Mulher Nota 1000Eu não sei ao certo, mas creio que nós, meninos, começamos a idealizar as mulheres em meados do início da adolescência, mais ou menos quando também começamos a reparar e dar algum valor às nossas medidas genitais. Com a efervescência hormonal diluindo-se em uma rodada ou outra do mais puro esperma extraído direto de nossas fontes somadas às nossas infantis, inocentes e ingênuas - Freud possivelmente discordaria - paixões de infância, começamos a marcar alguns pontos cardeais ao longo do corpo feminino. E, exatamente, o foco vai todo para a carroceria. E eis que temos os ideais de beleza. Não importa se a menina coleciona Barbies, se gosta de alguma boy band ou se prefere meninos mais velhos. Ela é uma deusa perfeita independente do que se passa na oca cabeça dela. Afinal, nós meninos também não temos nenhuma definição mental até então.
O castelo de areia começa a ruir quando as experiências começam, quando provamos os lábios femininos, quando sentimos erupções dentro das calças, quando... quando começamos a conversar com elas. Então, milagrosamente, percebemos que as sensações físicas podem ser adquiridas com qualquer uma delas e passamos a ignorar uma ou outra cor de cabelo ou alguns quilinhos a mais ou a menos em favor de, por exemplo, uma pitada de bom humor ou um disco de David Bowie em sua estante. O grande problema é que isso leva uns anos, em torno de dez, para acontecer.
Então, como começa: você procura aquela linda menina de cabelos castanhos ondulados, estatura mediana, olhos claros, pele branquinha e magra. Tal qual você formou depois de alguns anos de observação midiática. Você encontra algumas, leva uns foras, persevera e pimba!, consegue uma só pra você. Beleza. Mas digamos que ela seja muito... fofinha demais. Romântica demais para seus hormônios ricocheteantes. Talvez até quisesse uma menina meiguinha como ela, mas ela passa do ponto de doçura e começa a atrapalhar sua vida. Ligações telefônicas pontuais e demoradas, pedidos de diz-que-me-ama, cobrança de carinhos, cartinhas, mensagenzinhas, coraçõezinhos. Você começa a ver menos seus amigos. Seus amigos começam a lembrar menos de lhe chamar para as festas, saídas, peladas. De repente, você se vê a sós com sua princesinha, cercado por um mundo de um amor super bonito. E tudo isso é um saco. Você tenta se desvencilhar, ver os amigos. Amigos incluem amigas. Amigas provocam ataques de ciúmes. Você escolheu, agora aguente.
E você, de fato, vai aguentando, até se livrar. E surgem novas promessas de mulher perfeita em sua vida, não muito diferentes da primeira. E, num lampejo de consciência, você grita por dentro: "porra, tem alguma coisa errada nas minhas escolhas!". E tem mesmo. É como se todas as meninas de cabelos castanhos ondulados, estatura mediana, olhos claros, pele branquinha e magra fossem melosas e possessivas. Então, por que não procurar... uma morena? Elas podem ser diferentes, de repente.
Então, começa-se a formar um novo ideal feminino em sua cabeça. Já não é mais o que você QUER numa menina e, sim, o que você NÃO QUER. Ou que você quer baseado nas escolhas equivocadas passadas. Mais ou menos assim:
Burrice Casais precisam conversar, não? E não precisa ser só sobre casamento, filhos e novelas. Pode ser sobre coisas legais também. Um filme que assistiram, um livro que leram, uma notícia que rolou. Se a mensagem está sendo interceptada pela caixa de mensagens, esqueça.
Falta de senso de ironia ou sarcasmo É importante que a moça tenha noção dessas artes. É que de vez em quando é legal fazer uma ou outra brincadeira. E ter que explicar o que há dos dois em alguma sentença proferida é broxante. E se ela insiste na explicação, esqueça.
Mal-humor Tem coisa melhor que rir junto, se divertir junto, falar merda junto? Essa cumplicidade que não se esgota por alguma gafe cometida. É muito bom quando os dois mantém o ritmo de amizade e conseguem rir um do outro, sem partir para formalidades. Se ela resmunga de tudo o que você diz ou faz, esqueça.
Ciúmes Isso é muito importante. Eu acredito, ainda que ingenuamente, que se um sujeito topa entrar num namoro, é porque ele quer se dedicar àquela moça em específico. Ora, então se ela vai ficar rosnando pra qualquer outra que se aproxime dele, melhor nem continuar. Uma coisa é ter ciúmes de alguma menina devido a algum fato comprovado ou consumado. Outra é ficar puta com o cara porque ele conhece a menina, mesmo sem fazer nada. Se a moça vigia seu celular, Orkut, MSN, Gmail e outras mídias, esqueça.
Sobriedade Essa é uma situação delicada. Não precisa ser uma ex-AA (por fuga, não por cura). Pode beber só um copinho de cerveja e ficar ali, na dela. Essa é a questão. Não queira uma moça que vá pegar no seu pé porque você bebe, no caso de você beber. Ora, se você beber e pagar de palhaço, quem vai ser lembrado no outro dia é você, não ela. Então pra quê tanto alarde? Se ela regula seus tragos, esqueça.
Cativeiro E se ela não gosta dos lugares que você frequenta? Ora, se isso acontece, provavelmente você também não gosta dos lugares que ela frequenta. Mas se é ela quem levanta a questão, então é porque ela é a verdadeira preocupada com isso. Se ela gosta dos pagodes da vida e você dos pardieiros metaleiros, primeiramente vocês nem deviam estar juntos. Mas se satisfazem outros requisitos como os supracitados, então tudo bem. Mas se os dois gostam de coisas diferentes e ela coloca as dela um nível acima na escala de importância, esqueça.
Um iceberg em sua cama Veja bem... delicado, de novo. Mas não adianta negar a importância do sexo na vida de um casal. Se tudo dá certo fora do colchão, mas na hora de subir no tatame, você se sente num filme do Bergman, algo precisa de conserto. Digo isso porque trata-se do momento sublime da vida do casal, onde tudo que foi proposto acima precisa se misturar com o carinho, o amor, a compreensão... que merda. Enfim, a coisa tem que ser bem-feita, com bom humor, sem tabus e muito gostar. Se rola frescura com uma ou outra coisa, se falta diálogo durante a transa, brincadeiras para apimentar o esfrega-esfrega, inovações e afins, como já disse: esqueça.