Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

Uma grade de Taffman

O rótulo alerta que um frasco - mesmo que pequeno - já é suficiente para suprir nossas necessidades diárias. Não é preciso mais que isso. Seria hipocondria. Excesso de zelo, talvez. Sobrecarregaria seu organismo com um turbilhão de vitaminas que seriam possivelmente rejeitadas. Não sei bem que efeitos colaterais isso provocaria. Talvez seja só terrorismo. Mas se eles quisessem mesmo vender, não se preocupariam com isso, não? O negócio é gostosinho e dá pra tomar mais de um fácil, já que a quantidade de um frasco é ínfima. Mas aí talvez os empresários pensem que se alguém tomar mais de um e sofrer um revertério, as vendas cairiam, pelo boca-a-boca.

Mas sabe os dias que você quer porque quer fazer alguma merda? Tipo pular de uma varanda e tentar cair rolando no chão? Tipo colocar maionese entre os papéis do seu chefe pra ver se ele descobre quem foi? Fazer o mal mesmo, para ter essa sensação? Como um amigo meu que criticava o cunhado por ser muito certinho. "Porra, por que ele não vai fazer alguma merda, hein? O cara nunca jogou uma garrafa pela janela do carro? Nunca sacudiu um saco de merda no muro do vizinho?". Eu queria tomar uma grade de Taffman, para minha própria libertação. Não só tomar todos os 24 frasquinhos, mas virá-los.

Isso seria meu grande segredo pro resto da vida. Acredito que eu o revelaria uns 15 anos depois, num encontro de amigos na casa de algum. Entre um e outro trago de uísque com Kuat, eu diria, com todo o suspense exigido, depois de relatos de incesto, drogagem pesada, rachas com Mavericks de madrugada e todo e qualquer outro tipo de libertinagem sexual, narcótica ou motorizada: "eu virei uma grade de Taffman!"

Olhares estupefatos e o som de pescoços virando-se repentinamente soariam no recinto. Susto? Orgulho? Respeito? Acho que tudo isso e mais um pouco de inveja de uma vida tão bem aproveitada. Meneando a cabeça, fariam um bico esquisito, alguns ririam nervosamente, apertos de mãos, tapinhas na costas e o tradicional "parabéns mermo". Explodiriam numa gargalhada, celebrando o amigo destemido, soltariam um "tem coragem, não", junto com uns "muito bom, muito bom" e voltariam a falar de seus causos, já sabendo que nada mais tinham para contar de tão imponente. Eu e minha Fanta, rindo um para o outro, saudaríamos minha audácia. Eu, com aquele risinho meio tímido, meio escroto que ninguém mais consegue fazer.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Doce Deleite
IV

O Top 5 final.


#5 Ser competente pra quê?
Eu não lembro qual era a novela que ela fazia uma tal de Carolaine, mas foi ali mesmo que começou meu caso de amor com essa moça, que já não é mais tão moça, mas que continua linda. Longe de ser uma boa atriz, Flávia Alessandra consegue compensar com outros dotes. Salve "O Homem Que Desafiou O Diabo"!

#4 Aguda
Tem muito o que falar dela? Basta passar 5 segundos olhando esse rosto e depois tentar tirar o olho. Impossível. Olhos desafiadores, nariz afilado e uma boca que não é uma boca, é um projeto de design. Faz uns filmes ruins, é bem verdade. É casada e teve um filho, é verdade. Mas nada disso fez de Mila Jovovich um ser comum.

#3 Peu D'Âne
Agora, um clássico. Quando falam em francesas, geralmente a referência recai sobre Brigitte Bardot. Mas ninguém lembra que o rosto francês mais bonito das décadas de 60/70 era, de longe, o de Catherine Deneuve. As fotos aí não me deixam mentir. E quem ousar assistir o clássico de conto de fadas distorcido "Peau D'Âne (Pele De Asno)", vai dizer a mesma coisa. E esse olhar blasé só dá mais instiga.

#2 Filha de peixe nem sempre peixinho é
Vai entender a genealogia de Liv Tyler. Filha de ninguém mais, ninguém menos que Steve Tyler, A boca que conduz o Aerosmith e uma das pessoas mais feias do mundo, Liv nasceu uma boneca. Pele extremamente branca, cabelos extremamente pretos, desencanada com o esquema fitness usual de Hollywood, a moça sempre irá carregar esse ar meio infantil, que fode todo mundo quando ela aperta os olhinhos e dá aquele sorriso labial escroto. Anda meio sumida, mas essa já é eterna.

#1 SempreAh, Lavínia Vlasak sempre, ainda é e continuará sendo. Ela é o meu ideal de beleza feminina, enfim. Os cabelos castanhos ondulados, os olhos meio puxados, as maçãs salientes, a pele branca, a magreza. Ela é tão imbatível que merecia um post só para si.

Sábado, Janeiro 16, 2010

"Oi. Eu sou um dinossauro?"


Sábado, Janeiro 09, 2010

25 + 2

Lucas está em Salamanca
Antonio está no doutorado
Anderson está sumido
Carrie está gorda
Sílvio está gay
Júlia está em São Paulo
Charles está nas drogas
Segundo está namorando
Jesus, dizem, está aqui
Recife está um inferno
Ciro está na televisão
Aline está morta
Augusto está em Houston
Outro Lucas, em Québec
Thiago está de férias
Pedro está em outro curso
Giulia ainda está bem longe
Natalia está esperando
Ana está formada
Celular está descarregado
Raphael está com câncer
Luciano, H1N1
Ninguém está em Minas
Mas eu estou
Todos estão ficando velhos
E eu também

Domingo, Janeiro 03, 2010

Doce Deleite
III


Opa, escapou!
Doce Deleite
II


Só um minuto de silêncio e, logo depois, um viva para a Catalunha! É Belén Fabra.

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Música Diária
VIII

Bateu o recorde de repeats em toda a história.

Otto - Crua

Há sempre um lado que pese
E outro lado que flutua, a tua pele
É crua
É crua
Há sempre um lado que pese
E outro lado que flutua, a tua pele
É crua
É crua
Dificilmente se arranca a lembrança, a lembrança, a lembrança, a lembrança
Por isso na primeira vez dói
Por isso, não se esqueça: dói
Difícil acreditar num caso sério
E na melancolia que dizia
Mas naquela noite que eu chamei você fodia
Fodia
Mas naquela noite que eu chamei você
Fodia de noite e de dia

Domingo, Dezembro 20, 2009

Mulher Nota 1000

Eu não sei ao certo, mas creio que nós, meninos, começamos a idealizar as mulheres em meados do início da adolescência, mais ou menos quando também começamos a reparar e dar algum valor às nossas medidas genitais. Com a efervescência hormonal diluindo-se em uma rodada ou outra do mais puro esperma extraído direto de nossas fontes somadas às nossas infantis, inocentes e ingênuas - Freud possivelmente discordaria - paixões de infância, começamos a marcar alguns pontos cardeais ao longo do corpo feminino. E, exatamente, o foco vai todo para a carroceria. E eis que temos os ideais de beleza. Não importa se a menina coleciona Barbies, se gosta de alguma boy band ou se prefere meninos mais velhos. Ela é uma deusa perfeita independente do que se passa na oca cabeça dela. Afinal, nós meninos também não temos nenhuma definição mental até então.

O castelo de areia começa a ruir quando as experiências começam, quando provamos os lábios femininos, quando sentimos erupções dentro das calças, quando... quando começamos a conversar com elas. Então, milagrosamente, percebemos que as sensações físicas podem ser adquiridas com qualquer uma delas e passamos a ignorar uma ou outra cor de cabelo ou alguns quilinhos a mais ou a menos em favor de, por exemplo, uma pitada de bom humor ou um disco de David Bowie em sua estante. O grande problema é que isso leva uns anos, em torno de dez, para acontecer.

Então, como começa: você procura aquela linda menina de cabelos castanhos ondulados, estatura mediana, olhos claros, pele branquinha e magra. Tal qual você formou depois de alguns anos de observação midiática. Você encontra algumas, leva uns foras, persevera e pimba!, consegue uma só pra você. Beleza. Mas digamos que ela seja muito... fofinha demais. Romântica demais para seus hormônios ricocheteantes. Talvez até quisesse uma menina meiguinha como ela, mas ela passa do ponto de doçura e começa a atrapalhar sua vida. Ligações telefônicas pontuais e demoradas, pedidos de diz-que-me-ama, cobrança de carinhos, cartinhas, mensagenzinhas, coraçõezinhos. Você começa a ver menos seus amigos. Seus amigos começam a lembrar menos de lhe chamar para as festas, saídas, peladas. De repente, você se vê a sós com sua princesinha, cercado por um mundo de um amor super bonito. E tudo isso é um saco. Você tenta se desvencilhar, ver os amigos. Amigos incluem amigas. Amigas provocam ataques de ciúmes. Você escolheu, agora aguente.

E você, de fato, vai aguentando, até se livrar. E surgem novas promessas de mulher perfeita em sua vida, não muito diferentes da primeira. E, num lampejo de consciência, você grita por dentro: "porra, tem alguma coisa errada nas minhas escolhas!". E tem mesmo. É como se todas as meninas de cabelos castanhos ondulados, estatura mediana, olhos claros, pele branquinha e magra fossem melosas e possessivas. Então, por que não procurar... uma morena? Elas podem ser diferentes, de repente.

Então, começa-se a formar um novo ideal feminino em sua cabeça. Já não é mais o que você QUER numa menina e, sim, o que você NÃO QUER. Ou que você quer baseado nas escolhas equivocadas passadas. Mais ou menos assim:

Burrice Casais precisam conversar, não? E não precisa ser só sobre casamento, filhos e novelas. Pode ser sobre coisas legais também. Um filme que assistiram, um livro que leram, uma notícia que rolou. Se a mensagem está sendo interceptada pela caixa de mensagens, esqueça.

Falta de senso de ironia ou sarcasmo É importante que a moça tenha noção dessas artes. É que de vez em quando é legal fazer uma ou outra brincadeira. E ter que explicar o que há dos dois em alguma sentença proferida é broxante. E se ela insiste na explicação, esqueça.

Mal-humor Tem coisa melhor que rir junto, se divertir junto, falar merda junto? Essa cumplicidade que não se esgota por alguma gafe cometida. É muito bom quando os dois mantém o ritmo de amizade e conseguem rir um do outro, sem partir para formalidades. Se ela resmunga de tudo o que você diz ou faz, esqueça.

Ciúmes Isso é muito importante. Eu acredito, ainda que ingenuamente, que se um sujeito topa entrar num namoro, é porque ele quer se dedicar àquela moça em específico. Ora, então se ela vai ficar rosnando pra qualquer outra que se aproxime dele, melhor nem continuar. Uma coisa é ter ciúmes de alguma menina devido a algum fato comprovado ou consumado. Outra é ficar puta com o cara porque ele conhece a menina, mesmo sem fazer nada. Se a moça vigia seu celular, Orkut, MSN, Gmail e outras mídias, esqueça.

Sobriedade Essa é uma situação delicada. Não precisa ser uma ex-AA (por fuga, não por cura). Pode beber só um copinho de cerveja e ficar ali, na dela. Essa é a questão. Não queira uma moça que vá pegar no seu pé porque você bebe, no caso de você beber. Ora, se você beber e pagar de palhaço, quem vai ser lembrado no outro dia é você, não ela. Então pra quê tanto alarde? Se ela regula seus tragos, esqueça.

Cativeiro E se ela não gosta dos lugares que você frequenta? Ora, se isso acontece, provavelmente você também não gosta dos lugares que ela frequenta. Mas se é ela quem levanta a questão, então é porque ela é a verdadeira preocupada com isso. Se ela gosta dos pagodes da vida e você dos pardieiros metaleiros, primeiramente vocês nem deviam estar juntos. Mas se satisfazem outros requisitos como os supracitados, então tudo bem. Mas se os dois gostam de coisas diferentes e ela coloca as dela um nível acima na escala de importância, esqueça.

Um iceberg em sua cama Veja bem... delicado, de novo. Mas não adianta negar a importância do sexo na vida de um casal. Se tudo dá certo fora do colchão, mas na hora de subir no tatame, você se sente num filme do Bergman, algo precisa de conserto. Digo isso porque trata-se do momento sublime da vida do casal, onde tudo que foi proposto acima precisa se misturar com o carinho, o amor, a compreensão... que merda. Enfim, a coisa tem que ser bem-feita, com bom humor, sem tabus e muito gostar. Se rola frescura com uma ou outra coisa, se falta diálogo durante a transa, brincadeiras para apimentar o esfrega-esfrega, inovações e afins, como já disse: esqueça.