratamento, palavras difíceis, ficar cheio de dedo. Num fortuito encontro de corredor, ainda cabe um comentário imbecil, uma ou outra brincadeirinha suave. Mas nada que cause constrangimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e quando você não conhece a pessoa? Considerando uma empresa grande, com funcionários na casa das centenas, isso é normal. Não precisa virar íntimo. Um bom dia já é suficiente para aqueles com quem você já almoçou na mesma mesa uma vez. Para os completos desconhecidos, aqueles com quem você nunca trocou sequer tal bom dia, basta aquele sorriso de conforto, como quem deseja pêsames pelo ente falecido, com a cabeça baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para os desafetos? Cinismo e ironia, ora. Sorriso de escárnio, olhos cerrados e aquele "faaaala, meu futuro chefe" seguido de um tapinha no ombro com uma força pouco acima do necessário. Ou, para os menos efusivos e confiantes, o surrado, porém prático, sorriso de desdém, aquele com um quê de reprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para as secretárias, aquela encoxada na máquina de xerox #lenda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5713169205527075393?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5713169205527075393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5713169205527075393&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5713169205527075393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5713169205527075393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/lalabuta-quando-em-casa-voce-cruza-com.html' title='Lalabuta'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6073954930375980947</id><published>2011-01-24T14:31:00.002-03:00</published><updated>2011-01-28T19:45:23.596-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Necrofilia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur II</title><content type='html'>Fiz um cartaz de "Procura-se". Preto no branco, fácil de ler, Arial 72,  informações em seus devidos pesos, incluindo a clara visualização do valor da recompensa. Fixei-o em todas as correntes de ar que encontrava, buscando a melhor difusão possível. Depois de andar duas quadras, encontrei um velho espilongado, na rua sem muros, apoiado em sua bengala, olhando um dos cartazes, que bailava vagarosamente no ar. Com um semblante rabujento, ficava fungando e meneando a cabeça em desaprovação. Ao me aproximar, ele virou-se rapidamente, bradando aquele pedaço de madeira na minha direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa merda! Essa merda é sua, não é? Esse cartaz idiota, seu idiota!&lt;br /&gt;- É meu, sim. Por que?&lt;br /&gt;- Por que? - ficou mais nervoso diante da minha resposta, e seus movimentos ficaram hesitantes, dividindo seu olhar entre o cartaz e eu - Mas, mas... como assim, "por que"? Olha essa bosta de cartaz, seu retardado! Não tem foto!&lt;br /&gt;- É, eu sei.&lt;br /&gt;- Como alguém pode achar uma pessoa pra você sem saber quem é?&lt;br /&gt;- Mas o cartaz tem uma descrição. Ali embaixo, ó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tirou seu pince-nez do bolso do seu paletó bege surrado, pôs no rosto e o aproximou do cartaz, apertando os olhos. Começou a coçar a cabeça por baixo do chapéu e leu sibilantemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mulher... dois filhos... cachorros... acompanhar filmes... magra feito bambu... experiente... se entregue a sentimentos... sorvete... goste diversão... confiável... deitar cabeça no peito... goste dormir... beber... humpf. Você pede muito. Nunca vai encontrar uma dessas, garoto.&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- É utopia, idealização demais. Por que perder tempo procurando alguém que tenha tudo isso quando é muito mais simples se adaptar a uma moça qualquer por aí?&lt;br /&gt;- Porque acho que se eu posso ser a idealização de alguém neste mundo, por que não poderia procurar pela minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho me escaneou de cima a baixo, com desdém, muito desdém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O problema é que você pode demorar anos pra encontrar essa pessoa, garoto.&lt;br /&gt;- Que eu saiba, só resta uma menina nesse mundo. Então não vai ser difícil reconhecê-la, quando aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o velho respondesse, ouviu-se o som de folhas secas sendo pisoteadas atrás de nós. Virando nossas cabeças, detivemos nossos olhos um no outro por um instante, assustados. Ao virar-me completamente, vi uma figura pálida e magra feito um bambu segurando um cão pela coleira com uma mão e um dos cartazes na outra, no final da rua. O velho olhou para mim, atônito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já sabia, não era?&lt;br /&gt;- Sempre soube. Era só uma questão de confrontar meu pessimismo.&lt;br /&gt;- É. Pode ir, garoto. O mundo é seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele imediatamente evanesceu. Do fim da rua, a moça-bambu apontava para o cartaz em suas mãos e sorria para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6073954930375980947?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6073954930375980947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6073954930375980947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6073954930375980947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6073954930375980947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/sacre-coeur-ii-fiz-um-cartaz-de-procura.html' title='Sacre Coeur II'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3529004137305971123</id><published>2011-01-21T13:54:00.006-03:00</published><updated>2011-01-28T19:45:35.942-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bestialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'>Dá uma pitada no cigarro pra ficar gostoso</title><content type='html'>Viva a juventude revolucionária brasileira, que anda assistindo muitos filmes ambientados nos duros anos ditatoriais! Viva o resgate das palavras de ordem e protesto! Viva Rodrigo Santoro pagando de galã de esquerda! Sem querer mainardizar o processo, mas a atuação dessa galera é medíocre. Pra mim, trata-se mais de um marketing fajuto e descarado do que real vontade de mudar o que anda errado no país. Uma necessidade de engajamento em causas virtuais (a essa altura, já teria sido apedrejado se tivesse saído na rua). Esse novo movimento "avante, companheiros" muito me lembra a história dos rebeldes sem causa, os punks de boutique, aqueles que eram contra o tal do sistema (que ninguém nunca viu mais gordo) e tinham sua "causa" bancada pelos papais abastados, que os deixavam brincar de revoltados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que hoje essa juventude encontra-se mais chata, pois além de brigar por qualquer mudança de temperatura, agora também trazem na corcunda o fardo da xenofobia. Sim, pra fazer parte da elite comunista você só pode curtir o que há de mais brasileño no mercado. As únicas excessões são para nossos hermanos do Mercosul + Cuba. Então, todos juntos, mandemos um "fuck you" para a literatura, música e cinema imperialista dos EUA e demais sítios do primeiro mundo. Porque o cool é enaltecer a pobreza que é comum a todo brasileiro nesse mundo e fazer com que todos se sintam culpados pela fartura capitalista que guardam em suas almas. Não que essa galera se enquadre no perfil do pobre brasileiro - pelo contrário, é a classe média que possui acesso à internet com banda larga, saneamento básico e celular pós-pago, além de carro e casa própria dos pais - mas é muito mais legal ser visto como tal. De preferência, junto com eles. Porque existe coisa mais admirável do que conversar com aquele morador de rua depois de uma noite de cachaça, brindar um quartinho com ele e ainda tirar uma foto pra postar no Facebook depois? Não sei onde isso ajuda o sujeito, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que essa turminha "do bem" tem produzido, afinal? Além de encher a cara ao som da mais pura MPB na casa dos outros, naquele clima de Festival da Canção, caprichando nos entorpecentes, claro. Nada contra a combinação, porque também gosto, mas pra quem cobra tanto um melhor posicionamento do governo em relação a certos assuntos devia estar mais preocupado com estratégias militantes. Porque se realmente lhes faltasse alguma coisa na vida, além de perspectiva, eles realmente pensariam nisso. Mas a classe média jovem brasileira sempre vai ter onde se amparar, vulgo pais. Ora, se sonham tanto com essa utopia socialista fideliana, por que não começam a fazer a parada funcionar por aqui? Por que não abrem a porta de suas casas para abrigar uns sem-teto de vez em quando? Por que não doam a comida sempre excedente de seus lares? Por que não provocam um surto de inclusão digital, deixando a galera acessar a internet de suas casas? Simplesmente porque pobreza é muito mais legal à distância, e uma distância bem confortável, confortável de tal modo que não os atinja. O bom é só pegar carona nas causas mesmo. Isso pega bem pras gatinhas e gatinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3529004137305971123?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3529004137305971123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3529004137305971123&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3529004137305971123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3529004137305971123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/da-uma-pitada-no-cigarro-pra-ficar.html' title='Dá uma pitada no cigarro pra ficar gostoso'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1615313239041933484</id><published>2011-01-18T15:06:00.003-03:00</published><updated>2011-01-28T19:45:51.210-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Necrofilia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Bora, Exu</title><content type='html'>Foi um tiro no escuro, te juro. E como todo tiro no escuro, corre o risco de acertar uma jugular perambulante. Transformar um 'adeus' em 'tchau' é trabalho hercúleo, que faz o truquezinho de transformar água em vinho do nazareno virar brincadeira de Daniel Azulay. Nunca vou esquecer o sorriso na porta daquela moça. Era um sorriso de desafio, do tipo "arram, vai pensando que acaba aqui, visse". Mas ela tava certa. Eu fui saindo de fininho pelo elevador com aquela pala que era mais típica de vendedor de enciclopédia. Cheguei, convenci, vendi uns volumes e adiós. Não, companheiro. Não é assim que se faz. A partir daquele momento, você (eu) assumiu um compromisso, tão eterno quanto vender a alma ao diabo, sendo que, nesse caso, quem vende a tal alma ao Tranca-Rua já sabe o que tá perdendo. No MEU caso, só senti depois. Aquele sorriso fervendo de sarcasmo não podia ser de felicidade. Era o sorriso de quem tinha entornado mais uma alma inocente, assumindo o joystick de um coração abigobal. A danada sorria de triunfo, e eu quase gaguejante, me sentindo cada vez mais culpado por estar partindo. E partindo no meio uma noite tão bonita. "Vai porque quer. Falta de chamego no toitiço que não é", diria o mestre Coxinha. Ah, porra, para de me olhar assim, lembrando de tudo que eu vou perder quando fechar a porta desse elevador. Mas, cascavilhando bem, tinha alguma ternura ali. Porque a criatura não pode ser toda malícia. Foi ali, naquela porta, um pouco antes, na horizontal esfericamente iluminada, antes ainda, nos cones crus, antes, antes, brechando tuas coxas no carro no caminho do teu antro domiciliar, mas ainda antes disso, quando te liguei naquele domingo, conforme prometido, mas ainda tinha mais antes disso, ali, naquele batom vermelho. Isso, foi ali. Ali que eu saquei todo o teu esquema. Tenho certeza que foi intencional. Tu pôs aquele batom pra me derrubar. Usurpadora de uma figa. Sendo assim, eu nunca disse 'adeus'. Nunca direi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1615313239041933484?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1615313239041933484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1615313239041933484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1615313239041933484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1615313239041933484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/bora-exu-foi-um-tiro-no-escuro-te-juro.html' title='Bora, Exu'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-6347487556980164403</id><published>2011-01-12T09:32:00.001-03:00</published><updated>2011-01-28T19:46:06.469-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>65</title><content type='html'>- Aqui, não. É muito estreito - olhar pseudo-técnico, com a típica mão no queixo de quem olha, olha e tenta ganhar tempo para pensar numa solução, quando, na verdade, desde o primeiro instante ele sabia que não iria resolver esse problema.&lt;br /&gt;- E onde, então? - olhar perdido, admirando os próprios calçados, já contando que ele virá com uma solução brilhante, o que não acontecerá.&lt;br /&gt;- A gente pode pendurar no teto. É só amarrar os cadarços nos ganchinhos - sarcasmo, por dois motivos: por ter notado o olhar perdido dela; e por não chegar a nenhuma conclusão razoável, disfarçando sua incompetência com um tom que parece ser inteligente.&lt;br /&gt;- Ei, isso é sério! - o despertar diante do absurdo, que o obrigará a encontrar uma solução de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele manteve a mão no queixo por mais uns dois minutos, até que, já preocupado com o silêncio, olhou de soslaio para o lado, quebrando, assim, qualquer traço de uma concentração que nunca existiu e percebeu que ela olhava para ele. Tentou retomar o ar professoral, franzindo o cenho e rapidamente focando novamente na parede que poderia receber os 65 pares de calçado. Mas já era tarde demais. Tendo noção disso, decidiu que havia perdido o jogo e resolveu encara-la, voltando o rosto vagarosamente para ela, como que para certificar que ela realmente estava fitando-o. Ela tinha um misto de complacência e carência no rosto, como que implorando por uma solução para um dos maiores dilemas da sua vida. Ele meneou a cabeça verticalmente, com ar de condolência (comprimindo os lábios e arqueando as sobrancelhas para cima), fazendo notar que a solução estava muito além da sua compreensão. Como ele, ela já havia notado que ele não chegaria a uma ideia plausível desde o primeiro momento, mas ao mesmo tempo ela queria que ele puxasse um coelho da cartola, mesmo sem ao menos ter uma cartola. E, para isso, usou do artifício mais baixo da raça feminina: cutucar o orgulho fálico alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que você fosse designer - falou, por fim, num tom de decepção, voltando o rosto também para a parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um ser que dormira debaixo d'água a noite inteira lembra que não é um anfíbio e emerge à superfície com grande esparro, ele arregalara os olhos, agora tomados de um ódio visceral, ao mesmo tempo que uma música do Cannibal Corpse começava a retumbar em sua cabeça, como que para inflamar a provocação, ele inflou o peito cerca de 30 litros, arqueou as sobrancelhas de volta para baixo e retrucou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha, meu sobrenome é Handyman! - quase batendo no peito de pombo como um primata.&lt;br /&gt;- Então - já caminhando em direção à porta do quarto, sem nem olhar para ele - dê um jeito nisso, que eu vou dar um jeito no meu cabelo, lá em Agnelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atônito e estupefato, boca batendo na pélvis, o pedal duplo no bumbo da música do Cannibal metralhava sua macheza, agora não só ferida, mas dilacerada e amputada. Bufando para exaurir toda a avacalhação proporcionada ao seu ser, ele decidiu que iria não só chegar a uma solução para acomodar os 65 pares de calçado dos dois (62 dela, 3 dele, sendo dois pares de Havaianas), como também montar a parada toda do próprio punho, com seus conhecimentos de marcenaria e ergonomia nulos típicos de um designer gráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passadas seis horas, ela girava a chave e abria a porta da cozinha, visivelmente bem-humorada, imperceptivelmente modificada e cantarolava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coraçã-ãão! E aííí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele surgiu em sua frente, olhar exausto, suado, furadeira na mão, sem camisa, uma figura na contraluz daquele fim de tarde, quase uma cena do Massacre da Serra Elétrica. Ela, nitidamente assustada, recuou dois passos diante da ameaça e clamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coração? Tá tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele avançou dois passos, arrastados, ainda sem emitir um som. Aproximou-se dela, olhos pesados, banhado em serragem, empunhou a furadeira até encosta-la no seu rosto e suspirou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terror em seu olhar deu lugar a um sorriso aberto, sincero, surpreso, de êxito pelo bom funcionamento de sua provocação. Tomou o rosto dele em suas mãos e o beijou com vontade, correndo imediatamente para o quarto. Era uma solução de fato genial. Cabides feitos de varas de alumínio, onde se pendurariam os ganchos que segurariam os pares de calçados, sendo as varas em tamanho decrescente, formando uma espécie de triângulo, cada qual comportando 6, 5, 4, 3 e a última, a mais próxima da porta, apenas 2 pares, de modo que ela poderia ser aberta e fechada sem problemas. Feliz com o empenho mas, principalmente, com o novo lar de seus pares de sandália, tênis e chinelos, adotou um ar quase idiota, batendo palminhas infantis diante daquele monumento do design. Ele, nesse instante, chegava ao quarto para receber os agradecimentos, que foram quase instantâneos. Tão instantâneos que ele mal percebeu que fora jogado violentamente na cama, no que ela já desabotoava a blusa para saltar sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único erro dele foi ter deixado a etiqueta escrita "Tok&amp;amp;Stok" na base do cabideiro, o que ela prontamente ignorou, já que era justamente o que queria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-6347487556980164403?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/6347487556980164403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=6347487556980164403&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6347487556980164403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/6347487556980164403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/65-aqui-nao.html' title='65'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4255874451780748551</id><published>2011-01-11T09:07:00.002-03:00</published><updated>2011-01-28T19:46:19.394-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Necrofilia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Til one and one are one, eleven</title><content type='html'>Cumplicidade.&lt;br /&gt;É conversar horas e horas e horas com a mesma pessoa.&lt;br /&gt;E ser vencido apenas pelo cansaço.&lt;br /&gt;Acordar, olhar pro lado, encarar e conseguir sorrir, pelos anos que lhe restam.&lt;br /&gt;É pensar um café-da-manhã para dois, sem negociar revezamento.&lt;br /&gt;É lembrar diante de qualquer vitrine, banca de jornal, árvore ou nuvem.&lt;br /&gt;O suplício de dormir só, rolando de um lado para outro e acordando mal-humorado.&lt;br /&gt;É a confiança cega.&lt;br /&gt;Olhares estúpidos e lacrimejantes.&lt;br /&gt;Minha mão na tua, na iminência do primeiro beijo.&lt;br /&gt;Até o último.&lt;br /&gt;Procurar minha mão na cama, nos primeiros espamos diante de um pesadelo.&lt;br /&gt;Pura inconsciência.&lt;br /&gt;Sentir a ausência e chamar pelo nome.&lt;br /&gt;É o grude que não suja.&lt;br /&gt;São os planos que fazemos de cara séria.&lt;br /&gt;A sombra que não incomoda.&lt;br /&gt;The hand that feeds.&lt;br /&gt;É a hora precisa.&lt;br /&gt;É a palavra precisa.&lt;br /&gt;É o toque preciso.&lt;br /&gt;É de você que preciso.&lt;br /&gt;Uma admiração, um tesão endógeno.&lt;br /&gt;É ignorar e ceder.&lt;br /&gt;É quando um e um são onze, não dois.&lt;br /&gt;Juntos, porém independentes.&lt;br /&gt;Eu, você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4255874451780748551?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4255874451780748551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4255874451780748551&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4255874451780748551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4255874451780748551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/til-one-and-one-are-one-eleven.html' title='Til one and one are one, eleven'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7178604278828544043</id><published>2011-01-09T19:47:00.003-03:00</published><updated>2011-01-28T19:46:35.357-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'>Especial de cumpleaños</title><content type='html'>Tenho muito mais paciência com os outros do que comigo mesma, e mais facilidade em descobrir o seu lado bom do que o meu próprio. Sou desse tipo de pessoa. Minha existência pode ser comparada à lixa na lateral da caixa de fósforos. Mas não faz mal, eu não me importo. Não ligo mesmo. Prefiro ser uma caixa de fósforos de primeira qualidade a um palito de segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Haruki Murakami - Norwegian Wood&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7178604278828544043?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7178604278828544043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7178604278828544043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7178604278828544043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7178604278828544043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/especial-de-cumpleanos-tenho-muito-mais.html' title='Especial de cumpleaños'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7670832836676432739</id><published>2011-01-07T14:28:00.002-03:00</published><updated>2011-01-28T19:46:50.392-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Necrofilia'/><title type='text'>Se7en Two</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;11:12&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol à pino castigava as paredes do prédio, e seu calor irradiava com tanta força que parecia querer empurrar o concreto até penetra-lo para preencher cada um daqueles apartamentos que, em vão, tentavam se proteger com cortinas e ventiladores. Em vão. A relação entre as partes era osmótica. Os raios fritavam a superfície, e essa era, então, obrigada a repassar a inflamação para seu interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 402, em particular, estava assolado pela penumbra. As cortinas escuras em todas as janelas do apartamento deixavam trespassar luz suficiente apenas para colorir as paredes e piso do recinto em escuros tons de laranja. Debaixo da porta da sala haviam contas de telefone, folhetos promocionais de pizzaria e farmácia, uma carta de algum sujeito apaixonado. Sobre a mesa, copos usados, salgados e um sanduíche de atum pela metade, estragados pela ação de 6 dias. As moscas, até então desconhecidas ali, deglutiam seu banquete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo pelo corredor que separa a sala dos quartos, já percebia-se um ambiente menos favorecido pelo sol, devido às portas fechadas e a ausência de janelas. Um odor mais forte vinha da porta do lado esquerdo, quase assumindo um aspecto verde pastoso, passando com algum esforço pelo vão inferior da peça de madeira. Ao abrir a porta, teríamos um ambiente completamente escurecido pelas cortinas com blackout, não fosse a tela do notebook ligada, conferindo um aspecto frio ao quarto. O cheiro de decomposição era terrível e contrastava diretamente com o belo dia que corria do lado de fora. Havia um reluzente pacote vazio de Ruffles sobre a cama, notado apenas por conta da luz emitida pela tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também havia um corpo. Aproximando-se, a pele apresentava-se esverdeada, com veias saltadas por todo o rosto. A moça trajava uma camisola azul com bolinhas brancas transparente, o que deixava seios perfeitos à mostra. A tela do notebook mostrava uma caixa de e-mail abarrotada, em sua maior parte por mensagens de Facebook, todas perguntando "cadê tu?" ou similares. O smartphone ao lado do corpo começou a tocar. Era uma música de Otto. Peguei-o e pensei em atender, mas, como narrador, não poderia interferir na estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto era bonito. Tinha os olhos arregalados e a boca aberta de quem exalou um último suspiro. Uma larva saía amistosamente de lá, acompanhada por uma trilha de formigas, que revelaram-se diante da visão que se acostumava com a escuridão. Escaras em carne viva dominavam as costas, nádegas e coxas dela. As mensagens de Facebook não paravam de chegar, mantendo o notebook ligado. A fonte fervia. O ar-condicionado do quarto estava ligado. Parecia um ambiente aconchegante, naquele escuro. Logo, não foi assassinato, não foi nenhuma morte fulminante, nem foi suicídio. Ela não apresentava sinais para tal. Era uma pena. Uma garota tão linda, tão jovem. Ela morreu de inércia. Ela nem percebeu que morreu. Ela morreu de preguiça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7670832836676432739?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7670832836676432739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7670832836676432739&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7670832836676432739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7670832836676432739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/seven-two-1112-o-sol-pino-castigava-as.html' title='Se7en Two'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8035199010674329155</id><published>2011-01-07T12:56:00.004-03:00</published><updated>2011-01-28T19:47:02.238-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><title type='text'>Relatório</title><content type='html'>Completando dois anos no mesmo emprego, o que é inédito, e o que eu apurei aqui em Belo Horizonte? &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;UMA&lt;/span&gt; banda decente. Tudo bem, tudo bem, podia ser pior. Podia ser Salvador. Então, lá vai: Graveola e o Lixo Polifônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://graveola.com.br/site/"&gt;http://graveola.com.br/site/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8035199010674329155?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8035199010674329155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8035199010674329155&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8035199010674329155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8035199010674329155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/relatorio-completando-dois-anos-no.html' title='Relatório'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4209379431632918715</id><published>2011-01-04T11:43:00.004-03:00</published><updated>2011-01-28T19:47:19.895-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sacre Coeur'/><title type='text'>Sacre Coeur I</title><content type='html'>Tirando a carteira do bolso pra pagar a corrida de 28 reais, o taxista, carioca tipicamente malandro, residindo há 12 anos no Recife, e última testemunha ocular da despedida, me interpela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso te falar uma coisa?&lt;br /&gt;- Lógico.&lt;br /&gt;- Eu já conheci o grande amor da minha vida e sou muito feliz por isso. Mesmo que não tenha dado certo, já sou muito feliz de ter vivido esse grande amor. Cara, tem muita gente que passa por essa vida e não tem essa chance. Então, eu te digo: se você tem um grande amor na sua vida, não deixe passar. Viva mesmo, faça tudo o que puder pra mante-lo, pra não se arrepender depois. Lute.&lt;br /&gt;- É. Eu sei. Eu vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçada essa situação. Foi um dia depois de eu ter lido uma coluna de Lya Luft onde ela dizia que taxistas, devido às inúmeras corridas diárias e ao convívio constante com todo tipo de pessoa e situação, são grandes sociólogos. O cara aí realmente não precisou de muito papo e observação pra tirar essa conclusão, ali, no fim da corrida, como que pra coroar toda a análise que fez do meu silêncio e da voz embargada no começo da conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra fechar a sessão de psicologia afetiva popular, uma frase num para-choque de caminhão agora pela manhã nublada, voltando do aeroporto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Viajo porque preciso, volto porque te amo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4209379431632918715?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4209379431632918715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4209379431632918715&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4209379431632918715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4209379431632918715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2011/01/sacre-coeur-i-tirando-carteira-do-bolso.html' title='Sacre Coeur I'/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-4455683867464155493</id><published>2010-12-23T09:24:00.004-03:00</published><updated>2010-12-23T09:35:12.214-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Planos: quanto mais a gente acha que faz, mais a gente tem certeza que quer ou as multifacetas de uma canção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero tocar fogo neste apartamento&lt;br /&gt;Eu quero uma casa no campo&lt;br /&gt;Eu quero botar meu bloco na rua&lt;br /&gt;Eu quero morrer no seu bloco&lt;br /&gt;Eu quero levar uma vida moderninha&lt;br /&gt; Eu quero passar o final de semana contigo&lt;br /&gt;Eu quero me enrolar nos teus cabelos&lt;br /&gt;Eu quero ser seu travesseiro e ter a noite inteira&lt;br /&gt;Eu quero é ficar colado à sua pele noite e dia&lt;br /&gt;Eu quero um calor no inverno&lt;br /&gt;Eu quero um gole de cerveja no seu copo&lt;br /&gt;Eu quero paz&lt;br /&gt;Eu quero ver o que vai acontecer&lt;br /&gt;Eu quero ser sua canção&lt;br /&gt;Eu quero você como eu quero&lt;br /&gt;Eu quero gozar no seu céu&lt;br /&gt;Mas pode ser no seu inferno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-4455683867464155493?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/4455683867464155493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=4455683867464155493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4455683867464155493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/4455683867464155493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/12/planos-quanto-mais-gente-acha-que-faz.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7846015537888149307</id><published>2010-12-18T16:51:00.003-03:00</published><updated>2010-12-19T04:16:13.227-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Devil Mental&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Só não digo que é completo porque não te cheiro. Porque não sinto nem o cheiro de trabalho nem o de banho tomado na hora de pular na cama. Só não digo que é completo porque não te degusto. Não provo nem do gosto da tua boca quando acordas, nem o sal da tua lágrima, nem aquele. Só não digo mesmo que é completo - e aí não seria mais tão 'só' assim - porque não te toco. Pois bem. Eu preferia ter os membros dormentes, as papilas desativadas e o nariz dilacerado, pra poder ficar do teu lado, só pra te ver se mexendo e dizendo 'eu te amo'".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7846015537888149307?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7846015537888149307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7846015537888149307&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7846015537888149307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7846015537888149307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/12/devil-mental-so-nao-digo-que-e-completo.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5471849600623363036</id><published>2010-12-15T18:14:00.001-03:00</published><updated>2010-12-15T18:14:31.042-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TeXXXtinhos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TeXXXtinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;VII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Meat Issues&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da linha, a receptora demorava a atender. Já iam três, quatro, cinco, seis. Seis toques. Daqueles longos, com intervalos gigantes entre eles, quase tão ruim quanto chamadas de espera e suas composições oito bits ou trechos de canções loopadas. Deste lado, a respiração se fazia impaciente. Ele fazia questão de fungar perto do aparelho para sentir o volume da sua agonia. Seis toques. Bastante, pra quem demandara uma certa urgência para retornar essa ligação no meio de uma reunião com clientes de Brasília. A impaciência era maior que o temor de algum acontecimento mais grave, já que ela estava sozinha em casa esses dias. No fatídico sexto toque, ele já estava com a cabeça virada para trás, tentando olhar o comportamento dos clientes através do vidro. Ele tinha frases prontas para impressiona-los e tinha medo que a reunião se encerrasse abruptamente e o prazo de validade delas definhasse. No intervalo que se iniciava imediatamente após o sexto toque, quando ele percebeu que um sétimo toque viria, bufou com a mão esquerda na cintura, começando a bater o pé nervosamente no chão. Antes deste sétimo toque, que seria o estopim da bomba, e após o qual ele soltaria um "caralho" entre-lábios, o clique soou do outro lado, sonolento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô...&lt;br /&gt;- Oi. Que houve?&lt;br /&gt;- Ah, oi, coração. Como é que tá por aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impacientsia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coração, tá meio apertado. Diz o que é.&lt;br /&gt;- Ah...&lt;br /&gt;- Vaaai, coração, diz logo - quasi puto.&lt;br /&gt;- É que eu tô com um problema aqui.&lt;br /&gt;- Que foi? O gás? Arrombaram a porta? Tem ladrão aí? Roubaram o carro, o que?&lt;br /&gt;- Não... nada disso, não...&lt;br /&gt;- Qual o problema, então?!&lt;br /&gt;- É problema de carne...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechando os olhos com força, ele prendeu a represa que ameaçava a segurança que mantinha em seu rosto, tão necessária para aquela reunião, encostou na parede com um estrondo, pôs a mão na boca e lembrou das duas semanas que já se encontrava fora de casa. E ela sentia a ausência de seu complemento da forma mais natural possível. Não eram as contas, não eram as compras a fazer, não era uma parede para furar, não era uma necessidade funcional. Era carne. Só carne. Pura e crua, cruelmente carne. E só um a quem recorrer. Porque era o melhor encaixe, porque era a melhor sincronia. Porque, vai saber, era a melhor carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já chego, coração - nó na garganta dificulta a fala. Impossível disfarçar.&lt;br /&gt;- Vem logo.&lt;br /&gt;- Eu vou.&lt;br /&gt;- Agora.&lt;br /&gt;- Agora não dá.&lt;br /&gt;- Preciso de tu.&lt;br /&gt;- Acredite, eu também. Tu não sabe como.&lt;br /&gt;- Comprei coisas novas.&lt;br /&gt;- Para com isso.&lt;br /&gt;- Só quando tu começar - e riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5471849600623363036?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5471849600623363036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5471849600623363036&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5471849600623363036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5471849600623363036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/12/texxxtinhos-vii-meat-issues-do-outro.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2165487104983912534</id><published>2010-12-10T11:13:00.004-03:00</published><updated>2010-12-10T18:03:19.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TeXXXtinhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SEXO AQUI'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TeXXXtinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;VI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jonas, o estuprador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas era um estuprador. Carteira assinada, registro no sindicato, profissional exemplar. Sua jornada era de 6h, então tinha tempo para desenvolver seus hobbies no resto do dia, como a jardinagem e o aeromodelismo. Sua condição era razoável, vivia num bairro agradável e era querido pelos vizinhos. Mas havia um detalhe que o impedia de crescer na profissão: ele se apaixonava por suas vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonas - esse era o chefe - veja bem... todo mês você fica bem abaixo de sua meta. Eu até reconheço que você estupra bem, tem approach, pegada, é rápido no bote. Mas algumas de nossas vítimas tem reclamado da sua demora no ato, do seu excesso de carinho, das palavras bonitas, que você não sai correndo quando termina, esse tipo de coisa. O que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Douglas, eu tenho tentado fazer meu trabalho de acordo com as recomendações do ISO. Inclusive, nunca uma vítima minha conseguiu se desvencilhar e escapar ou gritar para chamar a polícia. Eu sempre fui muito eficiente nisso, mas... mas é que... não sei como dizer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala, garotão. Confie em mim, você é quase um filho. Você tem potencial, você é bom, um campeão, um garanhão, mas preciso que você se abra pra mim. Faça isso por mim, por você, pela institui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... eu me apaixono pelas minhas vítimas. Isso. Pronto - disse, num tiro só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonas... Jonas, Jonas, Jonas... explica isso direito, rapaz - falou o chefe, na maior das calmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei dizer, seu Douglas. Elas se excitam, eu sinto tesão, elas gemem, se contorcem, a coisa começa a ficar boa, ela tem orgasmos, depois paramos e fumamos um cigarro enquanto faço carinho nela. E depois marcamos pra sair mais uma vez, e outra, e outra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por isso que você passa dias sem arremeter contra nenhuma mulher, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso, seu Douglas. Certamente, nesses momentos, estou a passear com ela no zoológico, no cinema ou coisa parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas porque elas se excitam, como você deixa isso acontecer? Você não bate nelas? Não utiliza o recurso do atentado violento ao pudor? O que falta? Uma especialização? Um treinamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... eu não consigo bater nelas. Só de leve, na bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cristo tenha piedade de você, rapaz! - falou, com certo nojo. Que espécie de estuprador é você? Veja, vou lhe dar duas semanas para mudar sua índole. Ou serei forçado a mandar você embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sem mas nem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois, Jonas mantinha a mesma pegada, o mesmo rendimento, e continuava contrariando o chefe ao sair com suas vítimas em horário de trabalho. Numa quinta-feira, conduzindo Michelle - a nova vítima - de volta à sua casa, o casal foi surpreendido por um sujeito que se esgueirava por um estreito beco dominado por ratos. Tomou Michelle pela boca, ameaçando Jonas com um revólver, mandando-o ir embora. Seguindo em direção ao beco em poder da pobre e doce Michelle - que seria vítima de estupro pela segunda vez na mesma semana - o meliante tirou a máscara e sorriu para Jonas. Era Douglas, seu chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está demitido, Jonas. Demitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trauma da demissão veio a calhar para Jonas, outrora funcionário exemplar na antiga agência. Toda a raiva e frustração transformou-se em força de trabalho. Ele agora era realmente violento, um carrasco. Transformou o próprio trabalho em hobby, fazendo definhar seu frondoso jardim e criando uma grossa camada de pó em seus aeromodelos. Estuprava o dia todo, para ficar afiado, para tornar-se o melhor no que fazia. Violentava E espancava suas vítimas, deixando-as sempre com alguma sequela. Tão bom ficou na sua arte em sua nova agência que logo foi promovido a gerente do Setor Diurno, a casta mais alta da empresa. Mas ficou mesmo tão bom, mas tão bom, que logo as suas vítimas estava apaixonadas pela virilidade daquele mestre do sexo forçado. Recebia diariamente calcinhas em sua caixa de correio e cartinhas depravadas de suas vítimas, sabe-se lá como descobriam seu endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não durou muito para seu rendimento cair novamente. Meses depois estava demitido novamente. Nunca mais fez sexo na vida. É perigoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2165487104983912534?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2165487104983912534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2165487104983912534&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2165487104983912534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2165487104983912534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/12/texxxtinhos-vi-jonas-o-estuprador-jonas.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3744854272108766512</id><published>2010-12-09T08:51:00.001-03:00</published><updated>2010-12-09T09:11:41.251-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Time signatures&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que voar, pois esse era mais sonho de Ícaro, o homem sempre desejou controle sobre o tempo. Qual ser nunca viajou numa imortalidade? Beleza, Saramago já discorreu sobre a possibilidade e ela não pareceu das melhores. Pelo menos, da forma que ele pintou. Porque nós sempre pensamos que a imortalidade começaria a partir do instante que atingíssemos uma idade relativamente madura, quando estaríamos relativamente saudáveis e bonitos e relativamente cultos e de bem com a vida, agora que essa não mais se esvairá. É uma imortalidade no melhor estilo vilão-moral-rochedo-cinematográfico, um Al Pacino wannabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse nem é o ponto. O controle sobre o tempo de que falo é aquele onde poderíamos flexibiliza-lo, transforma-lo numa massa deformável, onde os frames-dias poderiam ser estendidos e contraídos ao nosso bel-prazer. Pois há dias enfadonhos os quais desejamos que passem tão rápido quanto aqueles de luxúria e estrago, que sonhamos que caminhem a passos tão curtos quanto aqueles de labuta descriativa, que nunca são rápidos como os últimos dias, aqueles de despedida, infradotados de qualquer bom-senso que os permita marchar displicentemente por planícies pachorrentas, repletas de armadilhas pró-inércia, aquelas que nos prendem a ambientes sudorentos, meio escuros, totalmente sem janelas, o que impede a contagem do tempo, este que escorre diligentemente por ampulhetas gigantes quando nos vê chafurdando na esbórnia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é tudo impressão sua. O tempo é o mais infalível dos metrônomos, sempre marcando ali seu tic-tac-tic-tac-tic-tac com uma precisão plus-que-suisse. Nós que o relativizamos. Nós que queríamos poder quebrar o tempo numa batida mais dissonante, para retornar depois que as cordas e metais entrassem em harmonia novamente. Mas nossas ideias não correspondem aos fatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3744854272108766512?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3744854272108766512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3744854272108766512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3744854272108766512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3744854272108766512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/12/time-signatures-mais-que-voar-pois-esse.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-7327528557652106760</id><published>2010-12-02T15:04:00.003-03:00</published><updated>2011-03-24T12:38:22.412-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Almanaque do Doutor Ervilha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Scoobidoo Love&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="240" width="400"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/psmmlpI79RM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/psmmlpI79RM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="240" width="400"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolescentes crescidos nos 80 ou 90 tinham limitados meios de comunicação. Bilhetes e telefone para curtas distâncias, cartas para os queridos mais além. Os adultos, e ainda assim aqueles mais abastados, se davam ao luxo de pegar asas ao encontro da amada. Cinematográfico demais, muito acima da nossa realidade um tanto mais modesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a popularização das passagens aéreas permitiu o financiamento de vários pequenos curtas (afinal, também há os curtas longos, que são longos, para um curta), onde cada um podia ter seu dia de astro, de protagonista da sua própria história. Então todos aqueles encontros emocionados de aeroporto, ensopados em lágrimas de saudade retesada, rostos e mãos colados no vidro da porta de desembarque, abraços demasiadamente longos (até mesmo para longos curtas) e sequências em slow-motion já pularam dos suspiros de um outrora telespectador para o roteiro da vida nossa de cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como as cenas de aeroporto costumam vir só no final dos filmes, ficamos sem saber o que aconteceu depois, se a história vingou, se o avião não caiu. Exceto quando filmam uma sequência. E a parte três, da mesma forma suas antecessoras, tem sido de uma beleza ímpar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-7327528557652106760?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/7327528557652106760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=7327528557652106760&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7327528557652106760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/7327528557652106760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/12/scoobidoo-love-httpswww.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-176431544026458431</id><published>2010-11-24T10:37:00.003-03:00</published><updated>2010-11-24T10:40:49.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SEXO AQUI'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ah, bruta flor do querer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero&lt;br /&gt;"Não pode"&lt;br /&gt;Eu quero&lt;br /&gt;Não devo&lt;br /&gt;Eu quero&lt;br /&gt;Não posso&lt;br /&gt;Mas vou&lt;br /&gt;Porque quero&lt;br /&gt;Não devo&lt;br /&gt;Não posso&lt;br /&gt;Mas vou&lt;br /&gt;Assim mesmo&lt;br /&gt;Pois quero&lt;br /&gt;Pois gosto&lt;br /&gt;Gostar&lt;br /&gt;Não é querer&lt;br /&gt;Querer&lt;br /&gt;Não é poder&lt;br /&gt;Não posso&lt;br /&gt;Mas quero&lt;br /&gt;E quero&lt;br /&gt;Pois gostas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-176431544026458431?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/176431544026458431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=176431544026458431&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/176431544026458431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/176431544026458431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/11/ah-bruta-flor-do-querer-eu-quero-nao.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1854379171360285529</id><published>2010-11-19T15:13:00.000-03:00</published><updated>2010-11-19T15:14:36.416-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bestialismo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Shotline&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos infortúnios da vida, repleta de desencontros e encontros, apesar de tantos desencontros por ela, onde nos perdemos, onde te achamos, e onde ainda teremos tantas paredes a nos bater as faces, onde o que é injusto talvez não seja necessariamente o errado, o que comprova que tal vida não é regulada por órgãos divinos, pois estes seriam misericordiosos com as vidas alheias, aquelas que pulsam, aquelas que querem viver, as justas, as potentes, as desenfreadas, que seguem um ritmo paralelo à rotação dos comuns, dos meros usuários, esses que apenas passam por aqui sem muito a acrescentar, ao contrário de nós, que somos, que estamos, que brigamos para fazer com que esses médios setenta e cinco anos passem dia após dia, sem se antecipar ou querer acelerar o andamento de conta-gotas que nos é mais razoável para fazer com que ela, a vida, pareça que dure um pouco mais, mesmo sendo setenta e cinco anos um tempo bastante extenso dentro do nosso universo diário, mas que - doce ilusão - não é lá tanta coisa, visto o tempo que perdemos procurando aquele grande amor, que custa a chegar, mas nem tanto a partir, depois de tantos casos malfadados que nos fizeram perder preciosos grãos de tempo, deixando para trás toda uma juventude que poderia ser melhor aproveitada, e que agora corremos para sarar-lhe essas contusões, em ritmo de supletivo: não vão fuder minha sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1854379171360285529?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1854379171360285529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1854379171360285529&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1854379171360285529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1854379171360285529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/11/shotline-aos-infortunios-da-vida.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1589104457924293426</id><published>2010-11-17T19:49:00.004-03:00</published><updated>2010-11-17T20:04:53.358-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sleep tight&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você dorme. Ou diz que, ou demonstra que. Mas não, não. Não se incomode em me informar, pois eu percebo. O sono é visível nos seus olhos inchados, no sorriso amarelo de quem, com um braço só, já que o outro é o que carrega as tralhas, procura ser simpática o suficiente para receber, por mera gratidão ou recompensa, um ombro para encostar a cabeça chumbada de uma tonelada. O cansaço está no seu semblante pesado, arrastado, ball and chain. Naturalmente, seu corpo afunda no colchão mais densamente que o meu, apesar de você ter quase metade do peso deste aqui. É que você dorme com uma carga extra de problemas, responsabilidade e fadiga. Já eu, eu só posso enveredar meus dedos pelo emaranhado do ninho que agora é teu cabelo, castigado pela maresia, pelo sol, pelo vento, pela areia, pelo suor. E, de tão poucos, teus fios não oferecem lá grande resistência à invasão do seu couro cabeludo, destino final das minhas impressões digitais. O ar que você irregularmente expira pela boca entregam seu estado de cama profundo. Você se esmaga contra ela como que prensada por uma grande chapa metálica. E nessa brasa física quase que exaurida, você torna-se pouco afeita ao toque, pois ainda precisa rolar muito pela superfície acolchoada, a fim de encontrar a posição ideal, aquela onde o menor número de máculas possível toque o lençol, ficando elas, assim, livres para respirar e serem sopradas, ainda que displicentemente, pelo assovio débil do ventilador esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você dorme. Ou achava eu assim. Mas basta eu levantar, provocando uma ausência de dez segundos, apenas para por fim à pingoletagem do chuveiro mal fechado que ameaçava sua mansidão onírica, para que você, praticamente inconsciente, revele toda a sua arquitetura manhosa, chamando, ainda de olhos fechados: "coração, cadê tu?", no que eu ria, admirado com sua capacidade de se sentir sozinha. "Aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tu foi pra onde? Volta pra cá", e eu nem tive tempo de responder à pergunta, que, dentro do contexto, era mesmo irrelevante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1589104457924293426?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1589104457924293426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1589104457924293426&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1589104457924293426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1589104457924293426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/11/sleep-tight-voce-dorme.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3943403085561142131</id><published>2010-11-04T17:13:00.001-03:00</published><updated>2010-11-04T17:15:58.604-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;You're a mess, Bess.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha aqui nos meus olhos, assim mesmo, a 90º de inclinação, e vê se não há verdade em toda essa mentira que tu desvendou há poucas dezenas de minutos atrás. Que tudo o que eu queria era essa presença de toque, sentir aquela respiração gostosa sendo exalada, com todas as suas notas, na minha direção, sentir teu olhar ustulando toda a minha paixão encharcada pelo desejo, pela saudade choraminguenta, pelo querer que há muito deixou de ser uma opção, uma simples vontade. Abaixo a baixa resolução das máquinas, da inanição forçada pela solidão de dias nem tão distantes assim um do outro no calendário. Mas é um pouco tempo que doi, que esmigalha e pulveriza nossa ações. Eu quero um close, coisa bem macro mesmo, e não um plano americano maquiado pela dúvida que a falta de proximidade evoca quando pergunto um "mas cadê a covinha daqui?". Agora, não. Agora eu vejo, a covinha ainda está ali, no lugar de sempre, emoldurando esse que é o mais terno e genuíno - sem tocar no mérito estético - sorriso que já me atacou. É tu, assim, pura, que eu gosto. A simplicidade dos teus atos, tua brejeirice andando pra lá e prá cá, com essas pernas enormes como na foto, só que sem a perspectiva, deixando um rastro de bagunça que eu acho simplesmente adorável, calcinhas que se espalham pelo chão, cacarecos tomando conta do lugar, sem saber exatamente de vieram e pra onde vão, colares entrelaçados que abasteceriam pescoços cheirando a estrogênio de uma Atenas inteira. E, ao perceber que percebo cada uma dessas coisas, tu simplesmente ri, de lado, mais 90º, tentando encontrar alguma brecha de reprovação de minha parte, mesmo sabendo que, claro, isso não vai acontecer. Porque a gente é meio entulhado mesmo, essa coisa meio foda-se de ser. Quem disse que tinha de ser na régua?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3943403085561142131?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3943403085561142131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3943403085561142131&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3943403085561142131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3943403085561142131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/11/youre-mess-bess.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5605317260404648405</id><published>2010-10-28T13:14:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T13:25:23.202-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Presente do futuro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual indivíduo nesse mundo não gosta de ganhar presente? Principalmente depois de velho, quando sua relação com eles muda drasticamente. Porque, veja bem, quando somos pirralhos, nosso interesse é meramente comercial, mercenário e bem vigarista mesmo. Criança só gosta de ganhar brinquedo, porque quer aumentar sua caixa, quer ter um carro de controle remoto melhor que o vizinho de baixo, porque precisa de uma renovação lúdica, porra! Aí tem pais e parentes que não captam a mensagem e dão o que? Roupa. Pra que pirralho quer roupa?, diz aí. Roupa, pra criança, sempre foi um incômodo. É o tipo de coisa que a mãe compra quando ele precisa, é só funcional. Dependesse dos guris, todos andavam nus por aí. Eu mesmo só andava de bermuda, sem camisa e descalço. Quando não era só de cueca. Então, roupa passa a ser algo mau para nós, miniaturizados. Logo, é muito simples: pra criança, dê brinquedo. Uma bola oficial do campeonato atual para os meninos, Barbie para as meninas. É caro, mas não tem erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de velho, que rola? Rola sentimento. O presente que cativa e conquista é aquele baseado em coisas que a gente realmente gosta. Legal, quando alguém compra uma roupa no estilo que você gosta. Ou ainda quando, sei lá, você gosta de sorvete e alguém te dá uma camisa com estampa de sorvete. "É, eu gosto, mas... não é bem isso". Ficou meio que subentendido que, ao contrário da infância, na idade adulta a gente passa a gostar de roupa. Tá, até gosta, ficamos mais vaidosos e coisa e tal. Mas não precisa ser só isso, sabe? A gente não precisa se ligar tanto no preço da etiqueta pra mostrar que tem algum apreço pela pessoa-alvo. Como se um presente "econômico" não tivesse um certo valor agregado. Porque um presente inusitado faria feio diante dos outros, tão opíparos. Então às vezes damos presentes bons de preço, não por achar que a pessoa vai gostar, mas pra mostrar que o valor daquela pessoa é inestimável e o presente tenta chegar o mais perto possível disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, tem as datas. Presente não precisa de data. Aliás, presente bom é justamente aquele que é fora de data, que vem inopinadamente, que realmente demonstra a estima que você tem pela pessoa, por ter comprado um presente no calor do momento, simplesmente por ter lembrado dela. E é esse presente que te derruba, que te deixa com um sorriso estúpido na cara. Pimentas. Sou viciado em pimenta, todas elas. Coloco em tudo, do arroz ao sanduíche. Mas eu nunca imaginei que receberia isso de presente. Pra mim, pimenta era uma coisa que eu realmente precisava comprar no supermercado, feito papel higiênico (apesar que talvez tenha quem goste de papel higiênico também). Porque era uma coisa extremamente pessoal. Eu gostava de pimenta, meu prazer escondido. E eis que, do nada, ganho uma coleção delas, de todas as cores, todos os tipos, em frascos de tamanho inversamente proporcional ao carinho que recebi ali. E um maior, teoricamente - como sempre me alertam - "mais forte". Eu fiquei besta. Foi um presente ao pé da letra. Um dos melhores que ganhei até hoje. Melhor que Lego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5605317260404648405?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5605317260404648405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5605317260404648405&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5605317260404648405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5605317260404648405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/10/presente-do-futuro-qual-individuo-nesse.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1115509847403706443</id><published>2010-10-25T09:10:00.006-03:00</published><updated>2010-10-25T09:29:38.814-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Doce Deleite'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Doce Deleite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;V&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/TMV4ApKIEPI/AAAAAAAAATA/z6K5Tm6vZ7g/s1600/zooeydes1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/TMV4ApKIEPI/AAAAAAAAATA/z6K5Tm6vZ7g/s400/zooeydes1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531959669738180850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;500 Days Of Summer&lt;/span&gt;, falavam do Efeito Summer que a personagem exercia sobre todos os homens. O mesmo vale para a própria Zooey Deschanel, o Efeito Zooey. Isso, inclusive, podia até gerar padrões de diagnose e passar a ser detectado como uma patologia que acomete alguns seres humanos. Simplesmente porque Zooey nunca vai ser a mais bonita e nem, muito menos, a mais gostosa do pedaço. Mas, ainda assim, ela consegue ser a mais foda. Porque ela ganha pela simplicidade, pela expressão, pela aura, pelo sei-lá-o-quê que ela tem. Porque ela tem algo que eu pensava que só as mulheres enxergavam em caras como José Mayer: charme. Mas a questão não é ela, é geral. Porque tem mulher por aí que consegue o mesmo efeito por muito pouco. Seja pelo jeito de falar ou andar, seja pelo detalhe de uma discreta tatuagem, seja porque ela simplesmente - sei lá - ronca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1115509847403706443?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1115509847403706443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1115509847403706443&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1115509847403706443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1115509847403706443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/10/doce-deleite-v-em-500-days-of-summer.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/TMV4ApKIEPI/AAAAAAAAATA/z6K5Tm6vZ7g/s72-c/zooeydes1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2311421894348558562</id><published>2010-10-20T16:49:00.002-03:00</published><updated>2010-10-20T16:51:21.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;On fairy tales&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego em casa e só vejo o rastro da violência. Como se faz isso a um semelhante, da mesma espécie, quase mesma idade, igual índole? Como se dá e se tira com a mesma gana? Quanta avareza, quanta mesquinharia tsc, tsc. Carregou as malas, as roupas, os produtos de higiene, o notebook. Deixou uma trilha de sangue, prova mais clara de suas intenções gatunas. Você bem sabe o que mais roubou. Sabe, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você também largou artefatos na cena do crime, pessoa boba. De propósito, para o imbecil aqui pensar que é jênio (olha aquela cadeira de Ironia I). Ou alguém acha que Cinderela simplesmente oh-tropeçou e abandonou seu belo sapatinho de cristal? Ela só queria que o príncipe desse uma dentro e fosse atrás dela. Mulher é mulher desde que o mundo é mundo, vão por mim. E o príncipe, se achando com seu achado, nada mais fez que seguir o script da doida. E eu, que não sou besta, vou fazer o mesmo, já sabendo que você sabe que eu sei. Aí eu funfo sua lógica e o homem volta a imperar. Porque vingança é um prato que se serve frio. Espere seu sapatinho de cristal. E quero de volta o que você levou daqui: coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2311421894348558562?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2311421894348558562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2311421894348558562&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2311421894348558562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2311421894348558562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/10/on-fairy-tales-chego-em-casa-e-so-vejo.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-3947665825227869706</id><published>2010-10-19T13:32:00.003-03:00</published><updated>2010-10-19T13:36:28.129-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;La tina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Life is getting better.&lt;br /&gt;But my world is turning into something really annoying from now on.&lt;br /&gt;Thank you.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-3947665825227869706?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/3947665825227869706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=3947665825227869706&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3947665825227869706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/3947665825227869706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/10/la-tina-life-is-getting-better.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8593744425541677450</id><published>2010-10-04T09:28:00.002-03:00</published><updated>2010-10-20T12:49:31.567-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SEXO AQUI'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Girl, you'll be a woman soon&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você crescer - dentro ou fora da gente - não esqueça: seja uma mulher. Não deixe o tempo, as circunstâncias, os afazeres (domésticos e selvagens) e o comodismo lhe mastigarem. Seja uma mulher. Não perca a vaidade, não pense que acabou, não pense que o ciclo fechou e que o tempo, carolinamente, passou. Seja uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão seus olhos negros, que eu vi de perto antes de dormir? Onde você guardou o brilho deles, com todo o fogo, a lascívia, a luxúria e demais seis pecados? Trate de procurar, pois quero tudo de volta. Quero você, mulher, de volta. Isso porque preciso novamente daquelas noites varadas e regadas a suspiros, ofegações, gozos e suor. Nâo importa sua idade, não importam as rugas, não importa a erosão que o tempo causou. Já era previsto. Já sabíamos que, no fim dos tempos, restariam apenas nossas cabeças. E são elas as responsáveis pelo tesão, não mais o corpo. Seja uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanta desse sofá, larga essa cozinha, atira longe as palavras cruzadas, manda as crianças pra casa da sua mãe. Pega aquele vinho que ainda restou do nosso casamento, que agora ele já deve estar bem fermentado. E talvez o tempo dele nos faça lembrar de nossa antiga proficiência, ativando alguns hormônios adormecidos. Só por essa noite, seja uma mulher. Das boas, das quentes, das putas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8593744425541677450?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8593744425541677450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8593744425541677450&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8593744425541677450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8593744425541677450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/10/girl-youll-be-woman-soon-quando-voce.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-489097801865864758</id><published>2010-10-03T05:20:00.003-03:00</published><updated>2010-10-03T15:30:14.853-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poeteiro'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Next Exit&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há os que levam meses&lt;br /&gt;Aqueles que levam anos&lt;br /&gt;Décadas, alguns&lt;br /&gt;Quando podiam ser dias&lt;br /&gt;For better or for worse&lt;br /&gt;A best we began&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-489097801865864758?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/489097801865864758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=489097801865864758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/489097801865864758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/489097801865864758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/10/next-exit-ha-os-que-levam-meses-aqueles.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5801386682588840721</id><published>2010-09-30T13:31:00.006-03:00</published><updated>2010-09-30T13:45:00.224-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fatos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Milky Way&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a galera descobre um planeta novo a 20 anos-luz da Terra, passível de abrigar vida humana (alienígena, para nós, umbigófagos). Aí nessas viagens Nasais dos cientistas, eles especulam até a temperatura média do planeta, que - dizem - fica entre 31 e 12 graus negativos, o que, com um sistema interessante de calefação, transformaria o lugar num paraíso, já que ainda não possui tráfego, ladrão, atendente de telemarketing, igreja, pagode e, assim espero, gente burra (querer demais?). Todos os pormenores de um sistema que não foi criado com "reset" incluso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais aí, observando a Via Láctea (esse nome sempre vai me remeter automaticamente à ideia de "seios"), não é formidável como essas massas todas se sustentam e rotacionam e translacionam e mantem-se exatamente no mesmo lugar através de uma porrada de cálculos absurdos e simultâneos (que, no caso de algum retardado resolver mudar um dígito, provavelmente desmoronaria tudo, tornando preferível, então, que tudo permaneça em seu devido lugar, mesmo diante de uma ameaça iminente de meteoros e cometas)? Não? É, vai ver a gente se acostumou à ciência, e as maravilhas do mundo já não são tããão maravilhosas assim. "Nossa, olha! O cometa Halley tá passando antes do tempo!", no que "arram, massa. E a porra do juiz marcou um pênalti aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente é volúvel, não se apega a nada. Eventualmente lembro de parar e ficar me impressionando com as reações do meu corpo (ui), testando as sinapses da mesma forma que um boy se deleita ao explorar aquele novo motor que colocou no seu carro tunado. Então fico fazendo movimentos bruscos, tentando ser mais rápido que o cérebro, mas ele sempre se antecipa e acompanha minhas ordens, fazendo exatamente aquilo que eu mando ele fazer. Nem mais, nem menos. Eu acho isso uma capacidade de processamento descomunal, que nenhum computador nesse mundo teria condições de reproduzir sem dar tela azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, mas gosto de jogar a culpa na hiper-realidade que criaram a partir do século XX. A tecnologia nos acostumou muito mal, gerando em nós sempre uma expectativa por coisas melhores e mais avançadas. É a forma de expressar nosso descontentamento e frustração com nossas limitações humanas. Era muito mais legal na época em que Ícaro inventava de querer voar, fazia umas asas toscas coladas com cera e se estourava todo no chão, fudendo-se completamente. Mas aí, já que homem não voa, acharam mais prático criar uma máquina que o faça, transformando o tão belo ato de voar numa coisa tão banal quanto um cinzeiro. E o que deveria gerar um "=(" em nós, seres vivos, uma tristeza profunda por não conseguirmos atingir o sonho do pobre do Ícaro, acabou nos resignando a um "=|".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Baudrillard começou a discorrer sobre simulacros, ele nem imaginava a merda que vinha. O ápice desse movimento quero-ser-um-videogame veio na forma do tal "Avatar", o Wii definitivo e supremo. A chance de sermos o que não exatamente poderíamos ser. Os bichos azuis que fazem até um deficiente físico virar atleta de ponta. Não vou dizer que essa realidade (?) está distante. Mas vamos nos ater às redes sociais e à imagem deturpada (pra melhor, claro) que criamos de nós mesmos, baseado, claro, nas impressões que queremos que os outros tenham de nós. Com um pouquinho de criatividade e um mínimo de habilidade com Photoshop, criamos o dream being, o Humano Nota Mil (weird, weird science). Tornamo-nos meros símbolos, como os de Frutiger: apenas representações sintetizadas, abreviadas e minimalistas de uma estrutura muito mais complexa e feia e suja. Pronto. Agora somos uma coisa toda nova, somos Sims, criados para camuflar o que ainda nos resta de real, já que o real deixou de ser interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O virtual, então, passou a vigorar e trocou de lado com a realidade. As relações se dão via teclado-monitor-mouse-câmera e tem quem ache isso fantástico. Eu não. Eu acho frustrante. Mas eu sou um dinossauro. E me prendo a um passado onde o normal era a troca de bactérias. Por mais que em alguns momentos toda essa tecnologia tenha lá alguma utilidade, a completa substituição é impensável. Eu não quero um avatar. Eu não quero uma namorada virtual. Eu não tenho 1,92m, 88kg, olhos azuis, BMW na garagem, nem li todas as grandes obras, nem toco todos os instrumentos, nem sou famoso, nem quero ser porra nenhuma a mais do que essa carcaça que eu prefiro que os outros conheçam. Eu quero ser de carne e osso, essa estrutura tão fantástica e cheia de nervos, ligamentos e, principalmente, sinapses, essas que nos sustentam, rotacionam e translacionam. E mudar para Gliese 581, onde posso ser um alienígena em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5801386682588840721?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5801386682588840721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5801386682588840721&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5801386682588840721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5801386682588840721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/09/milky-way-ai-galera-descobre-um-planeta.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-5480788959334959195</id><published>2010-09-27T22:29:00.003-03:00</published><updated>2010-09-28T00:06:21.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/TKFbgVpLgII/AAAAAAAAASI/mfheZS0JQrY/s1600/aura.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 251px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/TKFbgVpLgII/AAAAAAAAASI/mfheZS0JQrY/s320/aura.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521795229256745090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Kirlian&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já parou pra pensar em como as fotos dizem muito de uma pessoa? Não que role sacar a aura dela no instantâneo, mas a forma como ela sai - incluindo o momento pré e o pós do abrir e fechar do obturador - é determinante para sua personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto de sair em foto, então é muito mais provável que eu estrele uma dessas naquele estilinho blasé de quem finge que não percebeu a câmera apontada pro próprio perfil. E se eu resolvo posar, certamente não vai ser de forma convencional, com cara de foto. Porque essa é a questão: odeio cara de foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os adeptos desse estilo transformam um reles click num grande evento social do tipo para-tudo-que-agora-é-sério. Enquanto as outras pessoas estão lá se reunindo pra ver quem fica atrás de quem, quem bota a mão na bunda de quem e quem faz chifre na cabeça de quem, a figura com cara de foto está concentradíssima, fazendo o Checklist Mental da Foto Perfeita, que inclui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Cabelo. Lambe os dedinhos e passa na cabeça, só pra garantir que os fios revoltos se acalmem por 5 segundos.&lt;br /&gt;2. Olhos. Esbugalhe-os o máximo que puder, para garantir que não decidam fechar-se junto com o obturador ou fiquem a meio pau. Para ambientes com fumaça, luz forte ou secos, sugere-se carregar sempre um colírio anestésico a tiracolo.&lt;br /&gt;3. Sorriso. Parte crítica. Contraia os lábios fortemente de modo a escancarar suas arcadas a um nível crítico.&lt;br /&gt;4. Não entre na onda deles. Mantenha a pose e o semblante o mais plácidos possível. Nada de movimentos súbitos.&lt;br /&gt;5. Maquiagem. Já foi conferida no espelhinho antes mesmo que você percebesse o burburinho para se tirar uma foto. Próximo.&lt;br /&gt;6. Corra. Assim que espocar o flash, seja o primeiro a dirigir-se ao fotógrafo, utilizando braços, ombros e cotovelos, se necessário, confira como ficou e, caso não tenha se agradado, utilize seu conhecimento ninja para, com 3 movimentos rápidos dos dedos, deletar aquela aberração e peça, com voz baixa, para que o sujeito solicite uma nova foto. "Galera, vamo tirar outra, só pra garantir".&lt;br /&gt;7. Repita o procedimento 6 à exaustão, até a foto atingir um nível editável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo todos esses passos, o ser com cara de foto repete o sucesso das fotos anteriores. Tá, a cara também. Mas preserva sua idoneidade e passa em branco das brincadeirinhas, na fase Picasa. Aliás, passa em branco da foto em si, pois aquela cara é tão repetida que ninguém mais percebe a sua presença. Vira ponto cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio cara de foto. Odeio mesmo. Porque é coisa de gente fresca, que tem medo de se queimar. Que morram donzelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-5480788959334959195?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/5480788959334959195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=5480788959334959195&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5480788959334959195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/5480788959334959195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/09/kirlian-ja-parou-pra-pensar-em-como-as.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/TKFbgVpLgII/AAAAAAAAASI/mfheZS0JQrY/s72-c/aura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-1275744451528068194</id><published>2010-09-23T15:01:00.000-03:00</published><updated>2010-09-23T15:02:38.000-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música Diária'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Música Diária&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;X&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Cinematic Orchestra -  To Build A Home&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;There is a house built out of stone&lt;br /&gt;Wooden floors, walls and window sills&lt;br /&gt;Tables and chairs worn by all of the dust&lt;br /&gt;This is a place where I don't feel alone&lt;br /&gt;This is a place where I feel at home&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cause I built a home&lt;br /&gt;for you&lt;br /&gt;for me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Until it disappeared&lt;br /&gt;from me&lt;br /&gt;from you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And now, it's time to leave and turn to dust&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Out in the garden where we planted the seeds&lt;br /&gt;There is a tree as old as me&lt;br /&gt;Branches were sewn by the color of green&lt;br /&gt;Ground had arose and passed it's knees&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By the cracks of the skin I climbed to the top&lt;br /&gt;I climbed the tree to see the world&lt;br /&gt;When the gusts came around to blow me down&lt;br /&gt;I held on as tightly as you held onto me&lt;br /&gt;I held on as tightly as you held onto me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cause I built a home&lt;br /&gt;for you&lt;br /&gt;for me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Until it disappeared&lt;br /&gt;from me&lt;br /&gt;from you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And now, it's time to leave and turn to dust&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-1275744451528068194?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/1275744451528068194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=1275744451528068194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1275744451528068194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/1275744451528068194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/09/musica-diaria-x-cinematic-orchestra-to.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-8498399109481550336</id><published>2010-09-22T17:57:00.002-03:00</published><updated>2010-09-22T18:38:23.124-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversar de merda'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Četiri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Vamos manter contato. Não sei pra que, mas vamos".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, estúpido, claro que sabe. Só não saberá lidar com a distância, depois de acostumado a algumas horas de amálgama. Quem dera tivesse sido ruim, asqueroso, maçante. Não, não. Quem dera não tivesse sido interrompido, isso sim. Que fosse eterno até o amanhecer, aquele eterno domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nenhum dia seria mais apropriado para uma saudade misturada com vontade da qual se quer eternidade do que um domingo. Pobre domingo xôxo, sem nada pra fazer, de ruas vazias, de portas fechadas. Por outro lado, uma boa desculpa para incursões antropológicas minunciosas, sob o manto de um silêncio que só a ausência de carros consegue provocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já devidamente instalados, vi beleza naquele beijo, tão suave, tão úmido, como a teia mais perfeita, que não deixa passar nem pó. Um beijo tão doce, e que parecia tão antigo, devido às línguas que pareciam já conhecer o caminho. E teu peso pluma? Tua cintura tão fácil de envolver? Tua voz grave, levemente rouca, falando baixinho? Vamos, vamos sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, que tem medo do escuro, me chamou pra enfrentar as almas do teu quarto. Disse que ia ligar a luminária apenas pra me mostrar, mas só queria mesmo era se sentir segura com aquele semi-desconhecido ao teu lado, que tu não sabia se era capaz ou não de mandar aqueles bichos que te tormentam pra debaixo do pallet. Vai que eu era um deles também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu me recebeu agradavelmente. Me deixou à vontade, deu cama, calor e carinho. Me cobriu com cabelos intrometidos, também desejosos de beijos. Tu me ofereceu um colo alvo, pálido, cálido, irresistível; o teu melhor riso, o mais gostoso, debochado e inapropriado dentre os poucos que conheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não confiou em mim. E depois confiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, então, podia ter desligado as bolas de luz. Mas não. As sombras que elas criavam ao pé daquela cerejeira imitavam o final de tarde no qual eu desejava estar naquele momento. E entre arquejos e suspiros, pés e mãos: eu e tu. E o domingo, calado. E eis que também calamos, arrefecemos, anestesiamos. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comfortably numb&lt;/span&gt;. E eu tinha todo o seu esboço na minha frente para admirar. Cada contorno seu eu delineei com as mãos, acariciando-te as costas. E você ria, mais uma vez sem um motivo. Você ria, mas queria uma noite inteira cheia daquilo. E eu, inepto, incapaz de te oferecer tão simples mordomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tenho que ir". A frase que dói. Uma daquelas últimas frases clássicas que nunca deveriam ser proferidas. O ato de ir durou meia hora. Mas eu realmente tinha que ir. Besteiras mil passaram pela minha cabeça, sendo encabeçada pela "posso passar a passagem pra amanhã". Não, não. Não vamos tirar o brilho desse instante. Ir embora agora seria imortaliza-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, na porta, mais querer. E o que parecia não ter sentido agora era ir embora dali. "Manter contato" não aliviaria, só me deixaria mais intrigado. Por tu. Tu que me olhava sorrindo enquanto eu tentava ir embora. Tu que olhava com olhos de "vai porque quer". Pra que manter contato? Por que mantenho? Só pra saber cada dia mais o que eu deixei pra trás. O elevador fechou e ainda vi um último relance teu. Agora, sim, eu fui. E as próximas horas seriam uma violência gratuita promovida pela minha auto-flagelação mental. Porque foi a grande noite da história. Não importa por que. Eu sei que foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-8498399109481550336?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/8498399109481550336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=8498399109481550336&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8498399109481550336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/8498399109481550336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/09/cetiri-vamos-manter-contato.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38712983.post-2514786766411383696</id><published>2010-09-21T22:46:00.003-03:00</published><updated>2010-09-22T13:25:35.270-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deálogos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Deálogo VII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Da espera, do suporte, da tolerância&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu poderia ficar aqui horas com você olhando essa geleira derreter.&lt;br /&gt;- Rum... - um leve sorriso, um dos mais lindos já registrados, e que ele não viu - Mas aí você apenas estaria horas olhando a geleira derreter enquanto ficava comigo.&lt;br /&gt;- Por que você sempre tem uma resposta idiota pras minhas frases imbecis?&lt;br /&gt;- Porque você nunca aprende.&lt;br /&gt;- E isso não te incomoda?&lt;br /&gt;- O quê? Sua incapacidade de aprendizado ou as frases imbecis?&lt;br /&gt;- A rotina. Você me antecipar.&lt;br /&gt;- Não. Nunca incomodou. É mais que isso. Acho que aprendi a gostar das suas mazelas.&lt;br /&gt;- Pelo menos algum de nós aprende alguma coisa.&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;- Eu gosto do nosso conforto. Por mais que eu saiba que ele sempre será o mesmo, também me regozijo em saber que ele sempre estará aí.&lt;br /&gt;- É. Isso é importante. Acho que o amor é a única coisa boa com a qual conseguimos nos acostumar. Porque normalmente as coisas boas tem um ápice e depois caem. Amor, quando bem amado, quando bem-feito e bem-acompanhado, consegue se manter nesse pico, sem precisar bater as asas.&lt;br /&gt;- Feito urubu.&lt;br /&gt;- Feito urubu.&lt;br /&gt;- Então você sabe que tá rolando um amor enquanto a geleira derrete.&lt;br /&gt;- Sei, sim. Meu amor tá em standby também. Quero ver se ele aguenta até a geleira derreter.&lt;br /&gt;- Haha. Imbecil.&lt;br /&gt;- Como você.&lt;br /&gt;- Espera deitada, então. É só a geleira que vai derreter.&lt;br /&gt;- Rum... - dessa vez ele não perdeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38712983-2514786766411383696?l=casualidadesdistorcidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/feeds/2514786766411383696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38712983&amp;postID=2514786766411383696&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2514786766411383696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38712983/posts/default/2514786766411383696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casualidadesdistorcidas.blogspot.com/2010/09/dealogo-vii-da-espera-do-suporte-da.html' title=''/><author><name>Paulo Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07630831587130121456</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_zET5e7uk70c/SXJ8WW-DTiI/AAAAAAAAAD8/mgn0pZHxkXA/S220/cutDSC02571.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
